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Porto Velho,  seg,   9/dezembro/2019     
opinião

Editorial: Pouco se faz e tudo se promete

7/7/2007 16:38:30
Imprensa Popular
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A adoção de uma tática política de manter no cabresto os mais pobres com as bolsas assistencialistas, leva os partidários do prefeito a crer numa liderança capaz de lhe conferir um segundo mandato. 


 O prefeito Roberto Sobrinho jurou, quando tomou posse, defender os compromissos de campanha. Portanto, imaginava-se que ele “e a Cláudia” iriam transformar Porto Velho numa cidade bem tratada, algo do qual os cidadãos da capital rondoniense já estavam desabituados, conseqüência de várias administrações desastradas.

Nós aqui de Imprensa Popular acreditamos nas transformações anunciadas e pelas quais assumimos claramente apoio à eleição do alcaide no segundo turno. “Uma cidade de todos”, imaginamos, faria de Porto Velho uma cidade com vias arborizadas, sem lixo nas ruas, com calçadas onde pedestres (incluindo idosos e pessoas com limitações físicas) pudessem caminhar sem sobressaltos, com um sistema de saúde mais eficiente e humano, melhor segurança e sobretudo com um desenvolvimento econômico nos moldes do apresentado pelo prefeito durante a campanha, garantindo-se a geração de empregos, a democratização das oportunidades, o apoio à juventude e a melhoria de qualidade de vida de todos os cidadãos.

Na verdade, pouca coisa dos compromissos de campanha se concretizou até agora. Tivemos duas praças centrais reformadas com recursos privados. Foram reformas capengas, onde um dos itens comuns a este tipo de logradouro – a abundante arborização – sequer foi observado. A sede da prefeitura consumiu muitos milhares de reais numa reforma que praticamente em nada modernizou o melhorou o paço, a não ser por um revestimento metálico externo nas suas colunas.

A obra principal e mais impactante inaugurada nessa administração, a Maternidade Municipal, foi herdada de prefeitos anteriores e antes de servir ao povo consumiu mais uma pequena fortuna com uma reforma.

Promessas como as ciclovias, usina de tratamento de lixo, núcleo poliesportivo, nova rodoviária, melhorias no setor de lazer, teatro municipal, valorização da cultura, melhoria no setor de feiras-livres; tudo isso não passa, até agora, de promessas.

Porto Velho se mantém como uma cidade administrada sem capricho, maltratada pela omissão de seus últimos prefeitos, sempre desafinados com o verdadeiro interesse público.

Algumas demandas cobradas extenuantemente por Imprensa Popular começaram a ser atendidas agora – como a redução do número de placas e de out-doors que contribuíam para a excessiva poluição visual de Porto Velho, revelando um contraste ainda mais chocante da situação de desmazelo provocado por uma outra praga dessa capital, como são os terrenos baldios.

Sinceramente o prefeito Roberto Sobrinho dá margem a críticas até pelo que está fazendo, pois são obras de qualidade duvidosa, como é o caso do recapeamento da avenida Amazonas com um tipo de asfalto irregular, que gera irritação dos motoristas que por ali trafegam. Imprensa Popular prefere, no entanto criticar a administração pelo que ela poderia estar fazendo e não faz.

As ações de governo que Roberto Sobrinho apresentou durante a campanha não passaram, até agora, de planos que não saíram do papel, como o fabuloso anel viário, como os corredores do transporte coletivo, como o restaurante popular, o asfalto comunitário, os centros de lazer e vai por ai afora.

O Roberto Sobrinho que se projetou na vida pública por liderar manifestações de segmentos organizados como o dos professores não existe mais. Ao assentar-se no poder municipal de Porto Velho assumiu a posição tácita de que tudo está bem, de que o município da capital está indo pra frente e governa, graças a essa posição, sem aporrinhações e sem enfrentar marolas. Não fez e não tem vontade de fazer nenhuma reforma marcante. Não assume qualquer ato se houver o mínimo risco de ser demonizado por fazer cumprir as leis.

Esse é um prefeito muito parecido com seus antecessores. Ele se anestesiou e não consegue reagir à pouca vergonha dos especuladores imobiliários que mantém em pleno centro da capital vários terrenos baldios sem qualquer cuidado. Para afirmar-se como um prefeito cordial, nosso prefeito aceita como normalidade a invasão de áreas públicas por barraqueiros e comerciantes como se estivesse inventando uma nova forma de governo bonapartista, o “bonapartismo vaselina”. O antigo agitador que gritava palavras de ordem à frente de manifestações de servidores públicos não luta mais contra nada. E com o seu beneplácito que a burguesia mantém suas práticas contra o código de postura da cidade, contribuindo para manter Porto Velho com as características de um imenso arraial de aventureiros, uma cidade onde as normas do urbanismo sadio não têm qualquer importância.

Tirando a construção de um centro de treinamento de professores construído num local aparentemente impróprio e uma luxuosa sede da Secretaria Municipal de Obras, praticamente nada mais importante se fez, a não ser um pouco de asfalto novo – pelo mesmo sistema antigo em que se preparava pontes para o nada e escuridão para todos. A desculpa para um governo tão incapaz de resgatar as antigas aspirações da cidade, com obras capazes de modernizá-la e inserindo-a no contexto das melhores capitais vem sempre acompanhada da desculpa de que o município não tem dinheiro para executar nada, uma contradição para quem se vangloriou tanto de sua proximidade com o poder público federal no decorrer da campanha.

O prefeito Roberto Sobrinho mais parece hoje um político sem programas, do tipo que acredita que tudo nessa cidade se resolverá por si mesmo, como um reflexo daquilo que está por vir como as hidrelétricas do Madeira, o gasoduto de Urucu, as pontes (ah, as pontes tão faladas desde as duas últimas eleições!), etc, etc, etc. Daí, talvez, a facilidade das novas promessas para quem até agora pouco fez sobre os compromissos assumidos anteriormente.


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