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Porto Velho,  qua,   17/julho/2019     
reportagem

O perigoso concubinato da corrupção política e privada em Rondônia

21/12/2005 21:52:08
 
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A união de corruptores políticos e privados em Rondônia provoca prejuízos incomensuráveis, principalmente para as populações mais carentes. 


 A união dos corruptos da iniciativa privada com os corruptos da política (do poder público) nunca foi tão exposta em Rondônia como nesse ano. Essa união é antiga. Serviu para a formação de boa parte das grandes fortunas, iniciadas um pouco antes da transformação de Rondônia em Estado. Todavia, foi neste ano de 2005, graças à explosão de vários escândalos e à ação competente e corajosa de órgãos como a Polícia Federal e Ministério Público, que a população começou a demonstrar indignação com esse concubinato, por estar consciente de que o desvio de recursos do Estado para fornecedores de obras e serviços para o poder público é tão ética e moralmente condenável como a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, outra atividade que permitiu – como se afirma nas rodas domingueiras – o enriquecimento de algumas famílias no Estado, especialmente aquelas que agem na fronteira, movimentando os chamados narcodólares.

Certamente foi no ano que se encerra que o estado rondoniense conheceu mais de perto a grave e profunda crise de sua política, deformada pelos atos de corrupção e apontada como uma atividade que vem pondo em perigo o nosso desenvolvimento. Essa política é, numa análise mais detalhada, a culpada pelo aumento da pobreza, da desigualdade social e da miséria naquele que foi, até a década de 80, o Estado considerado o “Eldorado” e a nova “Canaã” para milhares de brasileiros deserdados de outras regiões do país.

Os recursos drenados para os vários dutos de corrupção no Estado, para os chamados negócios especiais, impedem que se implementem políticas públicas em favor do povo. Impedem que a reforma agrária seja uma realidade; que saúde, educação, segurança pública, transporte, habitação, meio ambiente e direitos humanos sejam tratados como objetivos fundamentais para garantir o futuro da grande maioria que vive em Rondônia, à espera de oportunidades para crescer honestamente na vida, garantindo um ambiente de qualidade para sua prole.

A sociedade rondoniense – em sua maioria – está dilacerada pelo desemprego, pela pobreza, pela violência, pela fome e pela corrupção. Mas este é um Estado novo, com enormes perspectivas de sair do buraco e por isso mesmo, debalde à perceptível revolta no seio da comunidade, ainda com esperanças de que o combate sem tréguas a esse concubinato por parte de algumas instituições públicas mude essa realidade cruel.

Uma das facetas mais positivas desse ano que se encerra para a sociedade rondoniense foi, certamente, a revelação dos métodos de fazer política não só da classe dirigente e, também, da maioria dos partidos políticos que, como de resto no Brasil, enganam o povo. Aqueles que aí estão cumprindo mandatos – em sua ampla maioria – estão desacreditados e não têm legitimidade para representar a população. São os maiores responsáveis por este misto de decepção e de tristeza popular diante da situação em que nos encontramos. De uma coisa todos nós estamos convencidos: Não dá para continuar nesse impasse. É preciso aproveitar o novo ano, quando teremos mais uma eleição, para exigir as mudanças profundas que possam fazer Rondônia crescer de novo, com uma política que gere empregos, que distribua rendas, que privilegie investimentos públicos na área social. Não há outra alternativa para a superação da miséria, da pobreza e do combate à desigualdade social.

Imprensa Popular termina suas atividades no ano de 2005 conclamando seus leitores à reflexão. Que as pessoas de bem, especialmente a juventude estudantil, o empresariado sério e os políticos comprometidos com a sociedade ajudem na organização e na mobilização da maioria do povão a gritar, através de sua manifestação eleitoral, a favor da justiça, da ética, da reativação do patriotismo, por uma Rondônia sem exclusão, sem corrupção; livre dos políticos autoritários, egocentristas, personalistas, que quase sempre enriquecem-se com o dinheiro público, canalizam as benesses do Poder para si e seus apaniguados e, lamentavelmente, encerram sua carreira sem nenhum problema legal grave. É preciso, de uma vez por todas, acabar com a impunidade contra aqueles que praticam atos ilícitos na gestão dos recursos públicos.

Isto, no caso de Rondônia, como vem demonstrando as séries de operações da Polícia Federal e do Ministério Público, não é uma tarefa impossível. Até porque os corruptos da iniciativa privada ou do poder político, crentes na eterna impunidade, deixaram pistas muito visíveis de seus erros. Desde a ostentação da riqueza vinda pelos caminhos transversos, até a lavagem do dinheiro sujo na aquisição de um patrimônio incompatível com seus passados de quem chegou aqui puxando a cachorrinha. O concubinato satânico responsável pela criança desnutrida que morre de fome nesse rico Estado brasileiro, o jovem sem emprego que morre no comércio do tráfico e da criminalidade crescente precisa, definitivamente, ser rompido.


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