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Porto Velho,  dom,   22/setembro/2019     
reportagem

Transporte: há deficiências mas a Semtran contabiliza melhorias neste ano

21/12/2005 21:37:02
 
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As disparidades sociais e econômicas de nossa sociedade se refletem nas condições do transporte de Porto Velho. Há problemas no sistema viário e no sistema de transporte público que devido às incompatibilidades entre custos, tarifas e receitas acaba perdendo confiabilidade popular sendo visto como um mal necessário. 


 As deficiências do sistema viário de Porto Velho vêm de longe. Eles são decorrentes da falta de políticas públicas e também da própria cultura do automóvel que é predominante em nosso país. Pode-se dizer que pagamos hoje o preço de vivermos numa cidade que cresceu sem um planejamento urbanístico – fruto dos anos de intensa migração – levando-nos à realidade de vias públicas precariamente adaptadas para permitir condições mínimas de fluidez no trânsito.

Nenhum dos administradores do passado imaginaram a grande ampliação da frota de automóveis ocorrida num curto espaço de tempo. Este crescimento da frota de veículos particulares não ocorreu só pelas melhorias de condições materiais da vida de muitos daqueles que aqui chegaram para tentar a sorte. Aconteceu também porque o sistema de transporte público sempre foi insuficiente para atender a demanda crescente e, assim, nunca mereceu a confiabilidade pública. Enquanto a maioria da população permanecia limitada nos seus direitos de deslocamentos com segurança, conforte e dignidade, a minoria que desfruta de melhores condições de transporte elegeu o automóvel como sua melhor alternativa.



FALTA DE OBRAS

Na última década praticamente nada se fez, em termos de obras, para que o transporte público ganhasse qualidade, desestimulando o uso do transporte individual. A maioria dos usuários do transporte público de Porto Velho sofre com o gasto de tempo excessivo nos seus deslocamentos. Faltam corredores especiais para os ônibus urbanos, faltam ruas com pavimento de qualidade para um transporte mais ágil; falta sinalização confiável e todas as outras condições para oferecer um nível de serviço capaz de atrair para o sistema “clientes” mais exigentes em termos de qualidade.

Para agravar a situação do sistema viário, deve-se levar em conta que o transporte público vem perdendo passageiros. Com isso o sistema viário vê aumentar o número dos veículos de tração humana (bicicletas) e do transporte motorizado de duas rodas, as motos. E tudo isso sem a existência de ciclovias e sem programas de educação e fiscalização voltados para os “motoqueiros”. Tudo isso agrava continuamente as condições do trânsito na capital rondoniense que, paulatinamente, vai se colocando entre as cidades campeãs de acidentes de trânsito, como reflexo da desorganização do trânsito, da deficiência geral da fiscalização sobre as condições dos veículos e sobre o comportamento dos usuários, e da impunidade dos infratores.



INTEGRAÇÃO CRESCEU

O ano de 2005, o primeiro da gestão Roberto Sobrinho, vai terminar com um aspecto positivo neste importante setor: o fim da inércia. Pelo menos esta é a opinião do Secretário Municipal de Transporte, José Cláudio Nogueira Carvalho, em depoimento exclusivo para Imprensa Popular. Graças à determinação do prefeito Roberto Sobrinho, destacou o Secretário, muita coisa boa aconteceu durante o ano que se encerra, principalmente na questão do transporte público, sendo a principal, na visão de José Cláudio, “a implantação do sistema de transporte integrado a caminho de sua plena consolidação”.

O sistema, reconhece o titular da Semtran, gerou muitas críticas na sua fase inicial, principalmente porque “rompeu com o costume antigo do vale transporte, utilizado muitas vezes como moeda de troca pelos trabalhadores”. Apresentando os últimos dados estatísticos da integração, José Cláudio acha que esse “é um dos desafios vencidos” neste ano, capacitando a Semtran para vencer muitos outros desafios no próximo ano.

Garantiu o secretário que no mês de setembro foram feitas 37.180 integrações. Em outubro o número subiu para 51.178 e no mês de novembro as integrações pularam para 65.425. Isso, disse, “é a prova de que a população está começando a valorizar o sistema de integração do transporte público, embora apenas 3% da população está utilizando esse sistema que permite ao usuário do transporte que precisa usar mais de um ônibus pague apenas uma tarifa”.

Entusiasta do sistema, José Cláudio afirma que “só com ele” será possível vencer outros sérios desafios no próximo ano, como “acabar com o chamado ônibus telesena, como o prefeito se referia na campanha eleitoral”. A idéia é fazer com que os ônibus de bairros mais distantes façam um percurso mais curto, até um eixo viário onde o usuário vai tomar outro ônibus para concluir o seu percurso”. É exatamente para colocar este sistema em funcionamento no próximo ano que o Secretário afirma ser necessário que a maioria dos usuários do transporte público passe a utilizar o cartão de integração no transporte.



NOVAS LINHAS

O chefe da Semtran reconhece que “há muito a ser feito” para dotar Porto Velho de um sistema viário mais moderno e eficiente, inclusive com soluções visando evitar no futuro “o seu estrangulamento”. O sistema viário precisa de obras que vão da sinalização à abertura de novas ruas. E tudo isso demanda orçamento.

O Secretário considera que foi possível avançar este ano no aspecto da sinalização. “Não fiz mais porque não tivemos orçamento. Para a sinalização, por exemplo, tivemos apenas R$ 135 mil”, informou José Cláudio. E foi com esse recurso que conseguiu, como disse, sinalizar o trânsito em 44 escolas; modernizar a sinalização da Avenida 7 de Setembro e Carlos Gomes, além de colocar redutores de velocidade em diversas avenidas, como a Amador dos Reis, Alexandre Guimarães, José Vieira Caula. Ele conseguiu, também, colocar novos semáforos em cruzamentos importantes, como a Jorge Teixeira com Almirante Barroso; Mamoré com Rio de Janeiro e Plácido de Castro com Amador dos Reis.

Foi neste ano, pela primeira vez, que a sinalização semafórica de Porto Velho passou a utilizar a moderna tecnologia de equipamentos com o temporizador. Todos os semáforos da Avenida Sete de Setembro e de outros corredores importantes de tráfego serão assim no próximo ano.

Em termos do transporte público, a Semtran acredita que concretizou algumas melhorias além do sistema de integração. Entre elas o titular da pasta fala da criação de novas linhas, como a do Jardim Felicidade, por onde nunca havia passado um ônibus. Ele destaca também a antecipação no horário em que as linhas dos ônibus que atendem bairros mais distantes, como a do Ulisses Guimarães via Hospital de Base. Agora eles começam a rodar às 5 horas e não mais às 5h25, como acontecia até o princípio deste mês de dezembro.



RESPEITANDO O CONTRATO

Falando sobre a situação das permissionárias do transporte público de Porto Velho, José Cláudio acabou rebatendo as críticas utilizadas “por alguns setores políticos contra o prefeito”, procurando difundir a falsa informação de que “há um protecionismo do monopólio”.

Disse o titular da Semtran que “a atual gestão apenas cumpre os dispositivos legais de respeito a um contrato firmado pela gestão anterior, em 2003, onde a municipalidade concedeu ao Consórcio Vale do Guaporé, na época composto por três empresas, a exploração desse serviço pelo prazo de 15 anos”.

Segundo ele a saída da empresa “Setas” do consórcio não dá à prefeitura o direito de romper o contrato, mesmo que dentro da administração haja integrantes insatisfeitos com o tipo de licitação levada a cabo naquela época. As duas empresas componentes do “Consorcio Vale do Guaporé” são obrigadas a manter o mesmo número de ônibus no sistema. As empresas remanescentes do Consórcio são fiscalizadas praticamente 24 nos terminais para cumprirem com as obrigatoriedades do contrato e das normas baixadas pela Semtran.


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