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Porto Velho,  ter,   19/novembro/2019     
reportagem

A vida que nasce do lixo

28/9/2005 19:23:19
Por Aldrin Willy
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Das garrafas e latas geradas nas casas da Capital vivem pessoas que encontraram nessa atividade a chance da sobrevivência e de ter algo mais. A renda mensal delas pode chegar a mais de R$ 800. 


 A vida começou difícil para dona Marli Ribeiro da Silva. Aos 11 meses de vida, um derrame a mudou para sempre. Desde então fala com dificuldade, esforçando-se para ser entendida, como se algo dentro da boca atrapalhasse o falar. Hoje, com 46 anos, a vida continua difícil. Resume-se basicamente a percorrer os bairros da Capital em busca de garrafas plásticas e latas de alumínio.

Essa forma de ganhar a vida foi a saída que Marli encontrou, há mais de um ano, para garantir seu sustento. O negócio tem se revelado muito bom, permitindo-lhe comprar algo mais que o sustento. Num dia produtivo, pode-se conseguir até R$ 80,00 – valor quase sete vezes maior ao que uma pessoa ganharia em um dia trabalhando por um salário mínimo mensal de R$ 300. Mas nem sempre é bom assim: há dias em que só consegue R$ 30 ou R$ 40.

ROTINA ESTAFANTE

O dia começa cedo para a catadora. Por volta das 5h da manhã já está na rua, empurrando o carrinho comprado com dinheiro próprio. Ao lado da colega Valdirene Rodrigues da Costa, há 6 meses na atividade, ela vai percorrer as ruas de Porto Velho, batendo de casa em casa, até o fim da tarde, entre 18h e 18h30.

Marli e Valdirene vão de casa em casa perguntando se há garrafas plásticas ou latas de alumínio sobrando. E, bairro a bairro, vão fazendo a mesma tarefa. “Quando num bairro não tem, procuro um bairro onde tem mais [garrafas e latas]”, conta Marli.

Ao final do trabalho, as catadoras recolhem tudo o que conseguiram e levam até o comprador, que paga não mais que R$ 80 centavos por cada quilo de material. Nessas horas ter o próprio carrinho é melhor, explica Marli. Catadores que usam carrinhos fornecidos pelos compradores do material ganham menos pelo quilo.

MUDAR, NEM PENSAR

Apesar do trabalho extenuante, do perigo e das grandes distâncias que precisa percorrer, dona Marli não pensa em mudar de trabalho. “Só se for para ganhar mais”, diz.

Atuando como catadora “independente” – com o próprio carrinho –, os rendimentos dela são até maiores do que eram quando exercia outros trabalhos, mais regulares. “Já fiz muita coisa na vida. Já fui doméstica, massagista”, diz.

Quanto ganha hoje em dia? Marli não responde na primeira, diz que não tem idéia. Depois, ante a insistência do repórter, admite conseguir em torno de R$ 300,00. Mas, embora não queira admitir, seus rendimentos devem ser maiores do que o mínimo.

Levando em conta seu lucro diário (entre R$ 30 e R$ 80), Marli tem uma renda mensal de, no mínimo, R$ 600,00. Isso se trabalhar apenas vinte dias no mês.

MARCAS

A baixa escolaridade é um fator preponderante nos trabalhadores de rua. Não poderia ser diferente. Com pouco estudo se evolui pouco na escala social. Dona Marli não foge à regra. Perguntada até que série estudou, a catadora responde simplesmente: “Não me lembro que eu nem terminei”.

Marli só foge à regra quanto aos filhos. Enquanto outros vivem para manter uma penca de meninos, Marli não precisa arcar com o sustento de ninguém. Nem do companheiro com quem divide a casa, que trabalha como pintor de casas. Isso não quer dizer que Marli não tenha filhos. Tem, e são quatro. Mas todos já estão crescidos – o mais novo tem 21 anos – e vivem em Rio Branco, no Acre, com os parentes.


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