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Porto Velho,  qui,   18/julho/2019     
reportagem

Rondoquímica: uma indústria que começou praticamente do nada

21/12/2005 21:22:38
 
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Não são raras as histórias de empresários que começaram com a simples força de trabalho e determinação – trabalhando no fundo do quintal – e hoje são proprietários de negócios bem sucedidos, com a única tendência de crescer gerando empregos e bem estar social. 


 O casal Luiz Marques (foto) e Maria Aparecida Matos veio para Rondônia, mais precisamente para Porto Velho, em 1986, da cidade de Goiânia. Primeiro veio Luiz, visitar parentes e conhecer as possibilidades de iniciar um negócio qualquer, para “melhorar de vida numa região que, como todos falavam, havia muitas oportunidades para crescer”. Inicialmente Luiz definiu como seu objetivo montar um lava-jato. Chegou a trazer uma máquina, mas foi obrigado a desistir da idéia porque não conseguiu alugar um imóvel “onde houvesse facilidade de água em abundância”. Naquele ano, com a economia girando principalmente em torno do garimpo, era muito difícil conseguir um imóvel desocupado na cidade, até mesmo para moradia.

Mas ali estava começando a história de um homem simples, determinado, que acredita na força do trabalho e da união da família e que, por isso, viria a se transformar no fundador e dono da principal indústria química de Rondônia, a Rondoquímica, hoje um orgulho para Porto Velho. Essa indústria caminha para ser uma referência em toda a região norte na fabricação e distribuição de produtos de limpeza e, agora, no segmento de cosméticos.



UM POUCO DE HISTÓRIA


Luiz e Cida narram a história dessa epopéia com riqueza de detalhes. Ele lembra, por exemplo, que arquivada a idéia do lava-jato ficou parado uns dias e logo estava trabalhando como distribuidor de sorvetes enquanto sua mulher, Cida, arrumava emprego numa seguradora. Luiz não se deu bem no trabalho de distribuidor de sorvetes. Seu interesse, quando veio para Rondônia, era o de ter seu próprio negócio, “uma empresinha da gente”. Lá em Goiânia o Luiz trabalhou um bom tempo no ramo da indústria química. Luiz confessou à sua mulher que estava interessado em montar aqui uma fabriquinha, dessas de fundo de quintal, para elaborar produtos químicos usados nos lava-jatos como shampoos, pasta de polimento, etc.

Coube à Cida arranjar com seu pai o empréstimo inicial de cerca de R$ 3 mil reais para Luiz começar o negócio. E assim, depois de muito sacrifício, a Rondoquímica começou no fundo do quintal, na rua Padre Chiquinho, com Luiz fabricando artesanalmente os primeiros produtos, usando tambores, engarrafando em embalagens de refrigerantes e vendendo a produção em postos de lavagens de veículos nos intervalos em que paralisava seu trabalho como distribuidor de sorvetes. Era uma vida muito difícil, até porque naquele momento o criador da Rondoquímica não tinha nem mesmo um veículo. Fazia tudo usando uma bicicleta.

A situação começou a se modificar quando um cunhado de Luiz resolveu trabalhar com ele. Luiz treinou-o na produção e resolveu partir firme para as vendas. Até ai a Rondoquímica era ainda projeto incipiente. Nem estava formalmente registrada. Enquanto o cunhado fabricava, artesanalmente, shampoos, detergentes e pastas para polimentos de veículos, Luiz vendia no sistema de pronta-entrega, desta vez já utilizando uma velha Kombi, comprada a prestação.



AS MUITAS MALÁRIAS


No começo, a residência do casal de empreendedores foi uma casa do conjunto habitacional Marechal Rondon. Hoje, ao recordar o tempo do pioneirismo o industrial lembra que em algumas vezes “a situação era tão difícil” que quase desanimava: “Cheguei a pegar 18 malárias. Lá no Marechal Rondon muitas vezes a gente ficava quase três semanas sem água, longos períodos sem energia elétrica... Em alguns momentos eu chegava a falar para a Cida que se a coisa não melhorasse em um ano, teríamos de ir embora”.

Mas a força do garimpo impulsionava a economia de Porto Velho e abria um mercado enorme para os produtos que Luiz e seu cunhado fabricavam: “Naquele momento que tudo era tão difícil começou a abrir lavador para todo lado. Só num ano foram abertos mais de trinta e ai as vendas aumentaram muito. Chegamos a vender 50 tambores por mês. Isso acabou me animando a comprar um caminhão velho e a mudar a fábrica para a rua Elias Gorayeb”, relembra o irriquieto Luiz.

Nessa fase o empresário já tinha entrado na formalidade, registrando a empresa e já dava emprego direto a seis pessoas. Estava, é claro, no princípio de sua luta. Nem por isso recebeu qualquer tipo de apoio à sua iniciativa por parte dos órgãos públicos. “Pelo contrário, a primeira visita que recebi foi dos fiscais da prefeitura e uma multa de uns R$ 5 mil reais. Foi duro pra gente pagar. Precisamos fazer sacrifícios para saldá-la”, vai lembrando.



O PRIMEIRO SALTO

Sem apoio oficial, sem capital de giro, o segredo para o crescimento da Rondoquímica foi a determinação de “nunca enganar o consumidor” vendendo-lhe um produto de baixa qualidade. A união da família que “aceitou viver uma vida simples, de tal maneira que todo dinheiro apurado com a produção da fábrica fosse investido nela mesma, na sua consolidação e no seu crescimento”, foi fundamental para o crescimento da empresa. A mulher, dona Cida, sempre foi o braço direito de Luiz. Ela deixou o emprego e foi trabalhar diretamente com o marido quando a empresa começou a tomar a forma de uma “indústria de verdade”.

O primeiro grande salto da Rondoquímica aconteceu com sua instalação na rua Elias Gorayeb, em 1989. Naquele período o empresário já tinha conseguido comprar um pequeno caminhão usado, com o qual deu início às vendas dos produtos ao longo da BR-364, ainda pelo processo de pronta entrega. Ai, além dos produtos tradicionais Luiz começou a fabricar água sanitária, desinfetante de eucalipto, tudo ainda em garrafas de refrigerante.



COM AS PRÓPRIAS FORÇAS


Com o salto que a levou para a Elias Gorayeb, a Rondoquímica passou a ser vista como uma empresa que tinha futuro. Mesmo assim Luiz nunca conseguiu obter recursos junto às agências e bancos de fomento do governo. Ele bem que tentou – como lembra hoje – conseguir financiamento junto ao Basa e ao Banco do Brasil mas foi vencido pela burocracia.

Um capitalista de Goiânia ficou entusiasmado com o negócio e decidiu colocar dinheiro na Rondoquímica. Quando estava praticamente tudo acertado para sua entrada na sociedade esse capitalista sofreu um derrame e não pode mais participar. O negócio foi manter a política inicial de reinvestir na empresa tudo aquilo que ela dava de retorno financeiro. Pode-se dizer, então, que a Rondoquímica cresceu com suas próprias forças, ou seja, com os esforços de Luiz e Cida.

Mantendo a qualidade do produto, competindo em preços com as grandes marcas desse mercado altamente disputado, as vendas da Rondoquímica que não passavam, no seu início, de cerca de 3 mil litros por mês entraram numa escala industrial e hoje têm a maior fatia do mercado do consumidor, dando emprego direto a quase trinta pessoas em sua indústria e gerando mais duzentos empregos indiretos com a sua rede de distribuição direta.

Em 1995 o casal empreendedor começou a construir a fábrica da Rondoquímica na avenida Amazonas. Foi um trabalho que demandou um bom tempo mas em 1999 boa parte da produção já estava funcionando no local onde hoje fica a mais moderna indústria química do Estado.



REGISTRO NA ANVISA

Transformada numa indústria que orgulha hoje a capital rondoniense, a Rondoquímica continua crescendo com seu próprio esforço. Até agora não conta para a realização de seus projetos de expansão com dinheiro de nenhum banco oficial de desenvolvimento ou fomento.

Seguindo sempre o manual das boas práticas de fabricação, tendo a supervisão constante do professor Almeida, que é o químico responsável, a Rondoquimica fabrica hoje 80 produtos diferentes, que vai do sabão ao desinfetante. A empresa continua prestigiando os postos de lavagem de automóveis – com quem contou no seu início – mas hoje sua venda mais expressiva esta na linha residencial (domissanitários).

Em cada ano tornam-se mais expressivos os índices de consumo das linhas hospitalar e industrial. Embora a produção tenha crescido muito em relação ao princípio da fabricação artesanal, a Rondoquimica ainda produz apenas para atender ao mercado de Porto Velho e a consumidores cadastrados em algumas cidades do interior. A empresa, diz Luiz, está determinada a dobrar em pouco tempo sua produção, porque conseguiu, após 15 anos de batalha, o registro da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), ganhando dessa maneira condições de colocar seus produtos nas redes de varejo (grandes supermercados) ao lado de marcas nacionais.

“Vamos fazer isso sem, contudo, deixar de atender nossos inúmeros clientes de Porto Velho que vêem comprar os seus produtos diretamente aqui na fábrica, nessa nossa longa tradição de bem servir a todos”, diz o industrial.



APOIO DA PREFEITURA

Essa indústria que surgiu anonimamente em Porto Velho hoje atrai a atenção de algumas autoridades, principalmente fora do Estado, interessados em projetos que geram empregos e renda para seus munícipes. Embora aqui na capital o empresário Luiz não tenha conseguido até hoje nenhum tipo de incentivo, autoridades do Amazonas e também de outros estados vizinhos já o procuraram oferecendo incentivos fiscais para que ele “mudasse de Rondônia” a sua indústria. Luiz rechaçou as ofertas. “Meu caso com Rondônia é de amor à primeira vista. O próprio nome Rondoquímica é um atestado disso. Eu chequei e acabei decidindo que é aqui que eu vou morar e é aqui que vou ser enterrado quando a hora chegar!”, explica .

Luiz é otimista em relação ao nosso Estado: “No momento estamos vivendo um período de crescimento pequeno, mas Rondônia certamente vai crescer muito. Sabe, eu não me preocupo muito com as coisas da política, até porque quando vim para Rondônia não cheguei acreditando na classe política que, em todo o Brasil é mais ou menos a mesma coisa. Eu amo essa terra. Tanto que nossos filhos na hora de fazer a Faculdade não foram estudar fora. Eles estudam aqui mesmo, trabalham aqui e certamente darão continuidade ao que eu e a Cida estamos fazendo. Os meus filhos, que já ajudam muito, vivem a realidade daqui”.

Para crescer e gerar mais emprego Luiz está na dependência de ampliar a sua unidade fabril. E para isso conta com o apoio do município. Ele precisa de uma área do município contígua à sua indústria. Até o último prefeito todos os esforços feitos por ele foram em vão. Desta vez, com um prefeito interessado em apoiar iniciativas importantes para o desenvolvimento econômico e social, as perspectivas mudaram. Segundo próprio Luiz, o prefeito Roberto Sobrinho está “visivelmente interessado em resolver este problema”. Com esta solução a fábrica vai praticamente dobrar sua capacidade de produção e, conseqüentemente o número de empregos.

Foto: Aldrin Willy


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