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Porto Velho,  dom,   17/outubro/2021     
política

Sem mobilização pode dar acordão

28/9/2005 19:21:48
Por Imprensa Popular
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Em Rondônia, os partidos de “esquerda” agem como se não tivessem nenhuma responsabilidade na história. 


 Assim que estourou na televisão o mar de lama da corrupção política no Estado, também explodiu nas ruas, especialmente em Porto Velho, as primeiras grandes manifestações populares, principalmente de estudantes, contra o governo e os políticos de um modo geral, geradores da enorme crise política institucional no Estado. Foram estas manifestações muito combativas que determinaram as imediatas decisões políticas da Assembléia, no sentido de dar uma resposta satisfatória à sociedade, com a criação da tal Comissão Especial Temporária e com o afastamento pelo prazo de 30 dias dos deputados envolvidos nas denúncias do esquema de propinas.

É preciso reconhecer, agora, que em relação aos demais poderes e instituições os atos não tiveram o mesmo volume de adesão e o mesmo poder de desencadear decisões revisionistas como aconteceu em termos do Legislativo. Reconheça-se que as manifestações desencadearam no Judiciário, pelo menos uma pequena sacudidela ou um mal estar para aquele que – por sua decisão, que se mostrou inócua – acabou em dificuldades para cumprir seu papel de professor na Universidade Federal de Rondônia onde acadêmicos passaram a assistir de costas suas aulas.

Nosso estado nunca esteve tão carente de lideranças autênticas como agora. Por isso impera um ceticismo grande no movimento de massas, principalmente porque os “ativistas” de plantão são subprodutos da experiência negativa do PT. Mesmo com ingredientes para justificar politicamente os atos da rebeldia da popular e as marchas contra a dissolução dos costumes políticos no Estado, elas dificilmente voltarão a acontecer porque os próprios partidos ditos de esquerda agem, em Rondônia, como se não tivessem responsabilidade histórica.

Aliado a isso, os jovens da classe estudantil – que poderiam desencadear esse movimento de massa – estão completamente desengajados da política e não tem nas suas representações nenhuma liderança de clarividência política que lembre, ao menos de longe, a posição de vanguarda que a classe estudantil já teve nas lutas do país.

Há dirigentes públicos convencidos de em Rondônia não há maturidade política para a mobilização independente das massas. Sem essa mobilização podem trabalhar no sentido de que venha a prevalecer no Estado o acordão e isto, podem ter certeza os que ainda esperam mudanças mais profundas, é o que alguns desses dirigentes tentam construir para sair da crise atual.

Nenhum dos lados do poder político têm interesse que as investigações sobre a corrupção no Estado avancem. Afinal isso significaria expor, com muita clareza, que todos os lados se locupletam e se beneficiam dela, nos seus diversos esquemas.

Os partido e as entidades que no passado sempre estiveram na ponta de lança desses movimentos, o PT, o PCdoB, a CUT, etc, estão no governo e apóiam o governo. O PPS, o PSB e o PDT, tidos como partidos de esquerda, são tão iguais às demais siglas que disputam ferozmente o aparato do Estado. Tanto assim que o PPS depois de passar pelas mãos do deputado Agnaldo Muniz está hoje nas mãos do empresário Moreira Mendes e o PDT nas mãos do ex-prefeito de Porto Velho, Carlos Camurça, ambos personagens comprometidos com a antiga direita rondoniense, por onde adentraram a vida pública.

O acordão está sendo costurado e só não está definido, ainda, porque no fundo seus construtores avaliam que existe, nesse momento, um amplo setor das massas rompido com aquilo que ai está posto na política, seja para o lado do governo ou não, esperando uma nova alternativa para manifestar contra a corrupção e contra a política econômica e social do governo, incapaz de melhorar a qualidade de vida da população.

Certamente os setores mais organizados da sociedade já se aperceberam que só a mobilização das massas, especialmente dos servidores e da juventude, com destaque para a universitária, pode chegar a impedir que as classes dirigentes da política cheguem ao acordão tentado agora. A tentativa do movimento “Abrace Rondônia” em dar um passo adiante mesmo sem ter, ainda, condições de ganhar os setores que desconfiam dos partidos que estiveram sempre apoiando os governos neoliberais de Rondônia, onde a corrupção existia embora mais camuflada, é um comprovação dessa afirmativa.

Coisa boa para os políticos terem em mente. Principalmente aqueles que buscam a construção do acordão, na esperança de sair da crise. A crise que revelou a falta de ética e caráter da política estadual ainda comove o conjunto da população, sendo discutida nas faculdades, nas casas, de bar em bar, em todos as esquinas do estado.

Há, mesmo não tão aparente como quando de sua eclosão, uma enorme indignação do povo com os políticos que adotaram a corrupção como sistema de enriquecimento rápido, aceitando como prática comum o assalto aos cofres públicos, através dos variados esquemas operados pelos picaretas acostumados a comprar mandatos eletivos. A reação desse povo, sem liderança ou comando, poderá acontecer de forma imprevisível, levando na enxurrada da ira e da descrença partidos e organizações sem coragem de romper com este sistema.

Quanto ao PPS que aceitou ser comandado no Estado por um notório direitista, sua resistência à filiação de Ivo Cassol é uma mera bobagem. Ora, esse partido não agrega debaixo de suas asas o miliardário Blairo Maggi, governador do Mato Grosso? E no caso do PDT, embora Leonel Brizola mereça sempre todo o respeito do povo brasileiro, não se pode negar que em termos de Rondônia ele apenas exerce o seu fascínio pela burguesia sem representar qualquer alternativa para a classe pobre ou trabalhadora.


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