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Porto Velho,  qua,   25/novembro/2020     
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Sandra Moraes retarda votação de projeto que limpa cidade de ‘sujeira eleitoral’

31/7/2007 20:55:55
Por Aldrin Willy
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Proposto pelo presidente da Câmara, projeto que proíbe pintar nome de candidato em muros de Porto Velho causa rebuliço entre os vereadores. 


 A sessão plenária do dia 19 último da Câmara dos Vereadores de Porto Velho foi marcada por acalorado debate em torno do projeto de lei que proíbe pintar nome de candidato em muros da cidade.

O projeto, de autoria do presidente da Casa, vereador Hermínio Coelho, propõe que seja proibido a pintura de nomes de candidatos em muros, casas e outros prédios da cidade, públicos ou privados.

A proposta gerou uma alentada discussão entre os parlamentares. De um lado, vereadores como Ramiro Negreiros, Paulo da Condor e Sandra Moraes faziam árduo ataque ao projeto. Hermínio, Wildes, Kruger Darwich e Juarez Taques faziam as vezes de advogados da proposta que pretende pôr fim à “sujeira eleitoral” que enfeia a cidade.

O vereador Ramiro Negreiros foi o primeiro a tomar a tribuna para criticar o projeto que, segundo ele, “acaba com o pouquinho de direitos que ainda temos”.

Seu principal argumento foi um tanto estranho. “Quando eu e meu irmão éramos pequenos lá na Paraíba vimos o deputado falando e com seu nome pintado no muro... Eu e meu irmão pensamos: será que um dia nós também teremos nosso nome pintado no muro? E graças a Deus, em Rondônia, tivemos a honra de ter nossos nomes pintados nos muros”, contou Negreiros.



IGUALDADE

Uma das preocupações que levaram o presidente da Casa Hermínio Coelho a propor o projeto foi quanto à desigualdade da concorrência durante a campanha. Candidatos com maior poder aquisitivo têm condições de pintar maior número de muros, em contraposição aos candidatos pobres, o que geraria um desequilíbrio na disputa.

Alegando defender um direito dos candidatos mais pobres, Paulo da Condor disse que o projeto tira dos candidatos menos afortunados uma de suas poucas ferramentas para se fazerem conhecer diante do eleitor.

“Muitas pessoas só vieram a saber que eu era candidato depois que viram meu nome pintado num muro”, disse Paulo da Condor. O vereador afirmou que conseguiu, de graça, dois mil muros para estampar sua campanha na última eleição. Sua experiência, argumentou, praticamente elimina o caráter mercantilista da pintura em muros. “Imagine os candidatos sem mais condições, então, como vão ficar para divulgar sua candidatura se não tiverem mais esse recurso?”, questionou.

Wildes do Sintero respondeu da Tribuna: “Se o senhor se preocupa com os mais pobres, então vote a favor do projeto, vereador”. “Com certeza, quem tem mais dinheiro terá mais muros pintados com seu nome e, consequentemente, maior chance de ter seu número memorizado na cabeça do eleitor”, retorquiu Wildes. “Temos de primar para que o eleitor lembre de seu candidato não pelo nome no muro, mas pelas idéias e propostas que defende”.



COMPRA DE VOTOS

A pintura em muros não causa apenas desequilíbrio na disputa eleitoral entre os candidatos mais abastados e os mais pobres. Há também a questão relativa à compra de votos possibilitada por essa prática. Essa preocupação foi levantada pelo vereador Kruger Darwich em sua fala da tribuna da Câmara. Ao afirmar que “ninguém consegue dois mil muros de graça”, Kruger deixou em uma saia justa o vereador Paulo da Condor, que havia afirmado momentos antes ter conseguido o feito em sua campanha.

Estava criada a disputa verbal entre os dois.

— Então o senhor está dizendo que eu comprei os muros para pintar? — indagou Paulo da Condor, irritado.

— Não vereador, não foi isso o que quis dizer. — respondeu Kruger.

— Mas o senhor disse que ninguém consegue dois mil muros de graça, tem que comprar. Mas eu consegui!

— Vereador, se o problema são os dois mil muros, então peço que retifiquem o que eu disse: três mil muros, quatro mil muros. Pronto, agora não tem mais problema.

Satisfeito com a solução de Kruger, Paulo da Condor acabou deixando de lado o microfone de apartes, pondo fim ao confronto entre os dois.



MURO NÃO DÁ VOTO

Vítima de brincadeiras de alguns de seus colegas pela modesta campanha que teve – com a qual acabou se elegendo –, o vereador Juarez Taques arrebatou a atenção de todos. “Muro não dá voto pra ninguém! O que dá voto é trabalho, trabalho e trabalho”, extravasou Taques da tribuna.

Contente com o debate que seu projeto despertou no plenário, contrariando as habitualmente mornas sessões da Câmara, o presidente Hermínio se deu por satisfeito com as discussões e daria início à votação do projeto.

Mas a votação foi interrompida antes mesmo de iniciar. Hermínio teve de apreciar um pedido de vista da vereadora Sandra Moraes, umas das oposicionistas ao projeto. Posto em votação pelo presidente, o pedido de vista de Sandra Moraes acabou sendo aprovado por sete votos a cinco. E junto com ele adiou-se a possibilidade de Porto Velho extirpar de vez a praga da poluição eleitoral que tanto suja a já pouco limpa capital do estado de Rondônia.


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