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Porto Velho,  qui,   6/agosto/2020     
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No fim da gestão de Roberto, a saúde continua um caos

26/7/2008 11:09:22
 
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No âmbito do município, dizem especialistas, a saúde não passa de um amontoado de unidades que não funcionam a contento. 


 O médico Amado Rahal, diretor geral do Hospital de Base, unidade do sistema de saúde pública do Estado, nunca esconde que parte do problema de atendimento nos hospitais do governo localizados em Porto Velho, são conseqüência de um sistema arcaico de gestão da saúde de responsabilidade dos municípios. “Os postos de saúde funcionam mal. Cerca de 70% dos problemas que chegam aos hospitais poderiam ser solucionados ambulatorialmente. Com isso, os serviços mais sofisticados ficam prejudicados pela grande demanda desnecessária”, disse ele numa de suas ultimas entrevistas a Imprensa Popular.

Mas não é apenas a falência do serviço de atendimento ambulatorial de responsabilidade dos prefeitos que complica a situação. A isso junta-se a falta de saneamento e educação ambiental como responsáveis pela explosão da dengue neste ano e ainda pelo crescimento dos casos de diarréia, tuberculose, malária e outras doenças.

PRIORIDADE ESQUECIDA

Para se eleger a primeira vez, Roberto Sobrinho incluiu a saúde entre as suas prioridades. Faltam poucos meses para terminar o mandato do prefeito Roberto Sobrinho e o sistema de saúde municipal continua com os mesmos antigos problemas de infra-estrutura, sem apresentar melhora significativa no atendimento à população. A realidade do sistema dá a entender que o prefeito esqueceu do compromisso assumido nos palanques e nos debates que travou com seus concorrentes.

Neste seu mandato o prefeito teve vários secretários de saúde – apenas um com o título de médico – e praticamente nenhum conseguiu administrar bem, debelando as crises desse setor fundamental à melhoria da qualidade de vida dos munícipes.

As reformas realizadas em policlínicas e postos de saúde deixou alguns prédios bonitos por fora mas praticamente com os mesmos problemas internos que impede o atendimento digno a que todos os cidadãos têm direito.

FOI CHIQUILITO QUE FEZ

O prefeito não conseguiu construir nenhuma grande obra. A maior unidade de saúde municipal é a maternidade, construída em grande parte pelo saudoso prefeito Chiquilito Erse e acabada na gestão Carlinhos Camurça; equipada graças a dinheiro do Estado e da União. Aliás, a primeira grande medida do prefeito para a maternidade foi a nomeação de uma diretora, quando a tal maternidade não funcionava.

Obras desse governo que chega ao fim, apenas reformas e a construção dos postos de saúde do bairro Socialista e Aponiã.

Para quem esperava a construção de um grande hospital municipal – para ser um pronto socorro e unidade de tratamento de emergência – só resta frustração. Não fosse as unidades de atendimento do governo estadual, que deveria cuidar especialmente da medicina de alta-complexidade, grande parte da população de Porto Velho poderia pagar com a vida por tanto descaso.

KRUGER ATÉ COBROU

O vereador Kruger Darwich, um dos poucos com coragem e independência para apontar as falhas da administração, disse que "não sabe quantas cobranças" fez ao Executivo com referência ao péssimo atendimento dispensado à população nos postos de saúde, "onde falta praticamente tudo, a começar por médicos na quantidade necessária e até remédios". A maioria das cobranças não serviu para sensibilizar os secretários municipais de saúde "desse governo" e nem mesmo o próprio prefeito, "pois a situação no momento não mudou praticamente nada", desabafou Kruger.

A situação lastimável do sistema de saúde municipal também motivou vários alertas e muitas críticas do vereador Mário Jorge, do PDT, hoje buscando a reeleição aliado a Roberto Sobrinho, especialmente na total irresponsabilidade de combate às endemias, como a dengue. Os contundentes discursos do professor Mário Jorge acabaram contribuindo para a queda de um dos últimos secretários da Semed, agora também candidato a vereador. Nada disso sensibilizou a prefeitura.

O ESTADO É ALTERNATIVA

O vereador Kruger Darwich afirma que boa parte da população de Porto Velho continua desassistida pelo sistema de saúde municipal. E a prova disse, diz o vereador, "são os registros do grande número de pacientes da capital que se socorrem nas unidade do governo estadual, como a Policlínica, o Hospital de Base, o João Paulo II e até o Cemetron".

A pessoas vão diretamente para as unidades do Estado porque "não confiam no sistema municipal, onde falta praticamente tudo".

"Tem gente que corre para o hospital João Paulo II com feridas abertas enfrentando as dificuldades de um hospital superlotado porque este tratamento, que deveria ser realizado nas unidades do município, acaba não acontecendo", destacou o vereador.

Nas novas unidades (Socialista e Aponiã) as críticas da falta de médicos e as dificuldades para atendimento são constantes. Boa parte das pessoas que se amontoam nesses postos acabam não conseguindo ser consultados no mesmo dia e precisa, de acordo com alguns depoimentos, tentar até três vezes para conseguir falar com um médico.

PODE FECHAR

Depois que virou prefeito, Roberto Sobrinho modificou a visão cultivada sobre a importância da liberdade de imprensa nos tempos em que era especializado na agitação sindical, liderando movimentos paredistas e criticando de forma contumaz os governantes da época.

Mas o cenário mostrado aqui sobre a saúde nada tem a ver com a questão eleitoral. Tanto assim que essa situação foi corroborada pelo próprio Cremero, o Conselho que fiscaliza as atividades médicas no Estado, a ponto da entidade ter alertado a população para a medida extrema de fechamento das policlínicas e postos de saúdes do município.

“Não restará outra alternativa a não ser determinar aos médicos a suspensão do atendimento e a interdição ética das unidades (paralisação dos trabalhos médicos sem ônus para o profissional), embora o órgão continue mantendo contatos com o Ministério Público tentando buscar uma solução para o problema, já que depois de todas as fiscalizações realizadas durante o ano passado e este ano foram encaminhados relatórios aos gestores da saúde e mesmo assim nada foi feito”, disse a presidente do Conselho, em nota à imprensa, Inês Motta de Moraes.

E foi ela mesma que acrescentou: “Ora, desesperada por um atendimento com o mínimo de dignidade, a população já não agüenta mais tanto descaso e quem está pagando por isso são os trabalhadores, que, no entendimento da comunidade, são os responsáveis pelo caos”.


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