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Porto Velho,  qua,   23/setembro/2020     
reportagem

Uma besteira defendida por Blairo Maggi, o “Rei do Soja”

28/4/2008 06:59:50
 
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“Não há como produzir mais comida sem fazer a ocupação de novas áreas e a retirada de árvores”. A declaração é do governador do Mato Grosso, dono do porto graneleiro na capital rondoniense. 



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O governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, antes de chegar ao poder no vizinho estado, tinha assumido o compromisso de ser parceiro do desenvolvimento rondoniense, especialmente na infra-estrutura do transporte, visando primeiramente facilitar as operações de seu grupo empresarial, no transporte do soja, bem como na sua industrialização, instalando em Rondônia uma unidade de esmagamento e até mesmo – era o que dizia – de uma indústria de óleo.

Bem, o senhor Blairo Maggi não fez muita coisa por aqui, a não ser o terminal de embarque se soja no Rio Madeira, instalado dentro do porto da capital. O estado deu sua contra-partida, quando era governador o atual senador Valdir Raupp.

Na verdade, pouco daquilo que tanto se anunciou, quando o projeto tinha a ambição de implantar a Hidrovia do Madeira para garantir navegação normal durante todo o ano, ainda não passa de aspiração. Nem mesmo o recapeamento da BR-364 – para suportar o intenso tráfego das carretas que trazem até Porto Velho a imensa quantidade de soja cultivada em Sapezal (MT) – aconteceu. Blairo Maggi virou governador do Estado, seu cunhado Pagot virou bambambã do Dnit e o asfalto da principal rodovia rondoniense continua sempre gerando críticas e reclamações pela sua péssima qualidade.

Pois é. Agora o senhor Blairo Maggi acaba esquecendo, ao que parece, sua responsabilidade de homem público, de governador de um Estado com destaque no mapa da devastação florestal, ganha novamente as páginas da mídia nacional por falar o que não devia.

Numa semana em que a crise mundial de alimentos ganhou escopo no Brasil, em virtude da baixa nos estoques de arroz, ele saiu com uma pérola: “Com o agravamento da crise de alimentos, chegará a hora em que será inevitável discutir se vamos preservar o ambiente como está ou se vamos produzir mais comida. E não há como produzir mais comida sem fazer a ocupação de novas áreas e a retirada de árvores”.

Ou seja: está sugerindo o desmate de mais florestas para plantar comida. É a maior estupidez já dita por um governante, para justificar a incompetência da sua classe. A coluna de hoje quer propor uma reflexão sobre o assunto, que será determinante para o futuro da agricultura brasileira. Não se trata de falta de espaço, mas de condições para cultivo dos existentes. Na falta de apoio dos agentes públicos aos produtores é que mora o problema. Fácil assim!

INCENTIVOS

Para que a produção no campo seja racional, é indispensável que o Ministério da Agricultura e os Estados, na medida de suas possibilidades, criem políticas efetivas de sustentação ao cultivo de alimentos. Os agricultores não podem enxergar lucro apenas no setor energético. Quem vive do campo precisa ter mais segurança e, sobretudo, ganhar mais. Hoje, plantar cana é uma questão de rentabilidade. E nada mais. É só o governo dar condições e incentivar o plantio de trigo, milho, arroz e feijão, que o cenário muda.

A origem para tal convencimento tem que partir do poder público. Enquanto na Europa e nos Estados Unidos há subsídios pesados para o agronegócio, aqui, quando muito, há condições razoáveis de renegociar as dívidas pretéritas. A diferença é abissal.

RONDONIA

Bem diferente de Blairo Maggi age o governo rondoniense. Cassol não tem o preparo acadêmico do “Rei do Soja”. É, como empresário, um homem mais interessado no setor de produção de energia. Mas o governador de Rondônia tem realizado ao longo de sua gestão à frente do Estado o dever de casa, dentro daquilo que o estado tem condições de fazer, em apoio ao produtor rural.

Ainda recentemente coube ao vice-governador João Cahula, percorrer o estado distribuindo sementes certificadas. Este tipo de política tem contribuído sobremaneira para safras cada vez maiores. Certamente em Rondônia não haverá crise de alimento. E se os preços subirem desvairadamente é por jogo da especulação.

A situação da produção de alimentos no estado rondoniense prova que é impositivo que o governo distribua sementes de qualidade (ou por doação, ou em condições especiais), ofereça assistência tecnológica a pequenos, médios e grandes e opere um seguro agrícola eficaz. Além disso, é indispensável o oferecimento de linhas de crédito atraentes para incentivar a produção de alimentos. Só assim, com a participação ativa do Estado, será possível equilibrar a balança que hoje pende, indiscutivelmente, para o lado energético. É claro que um estado novo e em formação como Rondônia, muitas necessidades da Agricultura não pode ser provido pelos cofres estaduais.

Aí vêm o tal governador Maggi dizer que solução mágica é cortar árvore para plantar comida. Tá bom! Ele, grande produtor de soja, sabe muito bem que esse não é o caminho. Comer é vital, assim como respirar. Energia, então, nem se fala. Há que se resolver esta equação. Sem balelas ou invencionices.

SOBRE OS PREÇOS

A onda dos biocombustíveis estará afetando o preço da comida? Bobagem: o único alimento usado em larga escala para produzir combustível é o milho. O arroz não tem nada com isso. Nem o trigo. A alta é temporária, e tem solução automática: com preços mais altos, os agricultores tendem a plantar mais, aumentando a produção. E, nessas notícias sobre problemas alimentares, é preciso prestar muita atenção: as empresas petrolíferas (conhecidas pelo nome tradicional de Sete Irmãs) não gostam de concorrência. Qualquer oportunidade é boa para falar mal de possíveis concorrentes do petróleo, como o álcool e o biodiesel.


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