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Porto Velho,  qua,   17/julho/2019     
reportagem

É fácil constatar a falta de preparo dos motoristas da capital para dirigir

11/10/2009 22:08:22
 
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O registro de batidas, colisões, atropelamentos e outros acidentes no trânsito de Porto Velho, é uma rotina cada vez mais crescente. Uma demonstração clara da falta de preparo dos motoristas e da inexistência de fiscalização e política viária. 



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A questão do trânsito na cidade de Porto Velho, capital do estado de Rondônia continua sendo tratada de forma prosaica pelos governantes. Eles insistem em manter à frente dos organismos criados para cuidar desse segmento pessoas despreparadas, que só atende às necessidades políticas do aparelhamento dos cargos públicos.

Essa é uma realidade fácil de ser constatada, sem precisar até rever as estatísticas macabras dos acidentes, cada vez em maior número e com ocorrências sempre mais dramáticas.

Na verdade, apenas deter-se naquilo que alguns batizam de “campanha educativa” oficial já é o bastante para se notar como este segmento onde tantas vidas são arrasadas é levado meio que na gozação pelos “dirigentes” (??) dos órgãos responsáveis pelo trânsito urbano.

Como acreditar que um dirigente público capaz de pagar por uma publicidade com o slogan óbvio e ululante como “No trânsito, dou preferência à vida!” possa realmente estar preocupado em tratar com seriedade os problemas que afetam a segurança no trânsito urbano? Ou será que tal dirigente (que paga essas burrices com o dinheiro público) acredita mesmo que “no trânsito” (ou até fora dele) alguém possa dar “preferência à morte”?

Se para quem está sentado em gabinetes refrigerados da Secretaria Municipal do Trânsito e também do Detran, a falta de preparo não influi no recebimento do gordo salário do final do mês, reservado sempre para quem tem o melhor “QI” (Quem Indica) e faz parte do aparelho partidário ou das alianças políticas, o mesmo não se pode dizer para quem está verdadeiramente no trânsito (como motorista e usuário) sem o devido preparo. Nas ruas, o despreparado representa um perigo para todos, um prejuizo cada vez maior para a sociedade.

PROBLEMA DO BRASIL

No Brasil, para cada morte no trânsito, 11 pessoas são internadas, das quais 49% atropelados, 25% de acidentados com motos. Para cada morte, ocorrem quase mil colisões, o que evidencia um comportamento de risco por parte do motorista, que está mal preparado para conduzir ou transportar. Estes são dados oficiais.

Ainda segundo dados oficiais do Ministério das Cidades, em 1997, quando havia 12 milhões de pessoas habilitadas ao uso de veículos a menos no Brasil, 55 mil pessoas eram mortas por ano em função de acidentes no trânsito. Esse número baixou para cerca de 40 mil óbitos/ano. O custo com as mortes e os feridos no trânsito no Brasil alcança em torno de R$ 10 bilhões por ano.

Marcos Musafir, ortopedista ligado ao Ministério das Cidades e consultor da OMS (Organização Munidial da Saúde) para traumas em geral, com destaque para os traumas em músculos e no esqueleto, que abrangem braço, perna e coluna, explica que apesar da redução da mortalidade, é preciso melhorar os hospitais, para dar um atendimento melhor à população, e aumentar a fiscalização.

SITUAÇÃO EM PORTO VELHO

Se no Brasil o cenário é desolador quando o assunto é trânsito, em Porto Velho a situação fica cada vez mais tétrica. Até parece que a maioria dos condutores de veículos automotores da capital rondoniense não aprenderam nada nas auto-escolas. A maioria esquece as regras básicas do trânsito seguro, deixando de respeitar as leis do trânsito e expondo a si e aos outros a riscos que não exisitiriam se houvesse respeito à sinalização, ao uso da velocidade, às ultrapassagens, ao consumo de bebidas e drogas.

Ainda estamos longe de fechar o ano mas estatísticas do setor apontam para um volume de acidentes em 2009 superior aos 5.106 acidentes registrados em 2008 pela Companhia Independente de Policiamento do Trânsito, somente na capital, Porto Velho.

Vivendo um novo “boom” econômico, a capital rondoniense registra um crescimento superior a 20% na sua frota de veiculos licencidados anualmente. Esse crescimento da frota reflete no crescimento de acidentes. Porto Velho é a maior cidade do Estado de Rondônia, com uma população estimada de 371.791 habitantes e com área da unidade territorial de 34.082 (Km) segundo a contagem do IBGE realizada em Abril/2007, 95% desta população concentra-se na área urbana do Município.

Com uma frota de aproximadamente 140 mil e, portanto, um índice de pelo menos um veículo para três habitantes, a cidade tem um índice altíssimo de veículo por habitante, superior a capitais como São Paulo, não há mais como esperar medidas para melhorar a infraestrutura viária da cidade, para evitar que o trânsito deixe de ser um itém da degradação social que mantém a cidade de Porto Velho com um dos piores índices de qualidade de vida do país.

De acordo com boas fontes policiais, é raro um dia em que não se registra de 10 a 15 acidentes no trânsito da Capital. O número de acidentes com motocicletas é o maior de todos os acidentes já registrados na cidade, 322 acidentes de motos foram registrados, isso só em dezembro do ano passado. Este ano o número de vítimas fatais deverá superar 112, de acordo com previsões feitas com base nos registros policiais.

De acordo com estes registros, o tipo de acidente de trânsito com maior incidência na capital rondoniense é o de colisão/abalroamento, o que retrata, de acordo com especialistas, o auto grau de imperícia, negligência e imprudência dos nossos condutores.

O PEDIDO DO VEREADOR

Esses dados alarmantes dos acidentes no trânsito de Porto Velho sensibilizaram o vereador Marcelo Reis, do PV, atual líder do prefeito na Câmara Municipal.

Ele teve a iniciativa de apresentar um projeto de lei obrigando o Executivo a implantar na área urbana de Porto Velho vias expressas (motovias) exclusiva para motocicletas. A iniciativa do vereador é louvável, mas se considerarmos que o atual prefeito (praticamente terminando o primeiro ano do segundo mandato) não implantou um quilômetro sequer de ciclovias, dificilmente irá atender o desejo do vereador do Partido Verde, implantando “motovias”, algo um pouco mais complexo do que os corredores para ciclistas.

E assim, mesmo com o esforço de Marcelo, os acidentes de trânsito continuarão sendo uma das principais causas de óbito em Porto Velho, representando um grave problema de saúde pública, não só pelas perdas de vida e pelas seqüelas resultantes, mas também, pelos seus custos diretos e indiretos, que causam um importante ônus para a sociedade.

Certamente o vereador sabe da deficiência existente no planejamento do tráfego da capital. É o empirismo que determina as ações da Semtran, até porque a Secretaria sofre com a falta de profissionais qualificados para gerenciar o trânsito, a partir da própria titular da pasta.

O assunto trânsito é tratado com tanta negligência que a tal Semtran não consegue sequer sinalizar faixas de pedestres, lombadas e cruzamentos com tinta reflexiva.

Ora, se a tal Semtran não faz nenhum trabalho educativo de alcance real junto a pedestes, ciclistas e motociclistas, que representam a parcela mais importante das vítimas do trânsito, como acreditar que essa Secretaria iria cumprir, enquanto o prefeito for Roberto Sobrinho, uma lei exigindo a implantação de motovias?




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