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Porto Velho,  sáb,   26/setembro/2020     
reportagem

A influência de Mário Calixto é um risco para quem exerce o poder

15/4/2008 06:37:17
 
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O dono do jornal O Estadão conheceu a cadeia pela primeira vez durante o governo de Valdir Raupp. Até o dia em que foi levado para o Comando Geral da PM, Calixto usou e abusou do Poder. Era o homem que mandava, dominava, desmontava e praticamente determinava quanto do dinheiro público tinha de ser canalizado para seus órgãos de comunicação e seus negócios. 


 Até agora os políticos com poder de decisão no Estado de Rondônia ainda se deixam enganar facilmente pelo cinismo de Mário Calixto, o dono do jornal O Estadão. É difícil entender – racionalmente – porque este personagem, apanhado em flagrante várias vezes em suas relações incestuosas com o estado, continua exercendo com desenvoltura e desembaraço uma perigosa influência em negócios escusos, principalmente ditando métodos de distribuição das verbas da publicidade oficial de instituições que deveriam primar pela transparência, cultivando um sistema democrático da destinação das mesmas à todos os veículos de comunicação existentes no Estado, de conformidade com seu tamanho e importância midiática.

Interessante é que os homens do poder, mesmo diante de todo um passado de cinismo e mentira revelados em escândalos anteriores protagonizados por este “empresário” da comunicação, são refratários ao rompimento simples dessa ligação perigosa. Mesmo diante do perigo – que já levou alguns personagens do governo à cadeia – continuam se rendendo aos interesses desse personagem que parece não se importar com coisa alguma, a não ser em ganhar dinheiro a qualquer custo.

VÍTIMAS

Foi durante o governo Raupp que as primeiras pessoas enredadas nos trambiques de Mário acabaram na cadeia. Pessoas de boa índole, jornalistas de boa cepa, envolvidos no chamado escândalo da Ceron. Naquele período Calixto agia como se seu poder fosse infindável. Nos bastidores da política dizia-se que nem mesmo o governador tinha liberdade para se contrapor aos esquemas do dono d’O Estadão que controlava tudo na área das verbas da publicidade, pois quem respondia por órgãos como o Decom (depois Secom) eram pessoas fiéis ao “empresário” agora preso numa cela da Polícia Federal em Vitória (ES), pego na Operação Titanic.

Em alguns governos, o dono do Estadão influía em tudo. Não dominava só o setor de distribuição de verba de publicidade. Foi daí que surgiram escândalos como o “Frangogate”, pelo qual Domenico Laurito, que precisou até fugir do Brasil e acabar com seu patrimônio na cidade de Ji-Paraná.

Por este escândalo, que desviou algo em torno de dois milhões, Mário foi condenado a 11 anos de prisão, por peculato. Chegou a ser preso quando já estava cumprindo uma pena de prisão albergue, por crime eleitoral.

CANTO DA SEREIA

Antes de todas estas desditas que terminaram em prisão, Mário Calixto era o arrogante poderoso dono do jornal O Estadão, da Rádio Eldorado e depois da TV Norte. Era quando “escrevia” as regras do jogo político no Estado e exigia sempre para si o maior naco das oportunidades e do dinheiro. E foi assim que este personagem virou suplente de senador, chegando a assumir o cargo enquanto o titular, Amir Lando, cumpria um período como Ministro do governo Lula.

O passado de condenações e prisões do dono d’O Estadão não reduziu seu grau de intimidade com o poder. Calixto conseguiu até superar barreiras aparentemente intransponíveis, entoando sabe-se lá qual canto da sereia.

O governador Ivo Cassol, antes de ser eleito pela primeira vez, não escondia o seu asco por este personagem. Parecia determinado a por fim na influência de Calixto no setor público. Afirmava para quem quisesse ouvir que o lugar certo para o dono d’O Estadão era o Urso Branco, o maior presídio de Rondônia.

Mas passado o tempo, lá estava novamente Mário recebendo verbas de publicidade do governo e atuando, novamente, todo serelepe nas coxias do poder.

Não se pode afirmar se esta intimidade acabou enredando os ingênuos jovens da família do governador que, como eventuais novas vítimas, acabaram presos pela Polícia Federal na “Operação Titanic” que também levou Calixto para mais uma temporada de xilindró, desta vez na aprazível capital dos capixabas.

Este episódio dá margem a uma nova constatação: aceitar a influência de Calixto é um mau augúrio. É uma experiência que acaba custando caro não só em termos financeiros, mas também em termos de decadência ética.

ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA

Alguns deputados estaduais estão preocupados com os desfechos futuros da “Operação Titanic”. Temem estes parlamentares que a influência de Mário Calixto na distribuição da verba de publicidade daquele poder venha a arranhar ainda mais a imagem da Casa.

Essa ligação entre Mário Calixto e a Assembléia Legislativa, consubstanciada no domínio da agência Pna, de publicidade, está sinteticamente explicada pelo jornalista Paulo Andreoli, em seu blog:

“O publicitário Clayton Pena, ex-funcionário de Mário Calixto e atual responsável pela mídia da Assembléia Legislativa estaria tendo que explicar ao MPE ( A propaganda da casa de leis está suspensa desde janeiro) como pagou 14 mil reais por uma página de anúncio no “O Estadão do Norte”, quando o mesmo veiculo comercializa a mesma página por 1.800 reais.

Também estaria tentando explicar como o valor da mídia destinado ao “Estadão” foi a maior de todas, superior até a Rede Globo? O “Estadão” levou em novembro R$ 178.329,00 e a Rede Amazônica, com uma audiência infinitamente maior recebeu R$ 156.170,87.

Para se ter uma idéia da discrepância, o Jornal Diário da Amazônia, que possui quase o mesmo número de assinantes e imprime um pouco coisa menos que o concorrente ficou com “apenas” R$65.062,10. Então tá…”

O esforço que a presente legislatura afirma estar fazendo para dar transparência ao Legislativo estadual corre sério risco de ir por água abaixo se não avaliar bem os perigos dessas ligações perigosas.


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