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Porto Velho,  qua,   20/janeiro/2021     
política

Oposição dividida e sem discurso pode favorecer a reeleição de Roberto

6/6/2008 07:38:47
 
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Com pelo menos 30 anos de experiência em jornalismo político, Gessi Taborda faz uma análise de como poderá ser a sucessão municipal em Porto Velho. 


 “A oposição não vai ter vida fácil na disputa eleitoral desse ano”. Com esta afirmação o jornalista Gessi Taborda, editor do jornal Imprensa Popular – órgão com circulação mensal – e colaborador do Alto Madeira (quando consegue um tempo), aceitou fazer uma análise do cenário sucessório, quando alguns partidos já se preparam para realizar as convenções que homologarão, nesse mês, os nomes de seus candidatos.

OPOSIÇÃO FRACA

Taborda preferiu dissertar primeiro sobre “a oposição” interessada em destronar o prefeito Roberto Sobrinho. Na análise do jornalista, “a oposição ainda não passa de um grupo desarticulado, com personagens sem um discurso claro contrapondo-se ao prefeito, inclusive expondo conceitos políticos e filosóficos capaz de diferencia-los do prefeito petista”.

“O eleitor de Porto Velho ainda não tem elementos, em virtude da falta do discurso oposicionista, para distinguir quem é diferente, politicamente, de Roberto Sobrinho ou em que o prefeito deverá ser avaliado para ter ou não ter o voto”, argumentou Taborda.

Essa “falta de coragem da oposição de contrapor ao prefeito”, acentuou Taborda, contribui para o marasmo e o desinteresse da população em discutir agora a disputa eleitoral no município. “Até o momento a sociedade conhece apenas a realidade dos fatos em torno dos temas de maior preocupação difundidos, através de um marketing massificado pela mídia, na ótica do prefeito. E, claro, na ótica do prefeito a administração municipal não poderia ser melhor e um novo mandato para Roberto Sobrinho torna-se bastante auspicioso”.

Na tese de Taborda – que não é partidário da reeleição de Roberto – “é forçoso reconhecer que na falta de parâmetros para avaliar as falhas da atual administração, os eleitores da capital rondoniense podem confirmar a pré-disposição de aprofundar o costume recente de optar pela reeleição”. Taborda lembra que esse costume ficou mais arraigado com a reeleição de Carlinhos Camurça. “Antes da conquista do governo por Ivo Cassol, a gente percebia que o eleitorado rondoniense era totalmente refratário à reeleição, mas isso está mudando de verdade”, destacou o jornalista.

FAVORITISMO

Continuando sua análise, o jornalista Gessi Taborda, entende haver, nesse momento, “um natural favoritismo” em relação a Roberto Sobrinho, pela própria condição de estar no cargo e de jogar todas as fichas em obras nesse ano eleitoral, “mas quando você vê o índice de aprovação do prefeito nas pesquisas até agora divulgadas, constata-se que ele não está tão bem assim”, explicou.

O pleito está longe de ser definido, diz o jornalista. Todavia parece difícil aparecer daqui até o dia da eleição um candidato oposicionista que empolgue o povo. “E se nenhum deles conseguir passar ao eleitor a imagem de que é diferente, de que tem um projeto surpreendente, capaz de garantir novos avanços da capital rumo à modernidade, vai ser difícil derrubar Roberto neste ano extremamente favorável ao prefeito, diante das obras garantidas com investimentos do governo federal e até da iniciativa privada, como se vê agora em Porto Velho”, sublinhou Taborda.

DIVISÕES

Na visão do jornalista, Roberto é um desses petistas de sorte. “Ele passou praticamente o mandado inteiro sem realizações e agora, quando disputa a reeleição, recebe esse enorme montante de dinheiro do governo federal para investimentos em projetos sempre prometidos e nunca levados avante, continuando livre da vigilância de uma oposição séria e até de críticas daqueles que pretendem disputar a sua cadeira”.

E, além disso, diz Taborda, vai para uma disputa com uma oposição fragmentada, “incapaz de construir alianças sólidas e de lançar um candidato com grande lastro de confiabilidade”.

Para o jornalista, “há na oposição candidatos simpáticos à opinião pública” mas só isso é pouco. A construção dessa confiabilidade citada por Taborda, “não uma coisa que se constrói do dia para a noite e sem um discurso claro e verdadeiro”, salienta.

Continuando, o jornalista acha impossível às oposições “chegar ao momento da disputa num consenso”. Por isso, mesmo concordando que “há uma tendência natural do eleitor votar apelando para o candidato mais simpático” – e simpatia é uma coisa que, acrescenta Taborda, falta ao prefeito Roberto Sobrinho – é preciso compreender que na eleição passada havia um sentimento muito grande de descontentamento entre o eleitorado de Porto Velho, aproveitado pelo atual prefeito com o discurso de mudança: “Nazif, ao disputar com o apoio de Carlos Camurça, tendo ao seu lado Ruth Morimoto como vice, não conseguiu formatar e dar credibilidade a um discurso de mudança, acabando por consolidar a imagem do continuísmo. E ai perdeu o favoritismo e a eleição”, destacou.

GOVERNISTA

Está nas hostes governista o nome mais encorpado para enfrentar o prefeito que busca a reeleição, argumenta o jornalista Taborda. “Nem por isso se vislumbra um desfecho de unidade, pois entre os correligionários de Ivo Cassol despontam pelo menos quatro postulações, como Lindomar Garçom, Amado Rahal, Alexandre Brito e até o deputado Valter Araújo”.

O governador não demonstra interesse em comandar as articulações para que seu grupo tenha apenas um candidato. Se Ivo Cassol tem preferência por algum dos pré-candidatos, procura não demonstrar, pelo menos publicamente, para ninguém. Nesse momento em que as candidaturas vão se afunilando, entre os oposicionistas sobra conversa de bastidor com articulações muito discretas e por isso, por mais paradoxal que seja, “pode se dizer que o cenário ainda não está definido”, destacou Gessi Taborda.

Como analista do cenário político, o jornalista crê Ivo Cassol pode se pronunciar antes das convenções. “Se anunciar seu aval a um candidato, deverá levar em consideração resultados de pesquisa e não apenas de preferência pessoal”.

Como não estão definidas as alianças, embora haja tantos postulantes ao cargo de prefeito; como o governador também não se definiu, claramente, a oposição, por enquanto, só observa o cenário, deixando o prefeito consolidando seu lastro sem ter maiores preocupações.

TEMAS

Sobre os temas predominantes da campanha desse ano, Gessi Taborda disse que “os discursos deverá tratar de saúde, trânsito, saneamento, educação e iluminação publica”, hoje as maiores preocupações dos moradores de Porto Velho.

Para o jornalista não basta ao candidato fazer um discurso bonito, “pois o candidato precisa ter atitudes coerentes com o seu discurso, ou seja, não adianta o camarada abordar temas ambientais se ao longo de sua trajetória política nunca se preocupou com isso”, salientou.

“Na minha opinião, os candidatos de oposição tem de fugir do discurso batido das prioridades e apresentar propostas modernizantes, escapando da praxe que acaba fazendo todos os candidatos muito parecidos”, disse o jornalista, que acrescentou: “o diferencial entre os postulantes está nas estratégias demonstradas para colocar os projetos, as promessas, em prática”.

Afirmando que sua preocupação, ao dar essa entrevista, foi a de fazer “uma avaliação impessoal de quem quer que seja”, Gessi Taborda destacou que “os concorrentes de Roberto terão de fazer algo surpreendente que pouca gente seria capaz de prever” para tirar o atual prefeito do páreo, mesmo sendo ele um político sem carisma.

Para terminar, Taborda disse acreditar que “o prefeito vai usar na campanha da continuidade, recheado de promessas de avanço num segundo mandato. Certamente não vai falar em nenhum momento que pretende disputar o governo ou senado em 2010, tendo de deixar a prefeitura na mão do provável vice”.

E assim, Taborda reforçou que resta à oposição “propor algo inovador, diferente, sem esquecer que neste ano a população não está tão descontente com a situação da cidade, como estava no tempo em que Carlinhos Camurça era o prefeito”.


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