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Porto Velho,  s√°b,   16/novembro/2019     
política

Com auto-estima baixa, Porto Velho precisa de solu√ß√Ķes

26/7/2008 11:13:46
 
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A capital rondoniense carece de mudan√ßas amplas, profundas, duradouras e qualificadas. A cidade ainda n√£o teve um prefeito que encontrasse o caminho entre a t√©cnica e a pol√≠tica. 


 Como elevar a auto-estima de moradores de uma capital como Porto Velho, quando se sabe que a maioria da popula√ß√£o ainda n√£o conquistou sequer o direito de morar em ruas com placas de identifica√ß√£o, para ter pelo menos um endere√ßo correto?

Parece ser fundamental a eleição de um prefeito que admita de vez, no exercício do cargo, que o homem, como afirmava o filósofo grego Protágoras, é a medida de todas as coisas.

A capital rondoniense ao longo de sua história tem sido refém de prefeitos acostumados às práticas populistas, que fingem fazer a vontade do povo, por ver o povo como um rebanho de gado perto de estourar e não como um conjunto de pessoas, com as quais se deve debater.

O resultado dessa visão deplorável é o de vivermos numa cidade que se aproxima de seu primeiro centenário convivendo com problemas que deveriam ter sido resolvidos no século passado. A situação fica pior quando constatamos que estes e outros problemas urbanos se ampliam de forma inexorável.

Porto Velho é uma cidade mal tratada pelos seus dirigentes.

Embora seja a dona do maior or√ßamento do estado, por falta de planejamento e por n√£o colocar o ser humano como centro e objetivo das decis√Ķes pol√≠ticas e administrativas, a capital perde em termos de qualidade de vida at√© para cidades interioranas, como Cacoal e Vilhena, s√≥ para ficar em dois exemplos.

Livre da migração intensa dos anos 70 e 80, quando levas de brasileiros de todos os estados aqui aportaram em busca do novo Eldorado, Porto Velho não parou de crescer desordenamente, num processo de deterioração de sua própria identidade.

Administrada por gente sem compromisso com a cidade, grande parte da população (senão toda) ainda está longe de poder usufruir de uma vida digna e decente, o que só será possível quando aqui tivermos tudo que qualquer outra cidade de porte semelhante à nossa tem.

Agora, como estamos vivendo um novo processo eleitoral, Porto Velho tem uma nova chance de entrar numa fase de desenvolvimento planejado, se escolher para a prefeitura algu√©m capaz de reciclar a administra√ß√£o municipal e para a C√Ęmara, vereadores verdadeiramente interessados em debater os temas urbanos que, de fato, interessam √†s milhares de pessoas de nossa capital.

Porto Velho tem problemas estruturais muito antigos, mas tem potencialidades. O problema é que as mudanças feitas até agora são de superfície, passageiras, interesseiras e sem profundidade.

A popula√ß√£o continua sendo vista apenas como objeto da pol√≠tica e n√£o como protagonistas das decis√Ķes tomadas em seu nome.

Ai estamos, portanto, numa cidade descuidada do centro √† periferia, com ruas sujas, esburacadas, escuras, cheias de terrenos baldios, sem beleza urbana, sem cal√ßadas e sem equipamentos m√≠nimos para a mobilidade do cidad√£o. Tudo isso ‚Äď e muito mais ‚Äď faz de Porto Velho uma cidade sem brilho, sem beleza, incapaz de surpreender positivamente seus visitantes e de aumentar o orgulho de sua popula√ß√£o.

Os √ļltimos prefeitos da capital rondoniense praticamente se igualaram na paix√£o pelo asfalto. Essa tem sido a cantilena principal dos discursos eleitorais. √Č a rendi√ß√£o eleitoral.

Carlinhos Camur√ßa, o primeiro prefeito reeleito de Porto Velho, deu grande √™nfase ao chamado ‚Äúasfalto casca de ovo‚ÄĚ buscando responder ao imediatismo dos eleitores. Do asfalto que colocou nas ruas a maioria virou poeira. A sua pr√°tica serviu para cr√≠ticas pesadas do atual prefeito, quando candidato. Mas o m√©todo condenado n√£o deixou de ser utilizado pela administra√ß√£o do PT.

Na campanha passada, o atual prefeito afirmava que primeiro dotaria as ruas da infra-estrutura de saneamento b√°sico para depois asfaltar. Acabou sucumbindo ao pragmatismo assustador. Espalhou asfalto como uma das grandes prioridades de sua gest√£o e hoje, quando ela chega ao fim, j√° √© poss√≠vel encontrar estas obras prematuramente deterioradas, num desperd√≠cio de dinheiro p√ļblico semelhante ao que se viu em rela√ß√£o √†s gest√Ķes anteriores.

Educa√ß√£o, Sa√ļde e Saneamento, o trin√īmio realmente indispens√°vel para melhorar a qualidade de vida da popula√ß√£o continua com o mesmo anacronismo dos tempos passado.

Na maioria dos bairros de Porto Velho as crianças (aliás, toda a população) continuam bebendo água de cisternas contaminadas e defecando em privadas enxameadas de moscas, fontes geradoras de doenças que o asfalto eleitoreiro não irá inibir.

A principal fonte de doen√ßas ‚Äď a falta de saneamento b√°sico ‚Äď continua sendo o grande problema de Porto Velho. N√£o √© o pouqu√≠ssimo asfalto feito durante essa gest√£o que reduzir√° a dissemina√ß√£o dos mais diversos males, como mal√°ria, dengue, c√≥lera, equistossomose, entre tantas outras.

A falta de saneamento básico é motivo de vergonha principalmente para os moradores mais pobres de nossa capital.

Se chega uma visita, eles temem que ela se enoje até da água que oferecem e da falta de um banheiro decente. E não é um asfaltinho eleitoreiro que modificará esta situação humilhante.

Mas se estamos dando ênfase a esse tipo de imediatismo adotado pelos políticos que têm o Poder nas mãos é apenas para contestar a idéia que difundem de que o asfaltamento feito de qualquer maneira serve para garantir o aumento da qualidade de vida da população e sua auto-estima. O asfaltamento não se equipara a obras de saneamento básico para garantir qualidade de vida ao povo.

At√© hoje, lamentavelmente, a maioria dos prefeitos de Porto Velho n√£o se libertaram das pr√°ticas populistas. Assim como n√£o conseguiram esconder sua subservi√™ncia aos des√≠gnios das chamadas elites ou, pode-se dizer, da camada detentora do poder econ√īmico.

Um caso interessante desse olhar vesgo da administração se constatado, por exemplo, na questão do embelezamento urbano de Porto Velho.

Implanta-se jardim no canteiro central da Jorge Teixeira, enquanto pra√ßas p√ļblicas n√£o passam de um espa√ßo dominado pelo cimento, sem nenhum jardim, quase sem √°rvores, sem nenhum embelezamento da urbe e sem nenhum equipamento de conviv√™ncia comunit√°ria.

Portovelhenses que conhecem as pra√ßas de outras cidades, at√© mesmo de Rond√īnia, envergonham-se das pra√ßas de nossa capital. Perdemos feio para cidades como Ji-Paran√°, Cacoal e milhares de outras por este Brasil afora.

Na capital rondoniense outro fato que reduz a auto-estima de seu povo √© o transporte coletivo. √Č um problema antigo que o atual prefeito tamb√©m n√£o conseguiu enfrentar atendendo o justo anseio dos usu√°rios e o leg√≠timo interesse das empresas por lucro.

O usu√°rio do √īnibus n√£o √© levado em conta. Parece at√© um dogma: o servi√ßo continua como um dos piores e mais caros do Brasil. A crise do transporte coletivo est√° longe de ter uma solu√ß√£o. Na verdade este √© um setor que n√£o comporta solu√ß√Ķes f√°ceis, √† base de canetadas. E ningu√©m duvida que o transporte coletivo √© determinante no n√≠vel de auto-estima da popula√ß√£o e na sua qualidade de vida.

Medidas mirabolantes demonstram-se, na pr√°tica, inadequadas para resolver os problemas. At√© hoje o sistema de integra√ß√£o do transporte urbano de Porto Velho n√£o funciona a contento, gerando muitas reclama√ß√Ķes dos usu√°rios.

N√£o adianta estabelecer tempo de espera nos pontos de √īnibus, enquanto n√£o se resolver o drama do tr√Ęnsito ca√≥tico, especialmente nos hor√°rios de pico, e n√£o se resolver, tamb√©m, a quest√£o dos corredores do transporte coletivo e da buraqueira das ruas.

Medida de impacto, como a ado√ß√£o do ‚ÄúLeva eu‚ÄĚ, n√£o esconde a incapacidade do governo municipal de servir de verdadeiro intermedi√°rio entre os interesses dos empres√°rios do setor e os usu√°rios. Medidas populistas n√£o conseguem por um ponto final baixa qualidade da presta√ß√£o desse servi√ßo t√£o importante para melhorar a auto-estima de nossa popula√ß√£o.

O tr√Ęnsito √© um dos mais graves problemas de Porto Velho, com s√©rios reflexos em outros setores. Nem por isso os governantes mostram-se capazes de adotar solu√ß√Ķes duradouras para resolver os impasses. Nada se faz para melhorar a prote√ß√£o dos pedestres e a orienta√ß√£o dos motoristas.

Na verdade, n√£o se cumpre a lei no seu aspecto b√°sico. Nem mesmo as faixas de pedestres, na maioria de nossas vias, ou as lombadas (todas fora dos par√Ęmetros legais) colocadas aleatoriamente, sem estudos que as justifique, s√£o pintadas ou convenientemente sinalizadas.

O espaço não permite esmiuçar este tema. Todavia, os argumentos colocados aqui, demonstram a necessidade de alguém no comando da prefeitura capaz de assumir a tarefa política de administrar a mudança necessária para fazer da capital rondoniense uma cidade que orgulhe não só seus moradores, mas todo o Estado e inclusive o Brasil.


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