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Porto Velho,  ter,   17/setembro/2019     
política

Camurça adota o estilo “paz e amor”

24/7/2006 00:08:24
 
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O ex-prefeito de Porto Velho, Carlos Camurça, acabou sendo confirmado como candidato ao governo do estado pelo PSB. E decidiu adotar um discurso de conciliação para disputar o lugar hoje ocupado pelo pepessista Ivo Cassol. 


 Ninguém botava muita fé na candidatura de Carlos Camurça ao governo do Estado. Achava-se que no máximo ele tentaria o senado – numa coligação de vantagens incontestes – ou então seu retorno à Câmara dos Deputados, onde exerceu dois mandatos. No entanto camurça conseguiu compor uma coligação forte, onde os cargos majoritários serão defendidos por outros ex-prefeitos, como ele. Assim, ele tem como vice a ex-prefeita Inez Zanol, de Pimenta Bueno, e o ex-prefeito Acir Gurgacz, de Ji-Paraná, como candidato ao Senado.

A principal mudança em relação a Camurça se deu, pelo visto, no estilo de fazer política. Ele que não tinha papas na língua para criticar outros políticos – quando era prefeito – que negavam, como dizia, apoio à sua administração, iniciou esta campanha num tom conciliador, como deixou claro não só em sua conversa com Imprensa Popular, mas também no primeiro encontro dos candidatos promovido pela seccional rondoniense da OAB, no último dia 13.

TORCENDO PELO ROBERTO

Ao iniciar sua entrevista a Imprensa Popular o ex-prefeito Carlos Camurça já começou a demonstrar o estilo “paz e amor” que pretende adotar nessa campanha. Falou primeiramente do prefeito Roberto Sobrinho que está fazendo, em sua opinião, “um bom trabalho, levando-se em consideração as dificuldades existentes para se administrar um município como Porto Velho”. Para ele seu sucessor “está passando pelos mesmos entraves e dificuldades” que conheceu de perto nos seis em que comandou a prefeitura da capital.

“Ele está encontrando aos poucos o caminho para ir atendendo aquelas promessas de campanha”, disse o agora candidato ao governo, para afirmar que torce pelo sucesso da administração petista, “porque nós queremos o melhor para a capital do estado”.

Mesmo com toda essa diplomacia, Camurça acha que “como o Roberto Sobrinho tem o benefício de contar com um presidente da República de seu partido e, conseqüentemente, com a boa vontade de todos os ministros, além de uma ampla bancada no Congresso”, o prefeito de Porto Velho já poderia estar fazendo mais.

RESPEITO AOS ADVERSÁRIOS


Como candidato ao governo Camurça é categórico: “Respeito meus adversários, todos eles!”. E depois dessa exclamação, acabou ampliando: “Não vou fazer uma campanha suja, vou fazer uma campanha limpa, alegre, bonita, ética; uma campanha de proposta, afirmativa. Eu vou mostrar para a população que precisamos de um governo capaz de exercer o poder democraticamente, sem o centralismo de hoje. Um governo, para executar um programa de desenvolvimento para todos, tem de chamar a sociedade, o empresariado, as lideranças e a classe política para que sejam parceiros do Estado”.

Mesmo admitindo ter como alvo principal durante a campanha a oposição ao governador Ivo Cassol, o ex-prefeito disse a Imprensa Popular estar propondo “uma verdadeira revolução no diálogo político”. E assim Camurça explicou: “Não falo mal de ninguém, não preciso disso, estou em um novo estágio político da minha vida porque estou me preparando para ir para o Executivo estadual. Quem quer ser governador tem de conversar com todas as forças políticas, visto que vai precisar de todas. Se eleito governador, qualquer deputado que queira levar uma barra de sabão para Rondônia será recebido com festa, seja de qualquer partido político. Eu preciso ajudar a população a construir um estado forte, poderoso, além de melhorar a qualidade de vida da população. Essa é a minha missão. Hoje sou um homem de diálogo, do entendimento. E vou manter essa postura daqui para frente”.

SEM PRESSÃO IDEOLÓGICA


Carlos Camurça conseguiu seu primeiro mandato político com o apoio das “forças de direita”. Agora tenta chegar ao governo numa composição de partidos tidos de esquerda como o PSB e o PDT. Para ele isso não representa nenhuma contradição:

— O povo não está mais preocupado com isso. A população quer mais da classe política e isso está correto. Ela tem que exigir porque a classe política tem que dar resultado agora. Acabou aquela pressão ideológica que tinha antigamente, que separava direita e esquerda. O muro de Berlim caiu. O que a população quer quando vota em seu representante, do vereador ao presidente, é uma política de resultados. E qual é a política de resultados? Primeiro visa emprego. O cidadão quer emprego para si próprio e para sua família, quer a saúde funcionando, quer o transporte coletivo funcionando, quer a educação funcionando. Cobra resultado. Aquele político que não trabalhar acaba perdendo ponto perante a sociedade. É o que está acontecendo hoje com a classe política, que não está conseguindo manter a expectativa que vem da eleição. As promessas são muito grandes e, depois de eleito, tanto o deputado, o vereador, o presidente, acabam não correspondendo. Eu vejo nessa eleição que a rejeição à classe política nunca esteve tão grande, e isso me deixa preocupado.

HOMEM DE REALIZAÇÕES

Carlinhos Camurça considera-se um homem de realizações. Garante que não fará nesta campanha nenhuma promessa mirabolante. Vai ser uma eleição de idéias, não de promessas. É muito fácil prometer 20 mil casas, 100 mil casas e milhares de empregos. Mas a população está alerta para esse tipo de político, explica.

Nem por isso vai deixar de falar de suas realizações quando esteve à frente da prefeitura da capital. “Nós conseguimos mudar a fisionomia de Porto Velho, antes uma cidade muito suja e feia, com muitos problemas de esgotos. Então fizemos um grande trabalho de conscientização do povo e a cidade começou a mudar. Fizemos mais de 400 quilômetros de asfalto; mais de 190 quilômetros de drenagem. Abrimos dezenas de canais que pareciam um câncer dentro de determinados bairros da periferia. Com o trabalho que fizemos como prefeito geramos milhares de empregos”, destacou.

Ele se deteve de modo especial para falar do Projeto Beira Rio e da Maternidade Municipal. “No caso do Beira Rio, uma das melhores alternativas para desenvolver a capital, vimos a oposição trabalhar contra e emperrá-lo. Se Deus quiser, vou tocar ainda esse projeto como governador do estado. No caso da Maternidade Municipal terminei-a com muita luta, ao longo de quatro anos, construindo sua obra física com pequenas parcelas de recursos. Quando entreguei o cargo, deixei no caixa todo o recurso necessário para a compra dos equipamentos, pois foram recursos que consegui no mês de outubro, quando já não seria conveniente fazer uma licitação”.

O ex-prefeito está convencido de ter realizado uma grande gestão na capital. “Foram muitas obras fundamentais, como a Biblioteca Municipal, as 40 máquinas compradas para a Secretaria de Obras, o Mercado do Quilômetro Um , só para citar algumas”, acentuou.

Certamente é por tantas realizações que Camurça não recebe críticas da população. Pelo menos foi isso que ele garantiu a Imprensa Popular.

MANSÃO CINEMATOGRÁFICA


Entre os políticos de Rondônia e mais especificamente de Porto Velho, o ex-prefeito Carlos Camurça é disparado o dono da melhor mansão, onde mora. Mas Camurça não é o candidato mais rico, embora tenha um patrimônio vistoso de alguns milhões.

Ao falar a Imprensa Popular o ex-prefeito ressaltou: “São pessoas irresponsáveis estas que levantam dúvidas sobre a lisura do meu patrimônio. É claro que minha casa não é tão simples, mas é uma casa comum, como várias outras aqui de Porto Velho. Quem quiser ver mansões cinematográficas deve ir a Rolim de Moura (terra do governador Ivo Cassol e do Senador Valdir Raupp), Cacoal e Ji-Paraná”, ambas as cidades têm como moradores políticos importantes, que estão na disputa eleitoral desse ano.

O ex-prefeito de Porto Velho não explicou se houve um crescimento expressivo de seu patrimônio após seis anos de comando da administração da capital. Mas afirmou que não escondeu nada na declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral, “onde declarei até a propriedade de dois terrenos no cemitério”.

Tirando o aspecto “da maldade política”, somente quem “não sabe que durante 30 anos” o ex-prefeito mantém sua atividade empresarial “pode acreditar em alguma incompatibilidade” na composição desses bens. “Eu seria muito incompetente se depois de 30 anos de trabalho com minhas empresas eu não pudesse ter construído uma boa casa para morar com minha família”, assinala Camurça.

O candidato a governador do PSB lembrou a Imprensa Popular que atua como empresário no ramo de revenda de motos, na agropecuária e também atuou no setor de publicidade. “Em 28 anos de existência da minha empresa de motocicletas eu nunca mudei sua razão social. Isto é mais uma prova de como pauta minha vida, pública ou privada, pela mais absoluta honestidade”, disse.

DE 10 A 20 ANOS

“A corrupção é uma coisa detestável!”. Com esta exclamação Carlos Camurça sentencia que tudo isso que está acontecendo no Brasil vem de longe, “e só aparece com a força de hoje, porque vivemos numa democracia”. O candidato a governador do PSB considera que “esta situação aos poucos vai mudando” e daqui 10, 15 ou 20 anos “quem for participar da vida pública vai ter de pensar duas vezes sobre como agir, pois só irá ficar no cenário político quem tiver condições de trabalhar com total transparência”.

Camurça acredita que “o povo vai avaliar com mais rigor os políticos” nas eleições desse ano. Mas a situação só vai mudar de forma concreta e com profundidade quando o povo passar a se importar realmente com o que acontece na política. “Hoje, lamentavelmente, o povo acha que seu papel político é ir votar de 4 em 4 anos e pronto. Claro que o próprio governo alimenta essa ignorância geral, mas as pessoas não podem engolir as coisas assim. Toda essa corrupção não vai acabar se as pessoas não mostrarem que não querem mais isso”, enfatizou.

(Publicado na edição nº 85, de 18 a 30 de julho de 2006)


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