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reportagem

Não se ensina mais aos filhos o respeito aos outros

23/7/2006 23:19:42
 
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Os pais deixaram de se preocupar em transmitir a seus filhos valores éticos e morais, pelo exemplo e pela palavra. 


 Ao lado da crise da educação escolar estamos convivendo com outra que, sem dúvida, tem interferência na primeira: a crise da educação familiar. Temos assistido ao triste espetáculo da desagregação familiar com graves conseqüências na educação dos filhos. A maternidade e paternidade responsáveis fragilizaram-se. A educação dos filhos, que começa no lar, perdeu os alicerces. Não se ensina mais aos filhos o respeito aos outros, à família e a si próprio e os valores morais e éticos, que vão balizar suas vidas. É de estarrecer a maneira pela qual os filhos se dirigem aos pais, agredindo-os com palavras de baixo calão, faltando-lhes com o respeito e consideração. Os pais deixaram de se preocupar em transmitir a seus filhos valores éticos e morais, pelo exemplo e pela palavra.

Os jovens constituem suas famílias sem se prepararem para o exercício da maternidade e paternidade responsáveis e vão repassando para seus filhos a educação familiar que receberam, ou melhor, a deseducação familiar recebida. Os pais modernos não têm o respeito de seus filhos, até porque não lhes ensinaram a respeitar. E o desrespeito atravessa as paredes da casa e se manifesta na escola, no trabalho, nos logradouros públicos, na condução, nas relações pessoais, no quotidiano. As discussões desrespeitosas entre pais e filhos, entre empregador e empregados, entre professores e alunos são comuns, corroendo a relação de respeito que deveria ser preservada e cultivada. Recente pesquisa nacional corrobora essa triste realidade, mostrando que os educadores não são respeitados nas escolas. O desrespeito vai desde a bolinha de papel jogada pelo aluno no professor ou a guerra de bolinhas de papel entre os alunos, diante do professor impotente para restabelecer a ordem. A aula é interrompida pelos celulares que os alunos levam para a escola e usam durante a aula, até à agressão com palavras e, até mesmo, física.

A imprensa noticiou, no início recentemente, o caso do professor, em Recife, que apanhou dos alunos porque interrompeu um jogo de futebol que atrapalhava a aula. Há professores que recebem ameaças dos alunos e, às vezes, até das famílias deles por causa de uma nota baixa na prova ou de uma reprovação. Outros fatos como o de uma professora da Escola Municipal Rosa da Fonseca, na Vila Militar, no Rio de Janeiro, que foi esbofeteada por uma mãe de aluno que não aceitou a lista de material pedida, ou o do GP244, em Realengo em que um traficante da área ameaçou de morte a diretora da escola, ou um recente, numa escola de periferia, em que a professora pediu para um aluno bêbado se retirar e ele voltou, armado, para ameaçá-la são mais comuns do que se imagina.

Esses são alguns episódios dos muitos que, atualmente, envolvem escolas e professores, alunos e suas famílias. A pesquisa feita pela professora Tânia Zagury, que entrevistou 1.172 professores em vinte e dois estados brasileiros, mostra que manter a disciplina em sala de aula é a maior dificuldade do professor e que os principais motivos da indisciplina em sala de aula decorrem do fato de os alunos não terem limite, serem desrespeitosos, agressivos, rebeldes, não terem recebido uma correta educação familiar, terem sido criados com excessiva liberdade familiar. É importante frisar que a pesquisa ouviu professores de alunos de todas as camadas sociais. A má educação familiar atinge todas as crianças, adolescentes e jovens, venham eles do barraco da favela ou das casas de famílias de classe média alta ou abastada, tenham eles pais analfabetos ou com pouca escolaridade ou sejam filhos de pessoas portadoras de grau superior ou pós-graduação.

Chega-se à conclusão que a falência da educação familiar não tem grande correlação com o grau de escolaridade dos pais. É resultado do despreparo das famílias para exercerem a maternidade e a paternidade em toda a sua plenitude. Refém da má educação doméstica que receberam, os pais se sentem inseguros para exercer seu papel de educadores, sem se aperceberem que estão criando crianças que vão se tornar adolescentes e jovens sem terem estruturado sua escala de valores morais e éticos que serve de bússola e compasso, sem saber respeitar para ser respeitado, sem ter noção exata de seus deveres, querendo só usufruir de seus direitos; enfim, crianças que vão se tornar jovens e adultos desajustados, revoltados e mais, que vão transmitir a seus filhos a mesma deficiente educação familiar que receberam. Dentre as várias causas que concorrem para o deficiente desempenho escolar dos alunos inclui-se a motivada pela má educação doméstica, que conduz à indisciplina, ao desinteresse.

Os professores, além das limitações de sua formação e atualização, das más condições de trabalho com salas superlotadas, com pouca carga horária de aula, desmotivados pelos aviltantes salários que recebem, ainda têm que lidar com alunos mal educados, desrespeitosos, sem limites, indisciplinados, agressivos.

Por outro lado, também encontramos professores que não sabem se fazer respeitar, que não sabem estabelecer com seus alunos regras respeitosas de convivência. A família precisa, com urgência, reassumir sua responsabilidade com a educação dos filhos, ensinando-lhes a respeitar, impondo-lhe limites, cuidando de sua formação moral e ética. Os pais precisam voltar a mostrar a seus filhos a importância do professor em sua formação para a vida, ensinando-lhes que pelo que fazem, os professores merecem respeito, reconhecimento, gratidão. E os professores devem lembrar-se sempre que sua missão é a educação integral dos alunos que lhes são confiados e que, para isso, além de sua responsabilidade de ensinar, está a de educar, e para isso devem-se constituir em exemplos vivos de respeito, de responsabilidade, de cordialidade, de compreensão, de competência profissional, de justiça, de solidariedade, de amor ao próximo.

(Publicado na edição nº 85, de 18 a 30 de julho de 2006)


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