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Porto Velho,  qua,   23/setembro/2020     
reportagem

Comissão ou grupo de trabalho é disfarce para não se fazer nada

3/4/2011 09:11:51
Por Gessi Taborda
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Nesse domingo uma penca de senadores desembarca aqui com a promessa de buscar solução para o impasse em torno das obras das barragens do Rio Madeira. Isso não significa muita coisa em termos de futuro melhor para Rondônia. 



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No Brasil, quando não se quer resolver alguma coisa, cria-se uma comissão. Certamente os senadores que hoje aportaram em Rondônia e que amanhã prometem falar com a imprensa na Assembléia Legislativa estão bem intencionados. Daí a estarem verdadeiramente interessados em resolver os impasses gerados com estas obras multimilionárias desenvolvidas por consórcios de grandes empreiteiras e fundos de pensão vai uma distância enorme.

Estamos diante de um episódio semelhante à tal da transposição dos servidores públicos de Rondônia para a folha do governo federal. Comissões e mais comissões foram criadas para atuar nesse caso transformado numa novela sem fim, explorada sempre por políticos sem qualquer interesse real em seu epílogo, pois o negócio em torno dela sempre foi ganhar votos nas refregas eleitorais.


CONVERSA FIADA

O deputado Valter Araújo vai recepcionar os senadores para subsidia-los, como disse, “com as informações colhidas” pela CPI realizada na legislatura passada por iniciativa do folclórico ex-deputado ariquemense Tiziu Gidalias.

Ora, se nem os deputados da legislatura finda demonstraram maior interesse na tal CPI, a ponto de sequer votarem ou tomar conhecimento do suposto relatório que agora será disponibilizado aos senadores, dá realmente para imaginar que tudo não passará, outra vez, de truque de madame, com os senadores fazendo turismo; os deputados locais massageando o seu enorme ego para, no fim, ficar tudo como dantes no quartel de Abrantes.

Não haverá mudanças significativas na postura desses consórcios com as relações de convivência com a sociedade de Porto Velho e rondoniense, até porque eles tem agido desde o princípio ignorando os personagens, inclusive da mídia, comprometidos com o rigor crítico à política de cooptação das autoridades locais e dos veículos de comunicação.


PRESSÃO INCÔMODA

Os senadores só estão em Rondônia nesse dia de hoje em virtude do incômodo que a pressão dos operários das barragens causou em todo o país. Não há na verdade vontade política de esmiuçar, por exemplo, a relação siamesa dos grandes consórcios com autoridades e instituições de Rondônia aquinhoados com ganhos extraordinários nessa lorota do tal programa de compensações financeiras.

Só em Porto Velho (de todas as cidades onde obras desse porte foram construídas) o poder público se prevaleceu desse tipo de coisa para criar, como foi com o prefeito Roberto Sobrinho, uma secretaria especial para cuidar das “obras do PAC”, colocando lá nos empregos altamente remunerados sua “cumpanheirada” sem nenhuma referência extraordinária que justificasse tais nomeações.

Agora vamos ver um novo replay dessa manobra política nacional. Certamente ao final da visita dos senadores deverá surgir algum tipo de grupo de trabalho, alguma comissão especial, tão especial como todas as outras criadas para resolver os dramas e conflitos nas diversas dimensões do estado, como o agrário (agora mesmo está ai o tal do novo Código Florestal), etc, que nunca chega a lugar nenhum.

Preparem-se para revoada de nossos políticos a Brasília e até mesmo a outros estados (preferencialmente aqueles inseridos nos destinos turísticos mais importantes) com a desculpa de participar das tais comissões, das intermináveis reuniões e tudo isso pago com o dinheiro do contribuinte. E No final, solução mesmo, necas.

Esse continuará sendo, por muito tempo, o país da hipocrisia. O prefeito continuará torrando do tal dinheiro (que ninguém sabe e ninguém viu) das compensações em simples e caríssimas maquiagens como a da praça da Madeira Mamoré sem nenhum temor de sofrer uma investigação séria dos órgãos que deveriam defender a sociedade.
Em suma, tudo continuará como dantes no quartel de Abrantes.



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