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Porto Velho,  seg,   16/setembro/2019     
política

Coluna do Taborda: e onde foi parar a voz rouca dos templos

5/12/2011 17:17:24
 
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FÉ, RELIGIÃO E POLÍTICA

Tive sorte em ler antes um textículo do respeitável Euro Tourinho, diretor geral desse nosso AM que, corajosamente está esbarrando no 1º centenário. Euro, esse exemplo de dignidade profissional, tem muita facilidade para dizer tudo, sinteticamente. Creio que o texto de sua lavra será publicado amanhã.

Estou falando disso por que a coluna de hoje começou pela inspiração no texto do nosso mestre. Não tenho sua capacidade para tratar de temas com tal envergadura filosófica dentro das dificuldades da síntese. Mas, como hoje é sábado e o caro leitor tem mais tempo para refletir, vamos lá.


E A IGREJA SE CALOU

Claro, ainda por muitos dias o assunto de maior interesse popular são os desdobramentos da “Operação Termópilas”. Pego na esparrela das investigações, o personagem conhecido como “irmão” Valter continua lá, no xilindró, no presídio de segurança máxima, em regime incomunicável.

Antes desse evento, o “irmão” Valter corria com desenvoltura pelo estado, espalhando sua arrogância, esquecendo a solidariedade, perseguindo pessoas e, pior, coordenando esquemas montados para garantir seu enriquecimento extraordinário roubando recursos estaduais, fortalecendo seus tentáculos em negócios escusos dentro do governo.

E sempre, no final da história, ali estava ele, com ar contrito de quem batia no peito para dizer melhor do que os outros, “como homem de Deus, comungante do ritual da Assembléia de Deus”. Certamente o silêncio da Igreja diante desses fatos cavernosos é muito estranho e emblemático. Como não se afetar com a desdita do “irmão Valter”, um reconhecido contribuinte de peso até no fortalecimento da saúde econômica da Igreja. Que falta de solidariedade.


SOLIDARIEDADE E RELIGIÃO

“A religião é o solene desvelar dos tesouros ocultos do homem, é a revelação dos seus pensamentos íntimos, a confissão pública dos seus segredos de amor”. Essa foi a definição cunhada pelo filósofo L.Feuerbach. Ora, ai está uma explicação para o fervoroso “irmão” Valter. Ele esqueceu de compreender que a mensagem central do cristianismo, independente das manifestações nos templos, com gritos, fala na “linguagem dos anjos”, com cânticos, é o amor ao próximo.

Valter, pelo que se vê, nunca amou o próximo. Possivelmente foi para fazer de algumas pessoas o seu próximo que o presidente preso da Assembléia atraia-os com a distribuição de propinas. Parece ter conseguido. Entre os agraciados com o “mensalinho” de Valter havia quem deu-lhe o codinome de “Bonitão”, usado nas comunicações interceptadas pela Polícia Federal.

Mas Valter não distribuiu migalhas de sua imensa fortuna só para conseguir “próximos” a quem pudesse amar. Ou pelo menos é isso que parece.

Deve, em algum momento, ter lido em Tg 2.24 que a fé sem obras é morta. E ai, enquanto perseguia pessoas fora de seu quadro de “próximos”, dava cargos importantes para os apaniguados e propina para seus iguais.

E via nesse sistema que acabou levando-o para o abismo algo parecido com a prática da solidariedade.


VÍNCULO COM GRUPOS

Deputados e deputadas cooptadas para a quadrilha do presidente não se sentiam bandidos por isso. Achavam-se apenas credores da solidariedade do “irmão” Valter, especialmente aqueles com o mesmo dom de farisaicamente gritar o nome de Deus e confessar sua intensa vida religiosa. A constatação dessa premissa está na primeira explicação dada pela deputada Ana da Oito: “Deus vai mostrar a minha inocência e provar que eu nada tinha com isso...”

Acontece - senhores deputados – que a solidariedade pode ser definida como a relação de responsabilidade, de cuidado, de preocupar-se com o outro, de sentimento que vincula pessoas e grupos unidos por interesses comuns, de modo que cada membro se sinta co-responsável com pelas ações uns dos outros.

Valter não praticou com nenhum dos membros de sua quadrilha assistencialismo, e nem seus “próximos” agiram com o espírito do voluntariado.

As práticas de todos esses “irmãos” foram solidárias, mesmo não tendo havido em seu núcleo a verdadeira solidariedade.


SILÊNCIO COMPREENSÍVEL

Exatamente por esse raciocínio me parece – salvo melhor juízo – compreensível o silêncio de lideranças da Igreja com a desdita de seu tão “generoso” irmão, que está apenas no princípio. Vê-se assim que pelo menos nessa relação cristã a solidariedade não é apenas um sentimento. Ela extrapola a esfera do sentimentalismo. Ela é uma postura e uma opção de vida e em defesa da vida que se encontra em estado de marginalização. É um colocar-se como alguém que não vive sozinho, mas em comum unidade.

As lideranças evangélicas beneficiadas com cargos e outras sinecuras próprias do Poder preferem ficar silentes nesse momento em as esperanças e utopias de um novo tempo, as nossas feridas pela fraude desse “cristão teratológico” não são apenas nossas, mas de toda a sociedade, inclusive daqueles que foram, enquanto interessa, próximos demais do presidente preso


SEM ESQUECER

Agora resta-nos a esperança de que o novo presidente, Hermínio Coelho, continue praticando – como sempre fez – a verdadeira solidariedade, enfrentando e saindo do eu egocêntrico de seu antecessor. Valter está na cadeia, mas nem por isso deverá fazer um meã-culpa da dor que provocou ao machucar aqueles que dele esperam solidariedade no nível de quem se afirmava tão próximo do Sagrado, tão próximo de Deus.

Quem realmente ama a Deus certamente não exige compensação para praticar o bem.



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