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Porto Velho,  sex,   19/julho/2019     
política

Deputados evitam temas políticos, mas a crise não terminará sem punidos

29/8/2005 17:47:30
 
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Na primeira sessão da semana (23/08), os deputados não votaram nada, não falaram de política, como se tudo já estivesse resolvido. Mas não haverá solução sem a degola dos personagens principais. 


 As especulações sobre o desfecho da crise política em que se debate a Assembléia Legislativa não terminou com a instalação de uma comissão processante, que decidirá o futuro dos deputados envolvidos no tal “Escândalo da Propina”, como ficou conhecido o episódio mostrado na tv, com cenas gravadas pelo governador Ivo Narciso Cassol, em sua própria casa, onde alguns deputados tentavam negociar um gordo mensalão (R$ 50 mil) para apoiarem e aprovarem tudo que o governador desejasse no plenário do parlamento.

Na bolsa de apostas ainda existem muitos analistas da cena política rondoniense acreditando que no final prevalecerá o “acordão” possibilitando que entre “mortos e feridos, escapem todos”.

Uma minoria pensa o contrário e aposta na degola, pela cassação, de pelo menos quatro deputados. Seriam aqueles que desempenharam mais canalhamente o papel desse teatro da insensatez.

EM NOME DA DECÊNCIA

Enquanto o editor de um semanário de grande penetração na área política opinava que “ninguém será cassado”, um deputado de Cacoal, denunciado como um dos negociadores da propina somente por ter estado presente no palco do escândalo, não escondia seu temor com o desfecho que – dizia – será letal para alguns parlamentares na iminência de interromper sua carreira na vida pública. Esse deputado está fazendo figa para escapar da guilhotina, por considerar-se inocente na participação dos esquemas utilizados por algum para ganhar uma grana por fora.

Há no parlamento, vários deputados conscientes de que a esta altura dos acontecimentos, não dá para encerrar esse capítulo da crise sem punidos. Um desfecho desse tipo poderia motivar uma nova barreira de artilharia contra os pizzaiolos da Assembléia, com conseqüências incontroláveis nas decadentes instituições que compõem o governo do Estado.

Fica difícil deixar de punir os aríetes da corrupção, depois que em nome da decência e dos bons costumes o deputado Emílio Paulista renunciou ao seu mandato, conseguido principalmente com o apoio do eleitorado de Cacoal.

Os deputados estão agindo como se a limpeza ética não fosse mais necessária. Isto ficou aparente na suprema ironia do conteúdo das sessões, onde temas políticos são evitados e o tempo de cada parlamentar na tribuna passa a ser utilizado para o enfoque de tópicos triviais.

SESSÃO MODORRENTA

A crise não acabou. Além da atuação da Comissão Processante, os deputados pretendem dinamizar as ações destinadas a investigar uma série de denúncias contra a administração de Ivo Cassol. Este é o caso, por exemplo, da CPI da Educação que até agora não tinha dado o ar de sua graça. Mas se nos recônditos do Legislativo há essa efervescência, nas movimentações do plenário a temperatura não chega a ser morna. Falta o discurso político, os embates que seriam naturais nesse cenário.

A anunciada CPI para investigar as relações incestuosas de empresas do setor de serviço e empreiteiras com o governo foi abortada.

Parlamentares garantem que a decisão não pode ser encarada como se “o parlamento estivesse jogando a toalha”. Garantem os deputados que a CPI só foi adiada, mas vai sair assim que diminuir o volume de “trabalho” dos parlamentares, comprometidos com várias outras comissões, como a do boi e a da educação.

Em decorrência da crise, há também o defenestramento da vice-governadora Odaísa Fernandes das hostes palacianas, as acusações recíprocas de personagens importantes (o governo ataca Valdir Raupp e o senador ataca o governo), e muitos outros desdobramentos balizando uma certeza: de que a política no Estado não será mais a mesma após todos esses eventos que jogaram Rondônia neste lamaçal.

ASSUNTOS PERIFÉRICOS

E mesmo assim, na última terça-feira (23) os deputados preferiram ficar na periferia dos acontecimentos, como se fossem meros vereadores. O deputado Daniel Néri, por exemplo, ocupou o seu tempo para homenagear a Tribuna Popular – um jornal de seu município – pela passagem de seu 25 º aniversário de fundação.

Na mesma linha foi o pronunciamento do deputado Renato Veloso, que preferiu atacar o Ibama e defender agricultores que utilizam o processo de queimadas para revitalizar pastagens e limpar áreas de plantio, “porque não têm recursos financeiros para comprar insumos e adubos agrícolas”. E o governista Neodi, da cidade de Machadinho, preferiu usar o seu tempo para criticar a Ceron, responsabilizando-a “pelo péssimo serviço” enfrentado pela população daquele município, onde há um verdadeiro racionamento no fornecimento de energia elétrica.

Das questões políticas, das que afligem o Estado, nadinha mesmo. Como se tudo tivesse sido combinado na base de uma cumplicidade em favor do silêncio e do esquecimento, mesmo com a presença relâmpago no plenário da deputada Hellen Ruth e de Ronilton Capixaba, duas figuras que pelo destaque de sua atuação no esquema das propinas, servem para lembrar que a crise ainda não acabou e não pode terminar em pizza.

Na sessão de quinta-feira os deputados ocuparam em votar uma extensa ordem do dia. Praticamente todas as matérias oriundas do Executivo foram aprovadas sem maiores problemas.


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