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Porto Velho,  sáb,   16/janeiro/2021     
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Obras de fachada: unidades de saúde continuam com velhos problemas

1/6/2008 23:17:36
 
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O sistema de saúde municipal convive com os mesmos problemas antigos de infra-estrutura, como se a saúde da capital não tivesse validade. 


 Faltam poucos meses para terminar o mandato do prefeito Roberto Sobrinho e o sistema de saúde municipal continua com os mesmos antigos problemas de infra-estrutura, sem apresentar melhora significativa no atendimento à população. Durante a campanha, o prefeito petista garantiu que o setor seria uma de suas prioridades. A realidade do sistema dá a entender que o prefeito esqueceu do compromisso assumido nos palanques e nos debates que travou com seus concorrentes.

Neste seu mandato o prefeito teve vários secretários de saúde – apenas um com o título de médico – e praticamente nenhum conseguiu administrar bem, debelando as crises desse setor fundamental à melhoria da qualidade de vida dos munícipes.

As reformas realizadas em policlínicas e postos de saúde deixou alguns prédios bonitos por fora mas praticamente sem validade para dar o atendimento digno a que todos os cidadãos têm direito.

FALTA TUDO

O prefeito não conseguiu construir nenhuma grande obra. A maior unidade de saúde municipal é a maternidade, construída em grande parte pelo saudoso prefeito Chiquilito Erse e acabada na gestão Carlinhos Camurça; equipada graças a dinheiro do Estado e da União. Aliás, a primeira grande medida do prefeito para a maternidade foi a nomeação de uma diretora, quando a tal maternidade não funcionava.

Obras desse governo que chega ao fim, apenas reformas e a construção dos postos de saúde do bairro Socialista e Aponiã.

Para quem esperava a construção de um grande hospital municipal – para ser um pronto socorro e unidade de tratamento de emergência – só resta frustração. Não fosse as unidades de atendimento do governo estadual, que deveria cuidar especialmente da medicina de alta-complexidade, grande parte da população de Porto Velho poderia pagar com a vida por tanto descaso.

O vereador Kruger Darwich, um dos poucos com coragem e independência para apontar as falhas da administração, disse que “não sabe quantas cobranças” fez ao Executivo com referência ao péssimo atendimento dispensado à população nos postos de saúde, “onde falta praticamente tudo, a começar por médicos na quantidade necessária e até remédios”. A maioria das cobranças não serviu para sensibilizar os secretários municipais de saúde “desse governo” e nem mesmo o próprio prefeito, “pois a situação no momento não mudou praticamente nada”, desabafou Kruger.

A situação lastimável do sistema de saúde municipal também motivou vários alertas e muitas críticas do vereador Mário Jorge, do PDT, especialmente na total irresponsabilidade de combate às endemias, como a dengue. Aliás, os contundentes discursos do professor Mário Jorge acabaram contribuindo para a queda de um dos últimos secretários da Semed.

Nas novas unidades (Socialista e Aponiã) as críticas da falta de médicos e as dificuldades para atendimento são constantes. Boa parte das pessoas que se amontoam nesses postos acabam não conseguindo ser consultados no mesmo dia e precisa, de acordo com alguns depoimentos, tentar até três vezes para conseguir falar com um médico.

DESASSISTIDOS

O vereador Kruger Darwich afirma que boa parte da população de Porto Velho continua desassistida pelo sistema de saúde municipal. E a prova disse, diz o vereador, “são os registros do grande número de pacientes da capital que se socorrem nas unidade do governo estadual, como a Policlínica, o Hospital de Base, o João Paulo II e até o Cemetron”.

A pessoas vão diretamente para as unidades do Estado porque “não confiam no sistema municipal, onde falta praticamente tudo”.

“Tem gente que corre para o hospital João Paulo II com feridas abertas enfrentando as dificuldades de um hospital superlotado porque este tratamento, que deveria ser realizado nas unidades do município, acaba não acontecendo”, destacou o vereador.

CAOS CHEGA AO IPAM

Mas não é apenas a população de baixa renda – a que mais procura o sistema público de saúde por não ter outra alternativa – que sofre com a falta de uma filosofia da administração para garantir como prioridade o setor de saúde.

Os próprios servidores municipais estão mais uma vez ameaçados de sofrer os efeitos devastadores dessa falta de empenho em garantir saúde como prioridade pública.

Os servidores recolhem suas contribuições para o Ipam, instituto encarregado de garantir atendimento de saúde aos mesmos.

Eles estão na iminência de terem de apelar para o SUS, porque os prestadores de serviços de saúde aos assegurados do Ipam estão prontos a romper as relações com o instituto, “pelos constantes atraso no pagamento dos serviços prestados e pela congelamento da tabela desses serviços nos últimos dois anos”, como disse à imprensa Marines César, presidente do Sindicato dos Estabelecimento de Serviço de Saúde no estado.

A presidente desse Sindicato garante que tenta buscar uma solução para o problema desde o último dia 28 de abril, mas “até hoje” não foi recebida por João Herbety Peixoto dos Reis – aparentado da família da mulher do prefeito – para tratar do assunto.

A situação de descontrole naquele Instituto já vinha sendo denunciada há muito tempo por ex-petista de carteirinha, Raimundo Nonato. Ele era dirigente do Conselho Municipal de Saúde. Petista de carteirinha, Raimundo foi uma figura da linha de frente na campanha que levou Roberto Sobrinho à Prefeitura.

Exatamente pelas denúncias que fez de descalabros na gestão petista, o velho “companheiro” do prefeito acabou deixando o PT. E agora, recentemente, foi defenestrado do conselho numa manobra que o próprio “Raimundinho” atribui aos cardeais do paço municipal.

FALTA CUMPRIR

O prefeito Roberto Sobrinho somente agora no final de seu mandato, em plena ano eleitoral, começou a tocar algumas obras, a maioria com recursos da União e participação do próprio governo do estado. Quer fazer tudo o que ficou parado para tentar a reeleição.

E, como na primeira campanha que disputou, faz novas e grandes promessas. Fala, por exemplo, da solução do saneamento básico, o que poderá realmente acontecer não neste ano, numa iniciativa do governo estadual e do federal.

Fala de obras estruturantes como viadutos, vias expressas, etc; investimentos que não saem do tesouro da prefeitura e sim do governo federal, via Dnit.

Das promessas da campanha que o levou a prefeitura, falta cumprir a maioria delas. A saúde, como se vê, não melhorou de forma significativa. O estado ainda é quem mais atende o povo do município. A construção de um hospital municipal é ainda uma miragem.

E as creches? Alguém sabe onde estão?

Lembram da conversa de manter baixa a tarifa do transporte coletivo? Da construção dos binários? Da melhoria do trânsito? A na questão de segurança, o que fez essa gestão do prefeito? As áreas de lazer prometidas também não saíram do campo das promessas. O prefeito pegou uma área onde se fez – com dinheiro vindo do exterior – uma pista para caminhadas e gastou ali, para construir três quiosques, quase meio milhão de reais. É claro que ninguém esperava a construção de um “parque” como o Ibirapuera, mas considerar aquilo como uma “grande área de lazer” é uma piada de mau gosto.


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