Anuncie:  

Debate do Mês

Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



Colunistas
Receba as matérias do site em seu e-mail

Cadastrar
Cancelar Cadastro

 

Porto Velho,  dom,   22/setembro/2019     
política

Paulo da Condor desabafa: “Estamos apenas brincando de ser vereador!”

2/10/2005 15:06:50
 
Comente     versão para impressão     mandar para um amigo    



Em seu primeiro mandato, Paulo já chegou à conclusão de que o vereador não pode fazer nada para mudar a situação do povo. 


 Em seu primeiro mandato o vereador Paulo da Condor, um dos mais votados nas últimas eleições, em Porto Velho, já chegou a uma conclusão nada animadora: “A gente chega aqui com um projeto e uma vontade imensa de realizar coisas para mudar a vida difícil das pessoas que moram nos bairros mais distantes, daqueles que nunca são lembrados pelo poder público e acaba se frustrando, quando descobre que ser vereador é uma mera brincadeira, que o vereador na verdade não pode fazer nada”, desabafou em seu depoimento à Imprensa Popular.

A falta de competência para elaborar projetos que impliquem na sua execução em custos financeiros para a prefeitura é, para o vereador, um contrasenso: “É claro que toda proposição apresentada para, de uma ou de outra maneira, melhorar a qualidade de vida da população demandará algum tipo de custo, algum tipo de investimento por parte da prefeitura”, como então, pergunta o novo vereador, “poderei fazer alguma coisa que efetivamente possa atender aos reclamos da comunidade se estou impedido de exigir do Executivo que invista neste ou naquele benefício popular?”.

COISAS IMPORTANTES

Quem ouviu as lamúrias do vereador Paulo da Condor chega a imaginar que ele disputou o cargo sem saber exatamente a competência do legislativo, suas possibilidades e limitações. Mas o próprio edil afirmou ter vencido o pleito “sem fazer promessas” levianas ao eleitorado:

— Eu nunca prometi a quem votou em mim que mandaria asfaltar ou encascalhar uma rua. Mas imaginei poder, chegando na Câmara Municipal, fazer coisas importantes, pedir ao prefeito determinadas ações em nome do povo, e ver aquilo ser atendido. Mas aqui a realidade é bem diferente. A gente pede em nome do povo e isso não resolve nada, porque existe a barreira do Executivo. Ele não tem interesse em atender vereadores que não são do PT. O negócio do executivo é ver a gente que teve uma votação expressiva se desgastando até que a própria população nos dê um pé na bunda, imaginando que se as coisas não acontecem é por culpa do vereador.

DANDO MILHO AOS POMBOS

Desiludido e decepcionado com a inércia da edilidade, Paulo da Condor acha que ser vereador é fazer como aquele personagem da música de Raul Seixas “que fica sentado na praça dando milho aos pombos” porque não pode fazer outra coisa.

E nisso acabou obtendo a solidariedade do vereador Marinho Melo que explicou “não existir outra coisa” para o vereador que pretende ficar bem com o eleitorado, “senão o trabalho de assistência social”, coisa que Marinho faz constantemente através de sua “Fundação Ronaldo Aragão”, que atende famílias carentes da região do bairro JK.

Esse é também o esquema utilizado pelo vereador Zequinha Araújo, através de sua fundação no bairro Agenor de Cavalho.

Na verdade não são apenas através destes esquemas assistenciais que os vereadores procuram sair dessa condição de “ficar sentado na praça dando milho aos pombos”. Alguns usam por exemplo o esquema do fornecimento de ônibus grátis para entidades religiosas, estudantis e outras, como faz o vereador Ramiro Negreiros. Quem não presta algum tipo de assistência social fica numa situação difícil, “muitas vezes sem poder andar tranqüilamente nas ruas sem ser apontado como um vereador que não faz nada”, como destacou Paulo da Condor.

FISCALIZAÇÃO DO PREFEITO

Na opinião de Paulo da Condor fiscalizar o prefeito deveria ser uma obrigação de todos os vereadores mas “quem resolver fazer isso” passa logo a ser rotulado de oposição e isto vai influenciar a maneira como “será tratado pelo Executivo”.

O vereador garante que não abdicou de sua competência de “fiscalizar o Executivo” mas pretende fazer isso “sem o objetivo de destruir um adversário”. Para ele “apontar os erros da administração” é uma alternativa de defender o bem-estar da comunidade, buscando levar a administração a fazer investimentos mais preocupada com o social, sem olhar o aspecto individual do lucro que pode ser produzido para um grupo, quando poderia representar um ganho coletivo.

Convencido de que do jeito que está, os vereadores “estão na Câmara para nada”, Paulo da Condor espera que sua “coragem em revelar isso” acabe influenciando toda a Casa para provocar mudanças que possam “dar ao vereador condições de agir concretamente com propostas que serão adotadas em benefício do povo”. Em sua opinião os vereadores deveriam ter o mesmo direito dos deputados, “de propor emendas orçamentárias em favor de regiões e bairros específicos”.

Paulo da Condor garante que busca “fazer uma oposição crítica e responsável, sem objetivos destruidores”. Paulo não esconde que afinal “torce para que o prefeito realmente resgate os compromissos de campanha, transformando Porto Velho numa cidade quase toda asfaltada, com rede de esgoto nos pontos mais críticos, com emprego pra quem quer e precisa trabalhar, com educação e saúde de qualidade, e também com segurança para as pessoas poderem sair à rua sem medo de ser assaltada, sem medo da violência urbana”. O vereador acredita que até o momento “o prefeito está em débito com sua palavra empenhada”.

O vereador não está satisfeito com o desempenho do prefeito Roberto Sobrinho. Para ele “se alguma coisa cresceu em Porto Velho” depois que o PT assumiu, “foi a ineficiência”, coisa que o vereador detecta, como disse, “principalmente na saúde e na educação”.


Nenhum comentário sobre esta matéria

Mais Notícias
Publicidade: