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Porto Velho,  sáb,   16/novembro/2019     
política

A lamentável apatia política de nossos eleitores

26/7/2008 10:53:42
 
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A campanha começa a ganhar as ruas. A propaganda só terá início na metade de agosto. Até lá, a apatia dos cidadãos deverá permanecer. 


 Em princípio, as eleições deveriam servir para despertar o interesse dos cidadãos para as causas do bem comum. De tal modo que todos pudessem expressar sua vontade política através dos mecanismos de formação de opinião. E, assim, que o resultado das eleições se tornasse a garantia de que esta vontade dos cidadãos seria colocada em prática pelos candidatos eleitos.

No momento atual, uma constatação preocupa. Parece se alastrar uma apatia política. E cresce o descrédito nos políticos.

As razões são diversas. Mas todas convergem para nos alertar sobre o perigo do descrédito do próprio sistema político, pelas constantes frustrações dos cidadãos. Eles estão ficando saturados do distanciamento crescente entre o efetivo exercício do poder e a vontade dos eleitores que o constituiu este poder.

É urgente reverter esta expectativa. É preciso aproximar novamente o poder político de sua fonte, que é o povo.

Com as restrições impostas aos candidatos pela Justiça Eleitoral em nome de conter os abusos do poder econômico e político, essa campanha mais uma vez dificilmente cumprirá o papel didático em favor da politização popular.

Todas as pessoas de bem, certamente repudiam os vícios do passado e as práticas de aliciamento eleitoral baseada na compra de consciência e na desavergonhada manipulação da realidade praticada pelo marketing milionário, tão comum no passado, que certamente só ajuda os pilotos das campanhas milionárias.

Vivemos uma democracia surrealista, onde o estado, pelas suas instituições, demonstra cada vez o desejo e a capacidade de tutelar os cidadãos, impedindo à grande massa assistir o confronto claro das idéias – expressado de forma espontânea – dos concorrentes aos cargos eletivos, criando restrições aos órgãos de comunicação na cobertura eleitoral.

Com a proibição de entrevista, de crítica e de opinião no rádio e na TV sobre aqueles que pretendem ser representantes do povo no Executivo e no Legislativo, fica muito difícil para o cidadão formar uma opinião crítica sobre estes pretendentes.

Na política brasileira os partidos são frágeis e estão muito longe de aglutinar a vontade política dos eleitores, apresentando candidatos com propostas de organização da sociedade em vista do bem comum. Sem poder conhecer o que pensam estes candidatos, formando uma massa crítica sobre os mesmos, o resultado das urnas ainda não produzirá os melhores frutos, dentro da maior racionalidade.

O Brasil carece de um receituário de campanha eleitoral capaz de por fim a apatia existente, sacudindo a cidadania para um debate sem limites ou sem tutela. Só o debate livre permitirá que o resultado das urnas contribua para a recuperação da credibilidade do sistema, tornando-se instrumento de participação das camadas mais amplas da sociedade.

À falta de exposição, através de todas as mídias, do pensamento dos candidatos, seus perfis como cidadãos, submeterá, certamente, grande parte dos eleitores aos interesses desvirtuados do poder econômico, pois este sim, contará com o melhor aparato para fazer valer a falácia formalizada desse processo que, a nosso ver, está completamente homogeneizado.

Na recente reunião de membros da Justiça Eleitoral com representantes da imprensa de Porto Velho, jornalistas ouviram com preocupação observações e sugestões de como deveriam se comportar até mesmo os veículos impressos durante esse período.

Numa dessas sugestões destinadas a editores dos veículos, falou-se que os jornais deveriam evitar focar em suas matérias, por exemplo, a buraqueira das ruas cidade, pois, dizia a autora da sugestão, esta é uma realidade que todos conhecem e que, portanto, o mais importante seria publicar alternativas de solução.

Alguém, ligado à imprensa televisiva, perguntou sobre a possibilidade da divulgação da agenda dos candidatos e a resposta foi de que nem isso a televisão ou o rádio poderá noticiar.

A política não estará vedada só na TV e no Rádio. Os jornalistas ouviram claramente na mesma reunião até nas Igrejas o tema das campanhas não será tolerado. “Um candidato pode ir numa igreja, mas não pode, em seu interior, falar de suas propostas ou dos pontos de vista que defende. Os pastores não poderão demonstrar apoio a qualquer candidato”, foi o que ficou explicitado no encontro da Justiça Eleitoral com os integrantes da imprensa da capital.

Ora, ao contrário do rádio e da televisão, a mídia impressa não é uma concessão pública.

Jornais e revistas são editados por empresas que se regem pela Lei de Imprensa e têm assegurado pela Constituição o direito de difundir não apenas notícias como idéias.

Um jornal, portanto, não está impedido legalmente de, inclusive, se desejar, manifestar apoio a qualquer candidatura. A Constituição do país garante que nenhuma lei poderá conter dispositivo capaz de criar embaraço à plena liberdade de informação jornalística e proíbe qualquer modalidade de censura

Jornais têm a obrigação de informar. Se o jornalista sabe de algum fato comprometedor desse ou daquele postulante a um cargo eletivo, tem o dever de publicar, de cumprir sua missão com o leitor. Sonegar informação sobre os atores da política é contribuir para a vitória de políticos interesseiros, que buscam no cargo público apenas a defesa de seus interesses pessoais.

Somente um povo informado está apto a prover escolhas conscientes e, a influir de forma positiva e construtiva na decisão política. Só havendo liberdade poderá a imprensa desempenhar sua missão.

Se essa visão hoje adotada para as campanhas eleitorais continuar por muito mais tempo, o desinteresse da população será cada vez maior podendo, no futuro, colocar em risco até a verdadeira essência da democracia.


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