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Porto Velho,  ter,   17/setembro/2019     
reportagem

Dono da Eucatur faz contorcionismo para desqualificar operação da Polícia Federal e manter a máscara do bom-mocismo

17/3/2008 13:12:42
 
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Os donos do impĂ©rio da cobra estĂŁo colocando em prática a tática de minimizar os efeitos da Operação da PolĂ­cia Federal cujo objetivo Ă© levantar o tamanho do rombo ao erário, em fraudes praticadas em negĂłcios fraudulentos na compra de Ă´nibus com financiamento de dinheiro pĂşblico. 


 Misteriosamente a nota publicada no Ăşltimo dia 16 no site O Observador, editado por Everaldo Fogaça, tornou-se inacessĂ­vel para todos os internautas já na manhĂŁ do dia 17 deste mĂŞs de março. Lá estavam declarações atribuĂ­das ao fundador da Eucatur, o milionário Assis Gurgacz, um dos indiciados na “Operação Articulado”, realizada pela PolĂ­cia Federal, para apurar as suspeitas de fraude em financiamentos pĂşblicos obtidos junto ao Banco da AmazĂ´nia S.A. (Basa).

Na matéria que misteriosamente foi retirada do polêmico site do Everaldo Fogaça, o chefe do clã dos Gurgacz descaracterizava a ação da Polícia Federal, tentando fazer crer ter recebido apenas uma visita dos agentes da PF e não “uma busca e apreensão” de documentos e dinheiro em sua mansão de Cascavel no Paraná.

Cinicamente, na tal matéria, o dono da Eucatur insinuava que “se houve alguma fraude com relação à compra de ônibus” com financiamento público, a mesma deve ser atribuída a funcionários da empresa e não a ele e seus familiares como o inquérito em andamento na superintendência da Polícia Federal em Manaus objetiva provar.

Seria cômico, se não fosse trágico. Principalmente em se tratando de uma empresa onde a administração ainda se processa no estilo do mando familiar e nada certamente acontece sem a ordem de seus titulares.

ESCAMOTEAMENTO

Ninguém desconhece o poderio da família Gurgacz nos meios econômicos e políticos de Porto Velho. Por isso não foi surpresa alguma assistir os esforços de setores bem identificados da sociedade local em inocentar o clã dos donos da Eucatur praticamente no momento em que a Polícia Federal cumpria mandados de busca e apreensão nos estados de Rondônia, Amazonas e Paraná.

A primeira manifestação nesse sentido foi publicada num site de notícias sustentado por um jornalista milionário, com a afirmativa já no título de que a operação policial não passava de uma perseguição política ao filho do poderoso Assis, seu braço político em Rondônia, o chamado Acir da Cascavel.

Em seguida foi a vez de um ilustre advogado, de tradicional famĂ­lia rondoniense, que publicou nota de solidariedade, em nome do partido que representa em Porto Velho (coincidentemente o mesmo partido de Acir Gurgacz), afirmando a inocĂŞncia de seu guru.

Jornais mais importantes também trataram de desvalorizar a informação sobre a operação da Polícia Federal publicando o fato com a máxima discrição possível.

A ENTREVISTA

Na manhã do dia 17, segunda-feira, o site jipagora.com, da cidade de Ji-Paraná, publicou, em vídeo uma entrevista com Acir Gurgacz que, como outros integrantes do clã, está indiciado no inquérito da Polícia Federal. Ele também tentou dar uma interpretação absurda ao cumprimento do mandado de busca e apreensão, como se isso fosse, em sua linguagem, uma mera “visita” da Polícia Federal.

Acir não escondeu sua contrariedade com a ação policial mas visivelmente nervoso, acabou afirmando que não via nela “uma perseguição política”. Tentou passar a idéia de que ação nada tem a ver com a sua pessoa ou de seus familiares, “porque ela não envolve pessoas físicas e sim a pessoa jurídica da Eucatur”.

Ele parece acreditar que tudo aconteceu “por algumas dúvidas na documentação” da Eucatur e não uma investigação de fraude de milhões. Na verdade, a Polícia Federal não terminou as investigações mas, de acordo com informações distribuídas à imprensa, até agora já se apurou que o desvio supera os três milhões na compra de ônibus financiado com o dinheiro público.

Mas Acir insiste: “Bastava um ofício da PF e os documentos seriam entregues porque a empresa sempre esteve à disposição para esclarecer dúvidas sobre as suas ações”.

Entretanto, na mesma entrevista, o herdeiro do império da cobra e doublé de político acabou confessando que a “famiglia” ficou apreensiva com a ação da polícia federal em suas residências. Tentando ser sarcástico, Acir desdenha do trabalho da polícia na tal entrevista: “Isso partiu de Manaus e se é mesmo uma bronca, é uma bronca muito maior do que podemos imaginar. Ainda não sabemos como isso foi tramado, mas certamente as coisas irão se esclarecer através do tempo, do dia a dia, colocando-se os pingos nos is”.

Para complementar a entrevista, Acir lembrou que “nos 40 anos que Eucatur opera no setor de transporte, comprando ônibus e vendendo ônibus, nunca teve problemas”. Ele confirmou que a maioria dos ônibus da Eucatur são emplacados em Rondônia e, afirma, “por isso o Detran de Rondônia tem todas as informações necessárias para esclarecer quaisquer dúvidas”. Não deu para perceber se enquanto o seu pai tenta jogar a responsabilidade da fraude nas costas de alguns de seus empregados, Acir pretende apontar o Detran como co-responsável pelos crimes denunciados pela Polícia Federal.


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