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Porto Velho,  sáb,   25/janeiro/2020     
política

Encontro mostrou o tom da disputa

23/7/2006 23:36:41
Por Aldrin Willy
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O encontro promovido no último dia 13 pela OAB entre os candidatos a governador do Estado mostrou o tom que será dado à disputa eleitoral deste ano: a cobrança maior pela ética na política. 


 Imprensa Popular deixou de circular na semana passada justamente esperando pelo evento que, já há alguns anos, funciona como o marco inaugural da disputa pelo poder no Estado. Seria inócuo lançar uma edição de IP antes do encontro entre os candidatos promovido pela seccional rondoniense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em razão do “Ato Cívico pela Ética e contra a Corrupção” – uma campanha feita em parceria com a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e demais entidades representativas da sociedade civil. Seja qual fosse o tema central de Imprensa Popular, ele seria ofuscado pela proeminência que o encontro entre os candidatos ganharia nos colóquios do povo no dia seguinte. Por isso, com perdão do lugar-comum, para não chover no molhado, optamos por lançar a nossa próxima edição (esta) após a primeira mostra do embate entre os candidatos.

O Ato Cívico pela Ética e contra a Corrupção juntou na sede da OAB-RO todos os candidatos a governo – com exceção de Amir Lando, que estava em Mato Grosso, em razão da CPI das Sanguessugas da qual é relator. Em seu lugar, veio o deputado federal Hamilton Casara, candidato a vice na chapa de Lando. Também os candidatos ao Senado e os presidentes regionais dos partidos políticos lá estiveram. Juntos todos assinaram um termo de compromisso no qual prometem agir com decência na disputa eleitoral, algo que não tem nenhum efeito prático, mas serve como consolo psicológico para que algumas pessoas possam dizer “pelo menos eu tentei”. Também subscreveram o documento o anfitrião, dr. Orestes Muniz, presidente regional da OAB; Dom Moacir Grechi, arcebispo de Porto Velho; dr. Silvio Amorim, procurador eleitoral; dr. Álvaro Kálix Ferro, presidente da Associação dos Magistrados de Rondônia; entre outros.

PERGUNTA INCÔMODA

Um clima de constrangimento entre os candidatos pairou no ar quando o procurador Silvio Amorim, no discurso de abertura, disse em tom de desabafo “quantas vezes mais seremos enganados?”. Decerto essa será uma difícil linha de atuação. Praticamente todos os pretendentes ao Palácio Getúlio Vargas terão de lidar, uns mais, outros menos, com as cobranças sobre seu comportamento nos cargos que ocuparam – cobranças que aumentam vertiginosamente em tempos eleitorais. Pelo menos aí se vê uma vantagem de candidatos novos, anônimos ao grande eleitorado, como é o caso do professor da Universidade Federal de Rondônia, Adilson Siqueira, que concorre a governador pelo PSOL, partido da senadora e candidata à Presidência da República Heloísa Helena.

Marcado pela forte presença de claques – uma delas ovacionando Fátima por qualquer gesto ou frase – o “debate” deu uma dica de como os adversários de Cassol pretendem questioná-lo e criticá-lo. Mais de uma vez ouviu-se dizer sobre a “falta de planejamento” com que, no dizer dos adversários, o governo é conduzido. Outro argumento foi o de que “promessas não estão sendo cumpridas”, como disse o candidato professor Adilson Siqueira.

Mas Ivo contra-atacou. Logo em sua fala inicial – entre os candidatos foi o primeiro a falar – lançou um dardo contra o PT e ouviu as vaias da claque que ocupava cerca de um quarto do auditório. Depois, respondendo a uma insólita pergunta sobre lazer – incorporar o tema lazer num encontro com pretendentes a governador mesmo sabendo dos problemas mais sérios que acometem Rondônia é algo, no mínimo, descabido – Cassol fugiu um pouco ao escopo da pergunta e desferiu contra seus detratores: “A ética começa com o respeito ao tempo”. O disparo era direcionado a todos, mas mirava em especial à candidata petista Fátima Cleide, que durante o encontro estourou o tempo a que tinha direito de se manifestar.

NADA INOVADOR

Outra coisa que ficou patente no encontro promovido pela OAB foi a desoladora constatação de que não temos nada de inovador no plano das idéias para se alavancar o Estado. O discurso dos pretendentes foi eivado de nulidades e idéias que, de tão repetidas, perderam todo o sentido. Talvez pelo revestimento acadêmico, o que melhor se saiu, na opinião de boa parte dos que assistiram ao encontro, foi o professor Adilson Siqueira. Mas mesmo ele, logo no início, esqueceu-se de que agora concorre ao governo e literalmente deu uma aula, como o faz na Universidade, sobre ética, invocando grandes filósofos, como o alemão Martin Heidegger (1889-1976). Nada contra a explanação didática da filosofia, mas quando o que se pretende conseguir é voto, o político precisa falar numa linguagem que o povo entenda.

(Publicado na edição nº 85, de 18 a 30 de julho de 2006)


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