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Porto Velho,  sáb,   7/dezembro/2019     
reportagem

Ipea defende sistema único de oferta de emprego

17/6/2008 09:13:36
 
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Enquanto Sudeste e Nordeste concentram gente qualificada e sem emprego, sobram vagas no Centro-Oeste. Falta de informação e apoio dificultam a solução deste dilema. 


 A falta de mão de obra qualificada não é um limite ao crescimento econômico, mas apenas um desafio típico de uma economia que atravessou décadas de estagnação, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). "Esse é um bom problema para o Brasil, especialmente porque o País passou muito tempo exportando cérebros", diz Marcio Pochmann, presidente do Ipea, que coordenou neste trabalho os pesquisadores André Campos e Ricardo Amorim.

Segundo Pochmann, a grande maioria da mão-de-obra brasileira tem capacidade para atender à demanda atual, tanto em termos de qualidade da formação como em quantidade de pessoas desempregadas. O ano de 2007 terminou com um saldo de cerca de 84 mil profissionais qualificados e com experiência profissional ainda sem emprego. A falta de empregados qualificados se concentram em alguns setores, como a extração de recursos minerais, mas, principalmente, porque o emprego está sendo gerado em outra região do País.

"É preciso, porém, que a iniciativa privada invista mais em qualificação, como acontece em outros países. O empresariado não pode esperar que o sistema de ensino ofereça profissionais que atendam a interesses específicos de cada empresa", diz. Para Pochmann, são poucos os setores nos quais as empresas percebem a necessidade de fazer uma educação continuada, treinando os empregados com regularidade.

Segundo ele, 80% dos cerca de oito milhões de desempregados brasileiros não têm experiência profissional e chegaram à maturidade sem conhecer o comportamento de um ambiente de trabalho. Para Pochmann, isso é um problema a ser resolvido mesmo dentro do local de trabalho. "O ProJovem é uma boa iniciativa para tratar deste problema, mas é preciso muita articulação com o setor produtivo", diz.

SISTEMA ÚNICO
Ao mesmo tempo, os empresários também perderam a prática de contratar e selecionar com eficiência, porque reduziram os departamentos pessoais. A prática comum é manter a estratégia do período de estagnação, quando se oferecia pouco salário e se exigia muita escolaridade e formação. Agora, a situação do mercado mudou e é preciso ser feita uma readequação. Pochmann defende a criação de um sistema único nacional de atendimento ao desempregado, para que seja feita uma pré-seleção dos candidatos e a orientação ao empregador, especialmente a pequena e média empresa. "O dono de um açougue quer um balconista que fale inglês e receba um salário mínimo. Se continuar com essa idéia, a vaga ficará em aberto para sempre", exemplifica.

Para ele, a necessidade de que o sistema seja único e nacional, é facilitar o cruzamento de dados e excluir a duplicidade de informações. Enquanto forem muitos serviços, o desempregado fará sua ficha em todos e o empregador colocará vagas também em todos. Além de produzir números que dão um tamanho irreal ao problema, a multiplicidade de serviços dificulta o atendimento. Segundo ele, o ideal seria ter a informação das vagas em todas as cidades do País, com convênios em todas as prefeituras, governos locais e entidades de classe, todos trabalhando com uma só metodologia.

"A estratégia deveria ser unificar o serviço de apoio e oferecimento de cursos de qualificação em torno do atendimento ao seguro-desemprego", afirma. No mesmo balcão, o desempregado deveria poder fazer o pedido do seguro, descobrir se há vagas com seu perfil.

Por exemplo, se houver um sistema nacional, um técnico qualificado em São Paulo ficará sabendo de uma vaga com seu perfil numa cidade do Ceará, onde ele pode ter família ou ter algum outro atrativo. Um sistema único oferece os meios de planejar a migração. Segundo o estudo do Ipea, no Norte, Sul e Centro-Oeste, faltam trabalhadores qualificados e com experiência profissional. Já nas regiões Sudeste e Nordeste, que são as mais populosas, sobram trabalhadores preparados para ocupar empregos formais. Veja a tabela abaixo.

SETORES
"O Brasil ainda procura atender às demandas do passado. Precisamos aprender a planejar o futuro e decidir qual é a qualificação que será necessária", avalia Pochmann. O estudo demonstrou um descompasso entre os setores que mais geram vagas e a população de mão-de-obra qualificada para ocupá-las imediatamente. No setor da construção civil, por exemplo, a quantidade nacional de trabalhadores qualificados que deve sobrar diante das necessidades dos empregadores ultrapassa 76,1 mil pessoas, seguida pela do setor de agropecuária e extrativa vegetal e animal, com superávit estimado em quase 75,9 mil pessoas e, por fim, pela do setor de serviços com 55,3 mil pessoas excedentes.

Já na indústria de transformação e de extrativa mineral há uma carência estimada de mão-de-obra qualificada de quase 117 mil pessoas em 2007, o que equivale a 26,2% dos empregos anualmente criados neste setor. No comércio e reparação de produtos, o déficit de mão-de-obra qualificada e com experiência profissional encontra-se estimado em quase sete mil vagas em todo o País.

Apesar disso, outros 207,4 mil trabalhadores com qualificação e experiência profissional devam permanecer desempregados, uma vez que o País não deverá gerar emprego suficiente nos setores econômicos pelos quais se encontram aptos a ocupá-los imediatamente (construção civil, serviços de alojamento, administração pública, entre outros). O resultado final é o excedente nacional estimado em 84 mil trabalhadores com qualificação e experiência profissional em 2007.

Na desagregação das informações por subsetores de atividade econômica nacional, verifica-se que se o setor industrial concentra a maior demanda por trabalhadores com experiência e qualificação profissional. Em 2007, por exemplo, espera-se que a indústria química e petroquímica registre o déficit de 25 mil trabalhadores qualificados, seguida da indústria de produtos de transporte (24 mil) e da indústria de produtos mecânicos (21 mil).


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