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Porto Velho,  qua,   20/novembro/2019     
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Vereador pefelista da bancada evangélica aponta o álcool como grande vilão

18/4/2006 03:22:41
 
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O vereador Ted Wilson (PFL) quer impedir periferia de consumir álcool para reduzir a violência urbana. 


 Na cabeça do vereador protestante do PFL da capital, Ted Wilson, o maior vilão da violência urbana é o álcool. Não é, como muitos imaginavam, a falta de políticas públicas que permite a existência de crianças e pivetões transformados em flanelinhas, tomando conta de veículos em quase todas as ruas da cidade onde há aglomeração de pessoas. Não é a falta de programas de lazer, de cultura ou de esporte; de espaços de convivência comunitária, que levam cada vez mais cedo para os botecos da cidade nossa juventude por falta de qualquer outra opção. Não é a ganância dos “promotores” dessas baladas que, pelos mesmos motivos da falta de diversão sadia, arrastam os adolescentes para ambientes onde as drogas e as vicissitudes de uma sociedade cada vez mais vítima da desagregação familiar rolam soltas. Não é a falta de oportunidades de emprego, de um ensino profissionalizante e de tudo aquilo que mantém na pobreza boa parte dos moradores dessa cidade que têm no boteco o único lugar onde pode amenizar um pouco o sofrimento de uma vida sem maiores perspectivas.

O grande vilão de Porto Velho e certamente, deve pensar o vereador, das periferias da cidade é o álcool. O vereador Ted deve sonhar com uma sociedade que lote mais as igrejas e esvazie as casas noturnas e os botecos, deixando de consumir “a mardita”, a cervejinha gelada, para se abastecer nos versículos da Bíblia. Deve ser por isso que ele está tão orgulhoso de seu projeto. E quem não quiser ir para uma dessas igrejas onde a coleta é sempre pródiga para garantir a construção de verdadeiras catedrais onde são consumidos milhares de reais, que vá dormir cedo e curtir na solidão de seu quarto a desdita de viver na exclusão social.

APROVAÇÃO CERTA

As fontes ligadas à Câmara Municipal de Porto Velho afirmam que o projeto de Ted não enfrentará nenhuma resistência entre os vereadores, principalmente tendo em vista a forte influência da bancada evangélica naquela casa. Por isso, quando este jornal estiver circulando, aquela Casa deverá brindar – opa, brindar agora, só se for com refrigerante! – o povo com essa Lei feita para nocautear o grande vilão e acabar não só com a alegria dos pobres acostumados a se encontrarem nos botecos em torno de uma “loura” gelada, mas também com a violência cada vez mais crescente nesta capital.

Mas que ninguém se desespere: o projeto 2.258/06 proíbe a venda de bebidas alcoólicas só após as 22 horas, destacando que essa proibição valerá para as áreas de maior violência da capital, áreas essas que serão definidas pelo Conselho Municipal de Segurança Comunitária, um órgão ainda inexistente em Porto Velho.

Depois de a prefeitura instalar o tal Conselho e definir (dá para confiar nas estatísticas?) as áreas mais perigosas, comerciantes que venderem bebidas no varejo ou atacado para aqueles interessados em fazer uma comemoração para marcar a posição dos vereadores que mudaram o foco dos problemas da violência na cidade, involuntariamente ou de caso pensado em conquistar mais votos no redil das igrejas, poderão sofrer punição que vai de multa de 5 mil reais ao fechamento da birosca por 60 dias. Tudo isso, é claro, se houve fiscais em numero suficiente para andar nas quebradas do mundaréu proibindo o Zé povinho de tomar umas e outras.

(Publicado na edição nº 79, de 11 a 20 de abril de 2006)


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