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Porto Velho,  qua,   20/janeiro/2021     
política

Pré-candidatos de oposição enfrentam falta de dinheiro para campanha

6/6/2008 07:39:44
 
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Uma das maiores dificuldades dos chamados pré-candidatos a prefeito pela oposição é conseguir recursos compatíveis para se contrapor à campanha de reeleição do prefeito Roberto que, como dizem, não terá nenhum problema de caixa. 


 A campanha eleitoral desse ano será muito diferente da última campanha municipal. Desta vez, em função de uma lei municipal (de autoria do vereador Kruger Darwich e de José Hermínio) aprovada recentemente, os candidatos não poderão sequer pintar muros com sua propaganda eleitoral. Também não haverá (como na última eleição estadual) showmícios; distribuição de brindes, realização de churrascos, etc.

Nem por isso a campanha eleitoral vai ser barata. Quem é do ramo sabe: não se faz campanha eleitoral de porte sem dinheiro, muito dinheiro. O jogo eleitoral é movido pelo dinheiro.

Há, claro, as exceções. São aqueles candidatos de partidos nanicos, geralmente sem estrutura, os que fazem campanha com pouco dinheiro. São candidatos com mínimas chances de vitória.

POUCO DINHEIRO

Se o candidato é um daqueles fenômenos que raramente aparece na política, sua campanha será infinitamente mais barata do que a de um candidato iniciante, sem carisma popular ou desconhecido do grande público.

Na campanha que vai começar, os candidatos majoritários, por exemplo, terão de gastar muito dinheiro com o marketing, com uma assessoria competente, com um projeto de política profissional.

Certamente, aqueles que disputarão uma vaga no legislativo municipal sem a estrutura que tem hoje boa parte dos vereadores que buscam a reeleição, tentará o estilo antigo da política feita com a palavra, ou seja, o discurso afinado e pé no chão, andando de bairro em bairro. É um sistema que aproxima o político do eleitor mas, convenhamos, é uma tática pouco produtiva.

Todos os candidatos da oposição falam das dificuldades que terão para enfrentar “a disputa com o Roberto”, que terá a máquina da prefeitura na mão (já tem) e certamente “muito dinheiro doado” por empreiteiras e empresas de setores como o do transporte e do limpeza pública, “altamente beneficiadas com essas concessões públicas”.

MILHÕES

A campanha de prefeito de Porto Velho, na opinião de especialistas, deve ser orçada em torno dos quatro milhões de reais. Isso não é difícil de arrecadar, posto que o prefeito tem centenas de milhões para gastar nesse ano eleitoral.

Notoriamente empreiteira com obras em andamento costumam, como é praxe na política brasileira, ser pródigas em doações para quem está com a chave do cofre. O cofre municipal está – como tem dito diversas vezes o próprio prefeito – abarrotado de recursos para fazer a festa neste seu último ano de gestão.

Resta saber se o povo – certamente suscetível aos chamados canteiros de obra – vai esquecer os mais de três anos de uma administração que praticamente não fez nada e quase tudo o que fez não foi com recursos próprios, seduzido por essa súbita movimentação da prefeitura em obras bastante visíveis.

É claro que o prefeito Roberto Sobrinho será um páreo duríssimo (pois dinheiro não faltará). Afinal, seus concorrentes, pelo andar da carruagem, não terão os mimos milionários que o prefeito recebeu do Planalto.

ENCANTAMENTO

Sem um debate político embalado em sábios questionamentos, a oposição vai permitindo que o “encantamento” feito pelo prefeito através de um marketing massivo, vá durando ao longo dessa caminhada eleitoral. E com a pílula dourada, boa parte da população começa a acreditar a gestão de Roberto Sobrinho vai chegando ao fim muito distante do resgate de seu compromisso passado em melhorias para as tais prioridades.

A tal educação de qualidade; a saúde como um dos orgulhos do município; a segurança como direito do cidadão; o saneamento básico; a política de geração de empregos; a melhoria do transporte coletivo e do trânsito e até o combate à gestão ambiental predatória não aconteceu.

Quem não está “encantado” com tanta propaganda e com tanta promessa, constata que a cidade está mais insegura.

Em se tratando do trânsito (assunto evitado até na propaganda do prefeito) cerca de 90% dos usuários não foram “encantados” pois têm de enfrentar todos os dias o caos gerado pela falta de competência de gestão da prefeitura nesse setor.

A capital continua suja. Os terrenos baldios ainda estragam a paisagem até no centro. Ruas continuam bloqueadas aos pedestres porque o prefeito não cumpre a lei de uso do solo, preferindo usar da demagogia com negociantes de produtos piratas e comerciantes informais que se apossam do espaço público em pleno centro da cidade.

Há, enfim, todo tipo de mazela não tolerada nas cidades onde a cultura predomina e onde as leis são observadas por quem, como o prefeito, tem obrigação de cumprir e dar o exemplo de respeito ao estado de direito.

É possível que o povo acorde, liberte-se desse “encantamento” produzido pela falta de oposição, de fiscalização dos vereadores, de atenção de uma mídia com independência. Se esse “encantamento” não durar até as eleições de outubro, o prefeito pode assistir o encalacramento de seu projeto eleitoral.

ESPECTADORES

Praticamente todos os pré-candidatos interessados em suceder Roberto Sobrinho ficaram o tempo todo na posição de espectadores da gestão do petista e não conseguiram, até agora, formatar um discurso e uma ação política de verdadeira oposição.

Aqueles com mandato eletivo passaram praticamente todo o tempo sem sequer fazer um pronunciamento de conteúdo apontando as contradições da gestão petista. Nunca abordaram os fracassos do atual prefeito em tocar programas que pudessem verdadeiramente mudar a cidade para melhor.

O deputado federal Lindomar Garçom – o candidato de oposição mais bem posicionado nas pesquisas – passou todo esse tempo na Câmara dos Deputados sem falar, por exemplo, das aberrações urbanas de Porto Velho. Preferiu ficar em temas como duplicação da BR-364, transposição de servidores estaduais, emendas para programas de saneamento (água tratada para toda a cidade) e esqueceu-se, por exemplo, da fracassada política ambiental do município, que sequer conseguiu, nesta gestão do prefeito, implantar uma arborização descente nesta capital.

Nenhum destes pré-candidatos de oposição fez, em qualquer momento, uma análise ou simples discurso sobre os gastos absurdos da prefeitura em reformas como a da própria prefeitura. E nem assuntos como a explosão de doenças como dengue, malária, leishmaniose, tuberculose, etc, mereceu a atenção desses políticos.

Aliás, fora as denúncias de alguns órgãos de imprensa, nem mesmo se questionou o método suspeito da propaganda da prefeitura – paga com recursos públicos – inegavelmente elaborada para a auto-promoção do alcaide.

E o derrame de recursos nos tais “programas de inclusão social” – uma tática fácil de garrotear eleitores pobres – mereceu alguma vigilância desses políticos que deveriam exercer o papel de oposição? Claro que não. Por tudo isso a oposição chega agora, no início dessa maratona numa condição de mera espectadora desse derrame de recursos do governo federal e também da iniciativa privada significando votos para o prefeito.

Não serão mais quatro longos anos de atraso porque, como é simples perceber, Roberto Sobrinho certamente está de olho no governo estadual ou no senado se sair vitorioso e não perder para si próprio.


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