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Porto Velho,  qui,   23/novembro/2017     
política

Blábláblá não gera empregos

10/10/2016 08:51:56
Por Gessi Taborda da Costa
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FILOSOFANDO

A maior desgraça de uma nação pobre é que, em vez de produzir riqueza, produz ricos. Mas ricos sem riqueza. Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.MIA COUTO (1955), escritor e biólogo de Angola.

 

O “ESQUENTA”

O primeiro debate do segundo turno entre os candidatos a prefeito de Porto Velho, realizado na noite de sexta-feira pelo canal que retransmite a Band em Porto Velho serviu mais como um “esquenta” para Hildon Chaves e Leo Moraes.

Ainda prevaleceu naquele primeiro confronto manobras de ataques pessoais, prejudicando a clareza na exposição de ideias e propostas, a ponto de motivar concessões de direito de resposta entre os dois debatedores.

 

SINTONIA FINA

Então o que se pode depreender é que ambos os pretendentes terão de mexer na sintonia fina dessas tertúlias para baixar a taxa de insegurança entre os eleitores, especialmente os situados na faixa dos indecisos. No debate de sexta feira, salvo melhor juízo, ficou claro que o risco maior de mostrar-se mais inseguro é de Leo Moraes, não apenas pela verborreia afastando-o das respostas diretas, mas também pelos seus fios desencapados provocando atritos desnecessários.

 

JOGO DE VERDADE

Para quem tem um mínimo de discernimento sobre embates eleitorais com segundo turno, há uma compreensão de que o jogo começa para valer – e isso vale para nós aqui em Porto Velho – depois de 10 dias de TV. Então os candidatos deveriam evitar palavras de humilhação entre ambos, pois não é isso que vai animar a torcida, salvo, é claro, para a torcida uniformizada de cada contendedor.

Aliás, os torcedores deveriam estar rigorosamente conectados na comunicação do candidato que apoiam para não produzir curto-circuito como se viu no primeiro debate desse turno final.

 

FORREST GUMP

Se no primeiro turno Leo Moraes começou a ser chamado de “risadinha”, agora a coisa tende a mudar. No primeiro debate ele sorriu menos sem mudar o estilo de contar histórias para responder a qualquer coisa. Fala, fala, fala mas não chega à questão fundamental. Age como uma máquina de repetição, provavelmente por isso nas redes sociais acabou sendo considerado uma novo “Forrest Gump” da política estadual.

 

RONDONIANOS

No debate da Band Hildon Chaves não foi bem. Parecia mais ansioso e sem a tranquilidade o primeiro turno. Mas deixou claro, numa das admoestações ao impetuoso e jovem deputado que é tanto rondoniano como ele.

Leo, como se sabe, é paranaense de berço e até de formação acadêmica. Hildon é pernambucano de nascimento mas aqui vive por décadas, tendo inclusive sido procurador de Justiça do MP por 22 anos.

Então é pura besteira essa fixação em se comparar quem conhece mais, geograficamente falando, a extensão do município e as ruas da cidade. Isso não determina nada em face daquele que está mais qualificado a realizar a gestão que a cidade precisa.

 

SEM FIRULA

Posso imaginar a reação de Valdir Raupp, o barbudo Senador com base eleitoral em Rolim de Moura, diante da decisão do STF de sequestrar seus bens como consequência da acusação de que o cacique do PMDB rondoniense andou recebendo propina “sob o disfarce de doações oficiais”. Certamente vai dizer mais uma vez não ter cometido nenhuma ilegalidade ou até uma simples “esperteza”.

 

DRAMÁTICA

No fundo Raupp sabe que sua situação como homem público é cada vez mais dramática. Além de poder no cenário nacional, ele tem reunido ingredientes para colocar ponto final no seu projeto político. Isso já pode ocorrer para 2018, goste ou não seus apaniguados de Rondônia. Como manda a tradição, Raupp vai repetir a ladainha de que está sendo vítima de uma simples armação, mas tal desculpa não cola mais.

 

DESAFIO: GERAR EMPREGOS

No primeiro debate do segundo turno ambos os candidatos concordaram sobre a necessidade premente do combate ao desemprego na capital rondoniense através de uma gestão voltada para a retomada do crescimento econômico para gerar os empregos necessários especialmente à demanda da juventude em idade de entrar no mercado formal do trabalho.

Mas nenhum dos candidatos soube explicitar o caminho a se tomar para recuperar economicamente o município de Porto Velho. Ficaram ambos nas generalizações. Para os dois candidatos um dos grandes entraves para a atração de investimentos para a capital é o excesso de burocracia, responsável pelo longo período em que o investidor se debate para implantar seu negócio no município.

 

NOVOS CAMINHOS

Só a redução da burocracia não basta. Há novos caminhos para o desenvolvimento.

Ao município cabe realizar as obras estruturantes como a construção de um Ceasa, defendido por Hildon Chaves. Uma central de abastecimento tem potencial até para regular preço de alimentos para o consumo.

Há também a questão do turismo. Não adiante imaginar a exploração da indústria do turismo apenas por ter feito no passado a viagem da Maria Fumaça da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Argumento sempre usado por Leo numa concepção romântica da infância.

É preciso dotar a cidade de várias atrações e também de equipamentos como um Centro de Convenções, equipamentos culturais do tipo museus, pinacotecas, etc. E definir que tipo de turismo deve ser a base dessa indústria aqui na nossa capital.

 

INVESTIMENTOS PRIVADOS

Cabe aos dois candidatos dizer se concordam ou não com a assertiva de que o saída para evitar uma depressão maior na feição econômica de uma cidade regida pelo “contracheque” está atração do investimento privado, interno e externo. Então que cada candidato mostre qual sua proposta, seu projeto para atrair esses investimentos.

Isso é perfeitamente possível, mas não será palrando como uma metralha que isso vai acontecer. Só um gestor qualificado e conectado com o mundo empresarial, capaz de transmitir confiança nos “donos” do dinheiro poderá atrair esse capital, incentivando o surgimento de indústrias alternativas. Um bom exemplo disso no passado ocorreu com Ibitinga (SP) que saiu da crise do café criando a indústria do bordado.

 

PRODUÇÃO EM ESCALA

Hildon tem razão quando deixa claro que a economia local está na dependência de investimento para a infraestrutura e para o setor produtivo em larga escala. Isso não acontece hoje pelo fato das gestões municipais terem sido inegavelmente mequetrefes. Não será a plantação de algumas centenas de pés de frutas ou até de café que irá modificar o cenário atual. Hildon tem razão: é preciso se pensar em uma agricultura que garanta fornecimento industrial. Não teremos nenhuma indústria de polpas, de sucos, de confecções, de nada se não tivermos uma produção em escala. E depois há que se pensar a logística do mercado consumidor, etc,etc.

São coisas complexas, que não se resolve simplesmente colocando pias e banheiros naquela joça apelidada de feira do produtor.

 

DINHEIRO DEMAIS

O mundo está cheio de investidores e na economia globalizada não falta dinheiro. Ora, se o mundo está cheio de investidores ávidos por oportunidade é de se perguntar o que está faltando para os investimentos acontecerem em Rondônia e especialmente em Porto Velho? A resposta começa assim: falta prefeito inovador, dinâmico, articulado e com capacidade de atrair esse capital. Afinal, esse capital não virá para uma cidade que até agora funciona como uma pocilga, onde até as praças centrais são um autêntico lixo.

 

GESTÃO DE QUALIDADE

Porto Velho não teve, depois que Rondônia deixou de ser território, uma gestão de qualidade. Aliás, nem o estado, incapaz até hoje de fazer o dever de casa. Não há uma obra impactante do governo do estado finalizada. Como um investidor pode ter segurança de investir numa cidade que não consegue fazer meros elevados em mais de uma década dos projetos iniciados?

 

VÔO DE GALINHA

Rondônia e também Porto Velho, com seus vôos de galinha, andou experimentando em pouco tempo o céu e o inferno. Até hoje o tão falado Distrito Industrial inventado nos tempos do Teixeirão ainda não passa de rascunho. A economia local deveria ter sido cortejada ao máximo com o advento do Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira. Não foi exatamente pelo fato de nossos gestores não terem sequer compreendido o espírito da coisa, ficando atrás apenas das migalhas da compensação e, mesmo assim, de olho no quinhão que elas poderia garantir aos esbulhadores de sempre.

 

VERDADEIROS CULPADOS

Nossa economia foi transformada no pesadelo que afeta hoje boa parte dos moradores de Porto Velho e principalmente o setor de serviço, embora o candidato palrador do PTB ainda prefira enxergar isso aqui debaixo do arco-íris, por prefeitos da pior qualidade, como o que antecedeu esse que ainda ficará ai até primeiro de janeiro.

Enquanto a prefeitura existir para atender os “amigos do rei”, estaremos sim avançando nessa política suicida do atraso.

Desejar que a gestão municipal continuasse na mesmice dos últimos anos é defender que o conjunto da obra eleve o número de desemprego, com visível prejuízo para nossa economia. O povo da capital parece estar entendendo isso, dai ter feito ressurgir das cinzas no primeiro turno a candidatura que chegou na liderança para disputa final.

 



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