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Porto Velho,  seg,   16/setembro/2019     
reportagem

FGV coloca Porto Velho entre as piores capitais do País

30/11/2005 02:42:37
 
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Ultrapassa os 20%, na opinião de alguns economistas, o número de chefes de família vivendo abaixo da linha de pobreza na cidade de Porto Velho. Mesmo assim a produção de riqueza, ainda que modestamente, não deixou de crescer na capital. 


 Qualquer estudo destinado a revelar a realidade da vida na capital rondoniense mostrará uma cidade de grandes contrastes. Pobreza crescente, desemprego, exclusão, violência, criminalidade, desespero, imobilidade social, legados de desesperança de pais para filhos, de geração para geração, incapacidade de intervenção do Estado na formulação e na orientação de políticas públicas fortes e eficazes nas áreas sociais e culturais, por ter cedido às corporações empresariais o salvo-conduto permanente da livre circulação de seus interesses focados no lucro, na circulação do capital financeiro e na concentração da riqueza produzida, numa escala jamais vista.

Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas divulgada no final do mês de outubro apontou Porto Velho como a terceira pior capital brasileira para se viver. Brasília, de acordo com a pesquisa, é a melhor capital em termos de qualidade de vida., seguida de Vitória (ES) e, em terceiro lugar, Curitiba.

Por todos os quadrantes da capital rondoniense o setor da construção civil revela estas discrepâncias, na construção de dezenas de condomínios (horizontais ou não) destinados ao número reduzido da população que se beneficia da concentração de riquezas, enquanto nas franjas da periferia os problemas típicos da competição perversa e do individualismo exacerbado tornam-se cada vez mais crônicos, desnudando os males da falta de planejamento e de políticas sociais consistentes e eficazes para combater esses fossos internos da aglomeração urbana na maior cidade do estado.

CONCENTRAÇÕES DE ABANDONO

Regiões inteiras da cidade de Porto Velho sempre foram tratadas pelos administradores públicos como resíduos triunfantes do individualismo liberal, servindo a zona leste de exemplo dessa afirmação. E mesmo nestas regiões que aglomeram pobreza, dor e sofrimento, há recortes geográficos ainda mais dramáticos, onde as condições de miserabilidade da maior parte da população porto-velhense clamam por uma ação mais eficaz dos agentes públicos em favor dos deserdados pela desesperança da estagnação social. Este é – só para exemplificar – o caso de aglomerados (bairros) como o “Alagoinhas” e até o próprio Aponiã.

Livre da grande taxa de migração dos anos 80, Porto Velho continua tendo um crescimento desordenado. Ainda recebemos uma migração quase constante, hoje mais do campo para a área urbana do que de outros estados da nação. Esse crescimento acontece desacompanhado de planejamento e de políticas sociais eficazes. Novas invasões vão traçando ilhas de desigualdades crescentes, muitas vezes cercadas dos condomínios que ainda realçam mais a condição dessas áreas como cenários nada promissores para a melhoria da qualidade de vida dos habitantes da capital.

SÓ PIROTECNIA


Os prefeitos anteriores a Roberto Sobrinho praticamente nada fizeram para conter a turbulência desse “crescimento” que apenas espalhou ainda mais a miséria entre a maior parte dos moradores de Porto Velho, acabando até mesmo com aquela qualidade determinada pelo aspecto bucólico da cidade nos anos 70 e 80.

Tudo tem servido apenas para alimentar a pirotecnia da mídia, utilizada principalmente em programas de partidos políticos onde os medíocres ex-dirigentes – a esperança de retornar à vida pública – apresentam-se como autores de obras e ações que promoveram mudanças qualitativas, uma coisa que a rigor nunca existiu em suas péssimas gestões.

Os políticos de Porto Velho, salvo honrosas exceções, comportaram-se como próprios agentes concentradores de riquezas, quer por ações incipientes, paliativas, ineficazes, que sempre patrocinaram.

Na verdade, as últimas administrações municipais foram incapazes até mesmo de formular sequer as perguntas adequadas para a conclusão de programas capazes de garantir melhorias para os destinos das famílias porto-velhenses, sem falar nas oportunidades das gerações futuras e de seus descendentes, para quem o legado de desesperança e de imobilidade social é assinado no momento mesmo de seu batismo ou de seu registro em cartório.

OS ABUSOS CONTINUAM


Os abusos da riqueza concentrada continuam em Porto Velho. Roberto Sobrinho, o prefeito, foi escolhido pela população porque conseguiu convencer, com seu discurso de campanha, sua disposição de liderar um movimento em favor dos interesses comuns dos habitantes da capital, na luta contra as omissões do estado e contra esses abusos. A administração, com ele, seria verdadeiramente agente investidor do bem e da justiça social. Garantia, quando candidato, que sua administração se transformaria na linha divisória da segregação e da exclusão social por toda a parte de Porto Velho.

Os esforços do novo prefeito – marchando para a conclusão de seu primeiro ano de mandato – estão voltados para tratar a sociedade com mais respeito. Mesmo assim cultura e cidadania continuam diluídas na dimensão plana e rasa do consumo e da mercadoria.

Os abusos decorrentes da cultura da concentração de renda na mão de uns poucos privilegiados continuam no crescimento da poluição sonora e visual, na decadência do patrimônio urbano e dos espaços públicos, na continuidade dos terrenos baldios reservados para a especulação imobiliária, no comércio de rua, na avacalhação promovida por empresas do comércio e pelo comércio informal e até no caos do trânsito.

Cabe ressaltar que os dados atuais de áreas como a educação, a saúde e a regularização fundiária propiciam uma leitura bastante positiva da evolução da gestão pública nesse curto período, em relação aos administradores municipais do passado. Todavia, a gestão de Roberto Sobrinho ainda está longe da ruptura com a antiga ordem social que mantém Porto Velho como uma cidade onde quem tem dinheiro tudo pode. A política de acomodação e de arranjo continua praticamente a mesma. O ovo da serpente continua sendo gerado. O otimismo que pode emergir dos dados apresentados como conquistas dessa nova gestão – principalmente nos aspectos da saúde e da educação – não tem como se sustentar quando observamos a ocupação do solo de forma discriminatória, e ambientalmente predatória.

AINDA HÁ ESPERANÇAS


Ao encarar de frente questões cujo o enfrentamento sempre foi adiado sine die, como a fundiária, Roberto Sobrinho ainda continua nutrindo a esperança de que sua promessa de campanha, da superação de uma Porto Velho arcaica rumo à modernização e a emancipação política e econômica, ainda poderá acontecer, propiciando uma vida melhor a quem mora na cidade.

A emancipação social e a modernização em benefício de todos deixará de ser um mera utopia se o prefeito usar sua autoridade para impedir que a imagem de Porto Velho continue marcada por poluição sonora, visual e ambiental; por favelizações, crianças abandonadas, jovens vivendo na completa ociosidade, violência, desemprego maciço, cultura decadente, epidemias. São realidades que podem ser resolvidas com políticas compensatória pontuais. As administrações anteriores (e especialmente a última) se conduziram sem políticas consistentes para as questões urbanas. Hoje, quando aparecem em programas partidários de auto-elogio apenas confessam que foram exemplos de ofensa à inteligência do povo da capital e de toda Rondônia.

Porto Velho tem hoje um prefeito intelectualmente preparado para compreender a realidade de nosso município. Roberto Sobrinho sabe que a reversão desse quadro exige, um conhecimento mais rigoroso sobre ele. O primeiro passo para começar a mudar esse rumo é tirar as instituições e a sociedade do “analfabetismo urbanístico” e criar a consciência da dimensão dos problemas que estão sendo produzidos por esse crescimento urbano sem regulação pública e socialmente desigual. Ele garante a Imprensa Popular que estas mudanças estão acontecendo e começaram na rede escolar.

É lícito esperar que suas promessas com referência aos outros males urbanos de Porto Velho sejam concretizadas a partir do próximo ano. Instrumentos legais e planos urbanísticos que orientem as cidades em direção ao “crescimento harmônico e equilibrado” não faltam.

O prefeito tem maioria na Câmara Municipal e se assim não fosse tem a seu favor o Estatuto da Cidade, um inédito de medidas que visam a implementação da função social da propriedade. Entretanto, a história do urbanismo brasileiro mostra que, com a ausência dos olhos da sociedade, não há como impulsionar a aplicação de planos e leis que poderiam definir uma nova era do desenvolvimento urbano, tão necessário a uma capital como Porto Velho.


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