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Porto Velho,  sex,   10/julho/2020     
política

Para deputado rondoniense, “se tirar quem tem processo, não sobra ninguém”

6/6/2011 17:14:13
Por Edson Sardinha
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Acusado de ser um dos líderes da máfia das ambulâncias, deputado diz não ver constrangimento em ocupar Comissão de Orçamento, cutuca colegas e duvida da existência do esquema. 


 
O deputado Nilton Capixaba (PTB-RO) é oficialmente um novato na Comissão Mista de Orçamento. Em seu terceiro mandato na Câmara, é a primeira vez que ele é indicado por seu partido para ocupar uma cadeira no colegiado. Mas as emendas apresentadas pelo petebista ao orçamento lhe renderam a acusação de ser um dos líderes da chamada máfia das ambulâncias e a condição de réu em um processo sobre o assunto em tramitação na Justiça Federal de Mato Grosso.

De volta à Câmara após quatro anos, Capixaba afirma que, ainda hoje, não acredita que o esquema tenha existido e nega ter recebido propina ou dinheiro público em troca de apresentação de emenda ao orçamento. O deputado diz não ver nenhum constrangimento em ser indicado à Comissão de Orçamento apesar das denúncias. “O jogo é muito bruto. Se tirar das comissões quem tem processo, não vai sobrar ninguém. Metade da Câmara é processada”, exagera o petebista.

Ele é acusado pelos empresários Luiz Antonio Vedoin e Darci Vedoin, donos da Planam e cabeças do esquema, de receber um total de R$ 631 mil em 47 pagamentos. De acordo com a CPI, Capixaba foi o segundo maior beneficiado com as propinas. O valor corresponde, segundo a denúncia, a 10% das emendas que resultaram na compra de mais de 60 ambulâncias. Os empresários declararam à Justiça Federal que conheceram o petebista ainda em 1999, seu primeiro ano na Câmara.

Capixaba admite que conhecia os Vedoin e que chegou a receber uma “pequena doação” da empresa para sua campanha eleitoral. “Mas era dinheiro da empresa, não era dinheiro público”, afirma. Segundo ele, um assessor de seu gabinete “emprestou” a conta bancária para receber os R$ 631 mil depositados pela Planam para cobrir despesas da empresa em Rondônia. “Eu demiti o funcionário. Mas, coitado, ele não tinha nada a ver com a história. E eu nem sabia que ele tinha emprestado a conta”, conta o deputado.

Escândalo fabricado

Com pedido de cassação aprovado pelo Conselho de Ética arquivado antes de ser enviado ao plenário por causa do fim daquela legislatura, Capixaba se considera um injustiçado. Para ele, a “máfia das ambulâncias” foi “inventada” em 2006 para abafar o escândalo do mensalão, de 2005. E por que justamente ele foi apontado como um dos líderes do esquema? “Eu era pré-candidato ao Senado e o segundo-secretário da Mesa. Ocupava o cargo mais alto entre os demais colegas. Além disso, eu era e sou muito amigo do Roberto Jefferson, que denunciou o mensalão”, responde.

O deputado diz que, se alguém merece ser responsabilizado por eventuais irregularidades na compra de ambulâncias, a penalidade deveria recair sobre o Ministério da Saúde e os prefeitos dos municípios envolvidos, e não sobre os parlamentares. “O ministério aprovou os projetos com o aval do Planalto. As prefeituras fizeram as licitações. Se houve superfaturamento e direcionamento de licitação, a responsabilidade é deles”, acusa.

Os donos da Planam contaram à Polícia Federal e à Justiça que quase uma centena de parlamentares recebia propina em troca de emendas destinadas à compra de ambulâncias em municípios onde a empresa atuava. Os veículos eram vendidos às prefeituras por preços superfaturados e por meio de licitações dirigidas. De acordo com a denúncia, o dinheiro obtido de maneira fraudulenta abastecia o pagamento aos parlamentares.

Dinheiro da empresa

Para Capixaba, os deputados denunciados não tinham nada a ver com a história. “Se a empresa deu, era dinheiro dela, que tinha dono. Não era dinheiro público”, diz o rondoniense. “Gostaria que tudo fosse apurado para esclarecer as coisas. Seria bom para mim e até para a imprensa, que nos condenou”, acrescenta.

Mesmo não tendo conseguido se reeleger em 2006, ano das denúncias, Capixaba conta que não ficou um dia fora da vida pública desde então. Foi representante do governo de Rondônia em Brasília e sub-chefe da Casa Civil no estado. “Eu fui para o governo porque queria garantir a execução de emendas que tinha apresentado para a construção do aeroporto e o hospital regional de Cacoal”, conta.

Naquele ano, Capixaba ficou na suplência após ter recebido 14 mil votos. “Eu desisti na reta final, porque eu estava muito no foco da mídia. Mas quatro anos depois tive a maior votação que já recebi, mais de 52 mil votos. Foi a absolvição pelo povo que me conhece”, afirma.

Indicado pelo líder do PTB para a Comissão Mista de Orçamento, Jovair Arantes (GO), Nilton Capixaba diz que não há nada como o tempo para mudar a sorte dos políticos brasileiros. “O Collor foi inocentado pela Justiça. Mas aí já tinham cassado o mandato dele. O Renan também sofreu com denúncias e deu a volta por cima”, lembra.

FONTE: CONGRESSO EM FOCO



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