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Porto Velho,  qui,   19/setembro/2019     
reportagem

O libanês Hijazi atribui culpa aos Estados Unidos

6/8/2006 23:16:34
Por Imprensa Popular
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O alinhamento incondicional de Washington com Israel é o que impede o cessar-fogo imediato e permite que crianças e mulheres libanesas continuem sendo massacradas. 


 Mohamad Hijazi não atribui ao povo judeu a culpa pelo que seu país vem sofrendo com os constantes ataques desfechados por Israel. Ele recebeu Imprensa Popular na sua lanchonete, no centro de Porto Velho, para falar de sua angústia “com a destruição do Líbano” pelos “covardes ataques desferidos por tanques e mísseis israelenses”, especialmente porque “porque a política externa dos Estados Unidos se tornou um mero apêndice da política externa de Israel”.

Há exatos 50 anos, em julho de 1956, o então presidente americano Dwight D. Eisenhower interrompeu uma guerra: Israel, Grã-Bretanha, França disputavam com o Egito o Canal de Suez. A crise foi desencadeada pela decisão do presidente egípcio Gamal Abdel Nasser de nacionalizar o canal, administrado por britânicos e franceses. Em vez de usar a força militar, Eisenhower insistiu na diplomacia. E quando israelenses, franceses e britânicos atacaram o Egito, em outubro, os EUA obrigaram-nos a recuar e a voltar às negociações. Desde então, a influência franco-britânica na região desapareceu para dar lugar à disputa entre americanos e soviéticos.

Na opinião de Hijazi, Israel e os EUA aprenderam pouca coisa com os erros do passado na região. Em 1982, os israelenses invadiram o Líbano para expulsar os guerrilheiros da OLP, mas a ocupação prolongada produziu o terrorismo islâmico dos homens-bomba. Em 2003, os EUA atacaram o Iraque para fazer uma reordenação geopolítica regional, reformando o Oriente Médio pela força. O resultado foi uma guerra civil que transformou o Iraque num verdadeiro campo de treinamento da Al Qaeda. Hoje, a ofensiva israelense no Líbano e na Faixa de Gaza fortalece os piores inimigos do Estado judeu – o Hezbollah e o Hamas –, que querem riscar Israel do mapa. Também reforça a intenção do Irã de levar adiante seu programa nuclear – o mundo islâmico não se esquece que Israel possui suas bombas atômicas, com a complacência dos EUA. E permite que a Síria tente retomar sua influência no Líbano.

HEZBOLLAH É PATRIOTA


Na visão do libanês que mora há dezenas de anos em Porto Velho, o Hezbolla não é “uma facção terrorista”, como diz Israel. “É um grupo patriota que vive no sul do Líbano e que não sai por ai invadindo países ou promovendo ataques terroristas contra outras nações”, explica Hijazi.

Emocionado, continua seu depoimento: “O Hezbollah é um grupo patriota, é na verdade o defensor da fronteira do Líbano. Mas é também um partido político com 14 deputados no parlamento do meu país, um grupo que trabalha pelo social, construindo escolas, hospitais, ajudando o povo pobre muito mais do que o governo libanês. Eles tem legitimidade popular. O Líbano não tem Exército, tem o Hezbollah”.

Sobre os dois soldados israelenses seqüestrados, Hijazi explica que “ninguém entrou em Israel para seqüestrar soldados”. Foi, de acordo com ele, “o exército israelense que invadiu a fronteira do Líbano e o Hezbollah apenas defendeu a área que é sua casa”.

NÃO É UM ESTADO

Mohamad Hijazi não tem nutre ódio aos judeus, mesmo assim afirma que não aceita a existência de Israel como um “Estado”. Ele ainda guarda mágoas das demarcações aleatórias feitas pelos europeus ao fim da I e da II Guerras, e por isso sentencia: “A terra onde está Israel foi roubada dos palestinos. Isso aconteceu em 1948, quando os ingleses ao contrário de dar independência à Palestina, acabou apoiando a decisão do brasileiro Graça Aranha, então chefe da ONU, que criou o Estado de Israel”.

Pelas explicações de Hijazi percebe-se que há duas concepções irreconciliáveis naquela região. Para os judeus, Israel foi um milagre, a recuperação de sua terra ancestral após 2 mil anos. Para os árabes, foi a continuação de uma política colonizadora estrangeira que vinha dos turcos e que depois passou por ingleses e franceses.

PAZ É DIFICIL

O problema para a paz no oriente médio, na visão de Mohamad Hijazi, são os interesses das grandes potências, especialmente sobre o petróleo. Os conflitos “são muitas vezes inventados”, explica, “para mexer na cotação do petróleo e permitir que as grandes potências ganhe fortunas com isso”.

Hijazi lembra que na primeira Guerra do Golfo a Síria participou da primeira coalizão contra Saddam. Agora, quando Bush alinhou esses países no Eixo do Mal, ele deu o sinal de que eles poderiam ser atacados, e deu força ao discursos dos líderes mais radicais, ligados às classes mais pobres e mais revoltadas.

A paz, diz o libanês rondoniense, é conseqüência da verdade e da justiça e em relação ao conflito entre Israel e o Líbano, nem a verdade e muito menos a justiça foram alcançadas. Mas é preciso lembrar que os últimos 50 anos de hostilidade se assentam sobre séculos de convivência pacífica entre os dois povos. A paz é possível, mas tem de haver um processo simultâneo de instalação de um Estado palestino acompanhado pelo reconhecimento de Israel pelos vizinhos.

UMA OBSCENIDADE


Hijazi disse ter conversado recentemente com um judeu sobre o que está acontecendo com o Líbano e ouviu de seu interlocutor expressões de indignidade com as cenas dos mortos pelos ataques israelenses. Para ele, isso demonstra que “só quem tem um coração de pedra” pode ficar insensível “às atrocidades” provocadas pelo bombardeio israelense.

Israel joga mísseis fornecidos pelos Estados Unidos sobre crianças e velhos do Líbano e isso nos revolta, acentua Mohamad apreensivo com a sorte de seus parentes lá no Líbano. Ele pergunta: “O que, em nome de Deus, fizemos para merecer isso!”. Por que a ONU não faz nada? Por que só os Estados Unidos podem decidir quando a selvageria de Israel terá de acabar? São perguntas feitas por Hijazi, para as quais nenhuma resposta pode ser satisfatórias.


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