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Porto Velho,  qui,   19/setembro/2019     
reportagem

E agora, o grande Parada passou a se chamar saudades

4/9/2007 14:10:26
Por Gessi Taborda e Aldrin Willy
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E lá se foi Porto Velho perdendo mais um pedaço do romantismo e da esperança. Rubens Parada está no panteão canoro do Céu. 


 A morte de Rubens Parada, o melhor intérprete das imortais canções latinas nesta parte do Brasil, não empobreceu apenas o cenário artístico de Porto Velho. Muito ligado ao pessoal do Imprensa Popular, especialmente ao editor Gessi Taborda da Costa, sua partida deixou-nos um grande vazio.

E apesar disso, ficou em nossos corações um certo alívio ao saber que ele teve uma morte até certo ponto tranqüila, terminando sua jornada exatamente como queria: cantando. Isso mesmo, um pouco antes de passar dessa vida para enriquecer o panteão canoro do Céu, o embaixador da música latina em nossa capital cantou cerca de uma dúzia das músicas que compunham o seu repertório cercado do pessoal médico e enfermeiros do Hospital de Base, acompanhado pelo excelente Gueri, seu tecladista preferido.

Foi só depois dessa última performance que Parada afirmou para a reduzida platéia: “Bom, agora eu só vou cantar para Jesus!”, fechando logo depois os olhos e entrando na eternidade.

Agora, quando escreve este réquiem ao inolvidável Rubens Parada, ouvindo sua voz no CD “Tributo a Bienvenido Granda”, revivo o sentimento de êxtase e alegria que sua voz possante e ao mesmo tempo aveludada na interpretação impecável sempre teve o poder de propiciar.

Naquele CD que ganha, agora, destaque na nossa coleção, Parada escolheu as músicas mais representativas das histórias de amor e de vida imortalizadas por Bienvenido, com quem certamente está agora fazendo grandes duetos. E, claro, sem perder a característica da dramacidade interpretativa, que o diferenciava de um simples cantor.

Nascido na cidade boliviana de Guayara-Merin, Rubens se tornou um brasileiro e um rondoniense por convicção sem renegar, entretanto, suas raízes. E acabou sendo um dos mais importantes elos de ligação entre a cultura musical dos países de fala castelhana e as melhores páginas musicais de nosso Brasil, muitas vezes interpretadas no Le Petit Taborda, arrancando aplausos de todos. Parada – esse queridíssimo amigo – viveu com intensidade, distribuiu e compartilhou alegrias. Foi amigo de todos, tinha um coração do tamanho de um bonde e na sua humildade, com seu desprendimento, não conseguiu amealhar bens materiais, apesar de sua voz depurada como um diamante. Em compensação seu espírito está, certamente, num plano superior. Ser amigo de Rubens Parada foi, para muitos, um grande privilégio. E ao ouvirmos sua voz, as reminiscências de suas muitas passagens por Imprensa Popular, pelo nosso Le Petit, nos saraus inesquecíveis, reforça a nossa certeza de que mesmo na morte, a grandeza da alma desse artista que foi tão importante para Porto Velho será sempre a grandeza da vida. Certamente, em sua nova morada, Rubens continuará sendo aquele intérprete que nunca teve vergonha de demonstrar as suas emoções.

Rubens Parada era um homem de família. Em nosso meio fazia-se acompanhar sempre de sua mulher, a professora Eliete, uma de suas maiores incentivadoras. E foi ao lado da sensível e inteligente companheira que alçou o derradeiro vôo rumo ao infinito, com sua voz privilegiada.

AMIGOS CONTAM SUA CONVIVÊNCIA COM PARADA

“Para Porto Velho, para Guajará-Mirim, principalmente, a falta que Rubens Parada vai fazer é exatamente que perdemos esse elo de ligação cultural, principalmente para nós que somos povos de fronteira. Assim como ele abraçou com o coração o Brasil para viver com a família, ele mantinha suas tradições culturais bolivianas, de raízes. E ele fazia isso com muita categoria, com muita simplicidade. Era fácil você acolher Rubens Parada como um cantor, exatamente porque ele tinha essa característica internacional. Ele internacionalizava a música latina. Então para mim é uma grande perda que vai deixar uma lacuna muito grande.”

Flodoaldo Pontes Pinto, empresário



“Era um grande amigo nossa, da noite, batalhador. É mais um que se vai sem ter aquele reconhecimento a nível que deveria ter. É um amigo que se foi. A arte é desse jeito. O homem vai e fica seu trabalho, fica sua arte. Sei que irei sentir muito, porque ele veio de fora para somar com a gente. Todo o tempo em que ele esteve aqui, sempre ficamos juntos. Muito sentimento. E Rubens Parada, onde estiver, que Deus o ilumine.”

Orlando do Estácio
, sambista



“A minha ligação com Rubens Parada vem de 51 anos, do momento que eu nasci. Parada, com seus poucos anos a mais, me carregou no colo ainda. Da mesma cidade minha, mesmo bairro, mais cedo ele veio para o Brasil e na seqüência eu também vim para cá e eu o reencontrei. Era um grande parceiro, amigo e irmão. Ele leva parte da nossa própria história consigo, parte dos segredos, das cumplicidades. Vão junto com ele grandes segredos, e nós ficamos aqui sem aquele confidente-irmão. Uma relação dessas, construída ao longo de muitos e muitos anos, não é fácil de retomá-la em outro ser. Mas ficam, de qualquer maneira, as boas lembranças dele, ficam grandes amigos dele.”

Júlio Yriarte, músico, presidente da Fundação Yaripuna



“O Rubens foi um furacão que passou por essa cidade. Realmente ele interpretava com a alma, era uma pessoa que você tinha oportunidade de ver todos os dias, ora no Manelão, ora no seu Zizi, ora no bar do João. Fez os shows que queria fazer, mas ficou com o sonho que era fazer uma seresta numa balsa descendo o Rio Madeira. Mas tenho certeza que mesmo assim, não podendo realizar esse sonho, ele nos deixa com felicidade porque fez muitos amigos. É uma lacuna que vai ficar aberta na noite.”

Carlinhos Maracanã
, músico e agitador cultural


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