Anuncie:  

Debate do Mês

Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



Colunistas
Receba as matérias do site em seu e-mail

Cadastrar
Cancelar Cadastro

 

Porto Velho,  sex,   18/setembro/2020     
artigos

Enquanto o Senado é o assunto, deputados aprontam na surdina

13/8/2009 16:48:51
Augusto Nunes (*)
Comente     versão para impressão     mandar para um amigo    



Sobre essa pilantragem nenhum deputado federal rondoniense falou nada. Como os demais, ficaram de bico calado, enquanto o povo vai mais uma vez pagar a conta. 


 

A concentração de holofotes nos espantos do Senado liberou a Câmara para agir sem sobressaltos. Enquanto os cangaceiros do presidente Lula comandavam a base alugada na ofensiva destinada a manter José Sarney na gerência do bordel, os deputados deram mais um passo para ampliar a gastança financiada involuntariamente pelos contribuintes. A gazua da vez é o projeto que oficializa a adesão ao Parlamento do Mercosul, vulgo Parlasur, formado por representantes do Brasil, da Argentina, do Uruguai, do Paraguai e dos Estados Associados. Esse deve ser o codinome de Hugo Chávez.

Em 2010, serão eleitos os 37 integrantes da bancada brazuca, pinçados numa lista pré-fabricada pelos partidos políticos. Cada um poderá indicar 55 candidatos. A turma ainda não montou todas as peças do mamute burocrático alojado em Montevidéu. Hoje, existem 25 funcionários provisórios e 18 representantes. A multidão está a caminho.

Decidiu-se que haverá, além da Presidência, 3 secretarias, 7 departamentos, 3 diretorias e 8 seções. Isso para começar. Como se sabe, todos os países têm doutorado em multiplicação de cabides de emprego. Relator do projeto, o deputado Dr. Rosinha, do PT do Paraná, estendeu aos deputados do Parlasur os mesmos adjutórios que contemplam seus congêneres de Brasília: R$ 3.000 de auxílio-moradia, R$ 60 mil para contratação de funcionários e aquela cota única para despesas jamais comprovadas e passagens aéreas (que varia de acordo com os Estados de origem). Fora os vencimentos de R$ 16.500 — e o que a imaginação sempre fértil vai infiltrar na calada da noite.

Nos cálculos da Folha de S. Paulo, a equipe brasileira vai gastar, no mínimo, R$ 4,5 milhões por mês. Caso o time mantenha o modo de jogar, multiplique-se a quantia por 10. O preço das passagens, por exemplo, terá de levar em conta o valor da viagem entre cada Estado e Montevidéu. A farra aérea do Congresso já mostrou o que essa gente é capaz de fazer com um bilhete gratuito no bolso.

"Isso é a busca de uma boquinha para ganhar um salário em dólar em Montevidéu”, avisa o deputado Arnaldo Madeira, do PSDB paulista. "O Mercosul está em crise total, não tem cabimento votar uma coisa dessas”. Ele também critica "a divisão irresponsável das cadeiras” no Parlamento. Madeira acha inadmissível que o Paraguai e o Uruguai tenham direito a 36 vagas. Somados, os dois países equivalem à metade do Estado de São Paulo.

Os primeiros lances permitem adivinhar o que vem por aí. Os patrocinadores da ideia argumentam que, se a União Européia tem seu parlamento, o Mercosul merece também. O que merece quem defende tamanha inutilidade é o imediato enquadramento por formação de quadrilha ou bando.

 (*) Augusto Nunes é jornalista e colunista da Veja.com. Dirigiu as revistas Veja, Época e Forbes e os jornais O Estado de São Paulo, Jornal do Brasil e Zero Hora. Já ganhou quatro vezes o Prêmio Esso de Jornalismo. Internet: veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes




Nenhum comentário sobre esta matéria

Mais Notícias
Publicidade: