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Porto Velho,  sáb,   7/dezembro/2019     
política

Neodi desistiu de renunciar porque "insegurança jurídica" foi superada

9/5/2008 14:39:14
 
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Foi um discurso fraco, emotivo, revelando um homem angustiado e sem explicações detalhadas sobre os reais motivos do chamado "conto da renúncia", protagonizado pelo presidente da Assembléia. 


 O deputado Neodi Carlos, presidente da Assembléia, acabou protagonizando por vontade própria um episódio que deve entrar na história política de Rondônia como o "Conto da Renúncia".

Afinal, por vontade própria, o deputado que tem sua base política na cidade de Machadinho do Oeste resolveu anunciar sua decisão de renunciar à presidência do legislativo rondoniense. E fez o comunicado a seus pares por telefone.

Os deputados – em sua maioria – foram pegos de surpresa. É certo que as relações de Neodi com boa parte dos deputados – incluindo alguns da mesa que no princípio da legislatura hipotecavam-lhe todo apoio – estavam azedadas há algum tempo, más ninguém, nem mesmo os opositores mais explícitos, imaginou pedir a sua renúncia.

A situação de Neodi em relação aos seus pares ficou mais delicada com a adoção do sistema de gestão "imperial" da Assembléia, impedindo os demais parlamentares de participar de decisões importantes na administração do parlamento, principalmente sobre como aplicar os recursos do Poder.

É claro que o centralismo de Noedi não se preocupou só com este aspecto. Os deputados também foram alijados de processos administrativos e ficaram esvaziados de suas prerrogativas. Não mandavam sequer em seus gabinetes. Embora deputados, não tinham autonomia sequer para validar a folha de ponto dos funcionários de seus gabinetes.

INGENUIDADE

Até alguns deputados ouvidos por IMPRENSA POPULAR não sabem explicar como alguns colegas decidiram montar e anunciar imediatamente as medidas que estavam tomando para "ocupar o vácuo de Neodi", diante do anúncio de sua decisão de renunciar.

"Ora, houve muita ingenuidade. No mínimo aqueles deputados deveriam saber que renúncia só acontece mediante a apresentação de um documento oficial e não de um simples telefonema", disse um parlamentar da base de sustentação do governo que já estava se articulando para assumir a cadeira do presidente.

Bastou uma visita do governador Ivo Cassol a Noedir, em Machadinho, para que o presidente da Assembléia desistisse da renúncia – que na verdade nunca existiu – frustrando os deputados prontos a articular a nova composição do poder de mando no legislativo estadual.

Esse "conto da renúncia" acabou revelando aquilo que de longe boa parte dos analistas políticos e da opinião pública de Rondônia sempre suspeitou: nossos políticos continuam carentes de boas assessorias, sem as quais as gafes desse tipo acontecem com freqüência contribuindo para aumentar o folclore e o besteirol que acaba colocando o estado na lista da galhofa nacional.

"EXPLICAÇÕES" BIZARRAS

Frustrados com a desistência de Neodir em renunciar, os deputados esperavam uma explicação sua na terça (6 de maio), dia da primeira sessão da semana. Alguns, mais exaltados, exigia que o deputado de Machadinho cumprisse sua "palavra" e entregasse uma carta de renúncia.

Na terça o ambiente na Assembléia foi de marcha e contra-marcha e a sessão acabou não acontecendo. As "explicações" do presidente ficaram para a sessão posterior. Na parte da manhã, numa sessão solene para a entrega de títulos de cidadania a José de Abreu Bianco, Assis Canuto e Mário Gazzin, o discurso de Neodi era uma pista do que viria na sessão ordinária da tarde daquele dia.

No discurso que deveria se traduzir numa saudação aos laureados, Neodi falou para si, denotando estar angustiado com os problemas enfrentados como empresário do setor madeireiro, especialmente pela ação da Polícia Federal e do Ibama na "Operação Arco de Fogo".

NA SESSÃO ORDINÁRIA

No discurso da tarde, na sessão ordinária, o presidente desabafou dando explicações genéricas para sua crise e para o desejo que sentiu, por alguns momentos, de renunciar à chefia do Legislativo. Tentou explicar também a decisão final de não largar o cargo.

Noedi deixou claro que pensou em renunciar com a esperança de por fim "à perseguição política" que vinha sofrendo.

Deixou claro, também, que havia "uma insegurança jurídica" no Estado, da qual ele estaria sendo vítima, tendo até a indisponibilidade de seus bens, determinada pelo Tribunal de Justiça.

O parlamentar deu a entender que leis aprovadas pela Assembléia não estavam sendo respeitadas pelas instituições. Não nominou as "instituições" até porque parece que esta situação está superada: "agora as leis aprovadas pela Assembléia serão cumpridas e respeitadas pelas instituições", destacou o assessor de imprensa do chefe da Assembléia, o jornalista Marcelo Freire, no realease que enviou à imprensa sobre o discurso proferido pelo presidente.

SOBROU PARA A IMPRENSA

Assim como Neodi imagina que a ação da Polícia Federal, do Ministério do Meio-Ambiente e do Ibama no combate ao desmatamento em Rondônia é "uma perseguição política" contra ele; assim como imaginava – como ficou claro em seu discurso – que o estado rondoniense estava vivendo um momento de "insegurança jurídica", Neodi Carlos também atribuiu à imprensa culpa pelo seu calvário, levando-o a desejar a renúncia. Ele não citou nomes, mas deixou claro que a imprensa fez campanha contra ele, destacando que "os ataques sofridos por parte da mídia tinham o objetivo de denegrir" a sua imagem.

Ora, não se pode desconhecer que parte da mídia desse estado se comporta, algumas vezes, como um autêntico armazém de secos e molhados. Mas foi o próprio Neodi que montou um balcão onde a verba da publicidade institucional da Assembléia acabasse canalizada para os "jornalões" e veículos amestrados da mídia eletrônica. Noedi não foi alvo, em nenhum momento, da chamada "grande imprensa", tanto impressa como eletrônica.

Em termos de imprensa o presidente da Assembléia também operou sem uma assessoria de nível. Ao carrear para os grandes veículos praticamente toda a distribuição da mídia e dar apenas migalhas para uns poucos jornais da imprensa nanica, certamente o deputado não teria a blindagem que esperava.

É certo que na área de internet dois sites notabilizados no principio dessa legislatura em algozes do próprio presidente, algum operação do "por fora" deu certo e esses sites passaram a operar intransigentemente na defesa do chefe da mesa, funcionando como aríetes contra os deputados não alinhados ao sistema de mando imperial do parlamentar de Machadinho. Essa tática complicou ainda mais a situação do presidente Neodi entre seus pares.


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