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Porto Velho,  ter,   31/março/2020     
reportagem

Preparem-se! Porto Velho vai viver um novo caos

31/7/2007 20:44:28
 
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A construção das hidrelétricas do Madeira e do Jirau levará Porto Velho a sofrer um novo caos. A cidade não tem infra-estrutura para suportar a nova onda migratória que virá por aí. 


 Porto Velho não deveria se exceder nas comemorações pela licença para as construções das hidrelétricas no Rio Madeira. As hidrelétricas de Santo Antonio e Jirau, obras incluídas no PAC do governo federal, não foram projetadas para resolver os problemas de Rondônia e muito menos os de Porto Velho. Elas foram boladas para não atrapalhar os planos de Lula de fazer o sucessor.

Lula tem uma blindagem extraordinária para sair imune das crises. Sua popularidade não se abala com o mar de lama da política e nem com o chamado “apagão aéreo” que, afinal, só atinge mesmo, de forma direta, brasileiros que usam avião como meio de transporte. Mas o Planalto sabe que o mesmo não ocorreria se o país tivesse de enfrentar um racionamento de energia. Um apagão energético seria uma tragédia para os planos de Lula. Sem energia o governo não teria como chegar a meta de crescimento de 5% ao ano prevista no Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC.

As hidrelétricas de Santo Antonio e Jirau, no rio Madeira são para evitar o apagão energético, gerando 6.450 megawatts, o equivalente à metade da energia gerada por Itaipu. A decisão de construir estas usinas – que o governo acredita pôr em funcionamento até 2011 – nunca levou em consideração a opinião de políticos, líderes sociais ou outros membros da classe dirigente rondoniense. E, embora os políticos locais não admitam, não há nenhuma garantia de que o consórcio responsável pela construção ou operação deste complexo terá qualquer obrigação de, em contrapartida, resolver os graves problemas vividos pelos moradores de Porto Velho.


PESADELO E NÃO SONHO

As mensagens veiculadas na mídia e especialmente na TV deixam claro a intenção dos dirigentes públicos de negar à população informações necessárias para se compreender os efeitos imediatos dos impactos desse projeto na vida urbana dos rondonienses e especialmente dos moradores de Porto Velho. Nas mensagens, pequenos empresários locais dão depoimentos sonhando com rios de dinheiro que inundaram o estado, seguindo a mesma tônica dos discursos do prefeito, que vende a idéia de que Porto Velho irá contar com apoio especial para resolver os seus problemas, realizando as obras estruturais que necessita há décadas e sem as quais não terá como suportar uma nova leva de migrantes e um aumento populacional sem entrar num verdadeiro pandemônio urbano.

A alegria desses “empresários” deslumbrados com “os bilhões” que serão investidos na construção das hidrelétricas vai durar pouco. Só até descobrirem que essa montanha de dinheiro nem chegará a Rondônia, pois ficará nos grandes centros comerciais e financeiros do país. Irão se frustrar quando descobrirem que as grandes compras de produtos ou serviços serão feitas fora do estado.

FANFARRONICE

No afã de espalhar a idéia de que as hidrelétricas do Madeira representam um bem enorme para Porto Velho, nossos dirigentes máximos usam a fanfarronice para aliciar a maioria do povo e fazem isso aliados a organizações civis, incluindo representantes do comércio e da indústria. Nossos políticos – a maioria de pouca cultura – proclamam que as UHEs de Santo Antônio e Jirau são a salvação de Rondônia e de grande parte da região norte.

Isso é uma simples mistificação. As hidrelétricas são fundamentais para evitar o colapso da economia brasileira, especialmente da parte industrializada do país, mas para nosso estado e especialmente para o município de Porto Velho determinarão profundas conseqüências fundiárias e sócio-econômicas, levando ao caos a frágil qualidade de vida de quem mora na capital e a quase um colapso os precários serviços públicos existentes que não atendem a demanda existente hoje.

É pura fanfarronice oficial as promessas de preparo da mão-de-obra local para que os desempregados de hoje sejam colocados no quadro de operários que irão construir o projeto. As empreiteiras certamente não contratarão pessoas sem qualificação e larga experiência comprovada em suas funções.

Porto Velho poderá conviver novamente com novos focos de conflitos na ocupação da área urbana com a chegada de levas e levas de novos migrantes que para cá virão atraídos por esse empreendimento, como ocorreu no passado em função do garimpo.

O trânsito de Porto Velho já é caótico hoje. Com o mega-empreendimento energético deverá se tornar ainda mais infernal, principalmente porque nossa prefeitura não demonstra nenhuma condição de tomar providências para evitar isso.

Quando o prefeito fala em preparar o setor produtivo para atender a demanda que o mega-projeto energético vai gerar, o que se ouve são meras suposições.

É ingenuidade imaginar que os construtores desse projeto vão “comprar milhares de camas e colchões” no comércio de Porto Velho. Isso é uma falácia tão grande como imaginar que o cimento a ser utilizado na construção das barragens será comprado no comércio local.

DELÍRIO DE PODER

Políticos como o prefeito de Porto Velho e lideranças agrupadas em torno de uma entidade “Pró-Hidrelétrica” vivem um autêntico delírio de poder, imaginando que terão como exigir do consórcio construtor do mega-projeto, ou do próprio governo federal, investimentos em obras estruturantes na capital e no estado, sem as quais não haverá como garantir qualidade de vida aos atuais e novos moradores de Porto Velho.

É claro que aliciada pelas velhas e conhecidas promessas de progresso para todos, pelos discursos simplistas e demagógicos de nossos políticos, a opinião pública está sendo cada vez mais refratária às opiniões que vaticinam o aumento do campo de desordem econômico e social existente nos dias atuais.

Não há, entretanto, nenhuma garantia de que o Fundo de Compensação e de Mitigação dos Impactos, para construir a infra-estrutura das zonas urbanas, venha mesmo a existir. E sem a construção dessa infra-estrutura apenas um punhado de pessoas terá ganhos extraordinários com a vinda das usinas.


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