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Porto Velho,  sex,   18/setembro/2020     
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A propaganda grunhida não vende nada e fere o código de posturas

27/5/2009 20:35:47
 
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Numa cidade onde a legislação sobre poluição, sonora ou visual, não é respeitada por ninguém, a propaganda de rua segue o estilo música torta depondo contra os anseios de uma cidade que deseja ser culta. 


 

Dezenas de donos de lojas ou de prestadoras de serviço são responsáveis por manter funcionando na capital rondoniense várias ferramentas de poluição sonora características de cidades atrasadas, onde a legislação que coíbe esse tipo de anomalia não são observadas.

Capital de um Estado de grandes perspectivas, Porto Velho ainda se permite a existência da chamada “rádio-poste”, onde locutores ficam berrando o tempo todo nos ouvidos dos transeuntes a propaganda de rua, nos intervalos de uma programação com a música torta de estilo “baticundum” ou com as letras chulas não raras das músicas feitas para o consumo das massas.
Mas essa prática comum aos lugares atrasados é ampliada em Porto Velho através de carros de som (do tipo trio-elétrico), em volume ensurdecedor, causando mais irritação nos ouvintes do que um estímulo às compras. 

Essas propagandas, aliás, quase sempre infringem o código de posturas do município e invadem áreas onde a “lei do silêncio” deveria imperar, desrespeitando os horários pré-estabelecidos para essa modalidade de anúncio.
Nosso comerciante, que sustenta essa coisa estapafúrdia e surrealista ainda não evoluiu o bastante para compreender as mumunhas do mercado consumidor.

SIGNIFICA NADA

Fazer barulho com propagandas – gravadas em tom bem mais elevado do que o normal – nunca foi sinônimo de melhoria nas vendas desse ou daquele estabelecimento comercial. Temos ruídos no lugar de comunicação, ou, conforme nos ensina o escritor William Faulkner, “palavras cheias de som e fúria significando nada”.

É claro que a prefeitura, através de seus setores competentes, deveria combater esse atraso, essa poluição sonora. Acontece que essa administração não demonstra preocupação alguma em fazer com que as leis sejam respeitadas na cidade, especialmente com relação ao comércio.

Então, a esperança volta-se para a aculturação dos nossos comerciantes. Seria bom se as entidades representativas desse segmento desenvolvesse programas de treinamento para melhorar o nível desses comerciantes que acabam financiando essa anti-propaganda que converte em poluição sonora.

Se considerarmos a esfera comercial propriamente dita, as propagandas menos barulhentas, talvez em estilo “slow motion”, e uma cortesia maior no atendimento a clientes – a começar por um sonoro e sorridente “Bom dia”! dito com bom ânimo–, com certeza se traduzirão em maior volume de vendas no final do expediente. Alguém quer apostar?

Qualquer pessoa com um pouco de visão sabe – sem precisar ser um orientador de estratégias empresariais – que comprar é antes de mais nada um grande prazer e quem consegue permanecer num recinto comercial com ruídos de ensandecer? Um ambiente silencioso, ao contrário do que alguns possam pensar, é um estímulo para boas compras.

Hoje a gente não escapa dessa propaganda idiota e barulhenta nem dentro de supermercados. Até nestes lugares os empresários de visão menor usam “locutores” internos que ficam berrando ofertas o tempo inteiro nos ouvidos dos consumidores, como se esses gritos primais fossem a melhor garantia de os clientes comprarem mais.

SOM DO SILÊNCIO

Precisamos aprender a ouvir o som do silêncio. Os ruídos abafam os sons naturais, presentes em todos os cantos da Terra, do romper da aurora ao cair da tarde.

Dizem que não existe silêncio absoluto, com exceção da morte. Pode ser. Mas as emoções humanas necessitam de quietude para se reorientar, missão impossível na atual algaravia de palavras ocas, promessas vãs, berros dos vendilhões nos templos, gritos por socorro dos desafortunados, ranger de dentes de pais que perdem filhos atingidos por balas perdidas – disparadas por bandidos barulhentos ante o silêncio sepulcral de autoridades omissas – este o único silêncio que não queremos: o silêncio da covardia.




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