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Porto Velho,  qua,   23/setembro/2020     
reportagem

Guajará: a cidade que parou no tempo

26/7/2008 11:06:37
Por Aldrin Willy
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Vítima de sucessivas administrações incompetentes, Guajará-Mirim é hoje uma cidade vegetativa, onde tudo está parado, nada avança e as pessoas se vão. 



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A cena lembra a de um certo filme de faroeste. Ruas desertas, casas abandonadas e um silêncio sepulcral, em que, com algum esforço, até o bater de asas dos insetos pode ser ouvido.

Embora lembre lugares desérticos, abandonados devido à sua esterilidade, a cena se ambienta em meio a densa mata tropical, irrigada por rios caudalosos e na encruzilhada entre dois países. Trata-se de Guajará-Mirim, cidade que já recebeu a alcunha de "A Pérola do Mamoré".

O atual estado econômico da cidade em nada lembra à realidade de uma década atrás. Há pelo menos dez anos, Guajará-Mirim vem passando por crises de crescimento econômico e social vegetativos.

Os dados demográficos da cidade refletem bem esse quadro de estagnação. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), entre 2001 e 2007, houve aumento de apenas 3,69% do número de habitantes no município, chegando hoje a 39.451.

No mesmo período, em Porto Velho, a variação registrada foi de 11,09%, saltando de 334.661 habitantes, em 2001, para 371.791, no ano passado. Isso significa dizer que o movimento migratório foi mais intenso no sentido de Guajará para outras cidades e regiões.

Como entender a quase morte econômica de uma cidade de fronteira (Brasil e Bolívia), beneficiada como área de isenção fiscal e com belezas naturais que lhe dão enorme potencial turístico?

Certamente não será fácil deslindar os porquês dessa história, mas é patente que, conforme assevera o povo guajara-mirense, boa parcela da culpa por toda essa situação repousa nos ombros de anos de administrações desastrosas que pela cidade passaram.

Os dois mais recentes gestores do município servem bem para ilustrar tal constatação. O primeiro, Cláudio Pilon, tornou-se célebre por uma medida, no mínimo, estranha: decretou que a cidade era comandada por Jesus Cristo — uma de suas poucas medidas que chegaram a ganhar alguma notoriedade.

Dedé de Melo, que sucedeu Pilon, ganhou as páginas dos jornais logo em sua chegada. Dedé perdeu nas urnas para o antecessor, mas acabou levando a prefeitura graças a uma decisão da Justiça Eleitoral, que cassou Pilon por abuso de poder político e econômico. À frente do município ainda hoje, o atual prefeito é alvo de críticas pela inépcia com que conduz a cidade e responde, na Justiça, a dois processos: uma ação civil pública e uma ação popular.


ABANDONO INTELECTUAL


Um dos traços mais marcantes da lástima que vive Guajará-Mirim é certamente o estado de total abandono em que se encontra a biblioteca municipal (foto). Um verdadeiro crime contra a educação é o que se observa ao deparar com seu prédio.

A arquitetura da biblioteca, batizada com o nome do ministro da educação durante a ditadura, Jarbas Passarinho, pela forma piramidal, pode sugerir um ar de inteligência e modernidade. Entretanto, ao se aproximar, é possível ver que se trata, na verdade, da mais grave barbárie contra a cultura.

Com o teto desmoronado, vidros e portas destruídas, o acervo da biblioteca, em vez das habituais estantes, está esparramado pelo chão, completamente destroçado. São livros, revistas, jornais, folhetos e afins sujos, rasgados, consumidos por toda sorte de imundície. Servem hoje de esconderijo para ratos, baratas e outros insetos.

A própria biblioteca é ela mesma refúgio de marginais. No lugar onde deveria haver pessoas, especialmente jovens e crianças, exercitando a mente e adquirindo conhecimento, existe um verdadeiro reduto para viciados fazerem uso da droga que lhes roubará a vida.


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