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Porto Velho,  qua,   20/janeiro/2021     
reportagem

Medidores de energia sobem nos postes e a conta pesa no orçamento do consumidor

29/8/2005 15:11:06
Por Aldrin Willy
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A situação dos moradores do bairro São Sebastião II é estarrecedora. Os medidores de consumo de energia, que antes ficavam nas casas, passaram para o alto dos postes de luz. A conta também acompanhou o salto: subiu mais de 750% em alguns casos. 


 Alessandra Batista da Silva está prestes a viver na escuridão. Moradora do bairro São Sebastião II, na zona oeste de Porto Velho, ela não sabe mais até quando poderá dispor de energia elétrica em casa.

Depois que a CERON (Centrais Elétricas de Rondônia) mudou os medidores de energia das casas e os instalou agrupados no alto dos postes, a conta de luz de dona Alessandra não pára de subir.

NA ESTRATOSFERA

“No primeiro mês que foi colocado o relógio [medidor de energia no alto do poste] a conta veio em R$ 36,00. No mês após [seguinte] já veio R$ 125,00”, conta Alessandra. A diferença entre uma conta e outra é de mais de 247%. No mesmo período, a moradora diz não ter gastado mais energia elétrica do que o de costume. Nem comprou nada que pudesse justificar um aumento tão brusco na conta.

Já as contas da presidente da Associação de Moradores do bairro, Claudeci Cunha da Silva, tiveram aumento ainda maior. Apesar de ninguém estar em casa durante a maior parte do dia – “eu trabalho na BR [próximo a Humaitá, no Amazonas] dando aula” –, suas contas dispararam.

“Tinha mês que eu pagava R$ 19,00 ou R$ 20,00. Agora tá vindo R$ 175,00”, diz Cunha. Isto é, depois que a energia passou a ser aferida pelos medidores do poste, a conta de dona Claudeci teve um aumento de 775%, mesmo sem ter modificado seus hábitos de consumo no período.

QUASE SEM EXCEÇÃO

A situação se repete para a maioria dos moradores das proximidades onde os medidores de energia convencionais foram trocados pelos novos, que agora ficam agrupados no alto dos postes.

Todos, quase sem exceção, reclamam que após a instalação do novo sistema de aferição de consumo, as contas subiram sem qualquer justificativa.

A reclamação não se restringe a bairros da periferia da cidade. Moradores do bairro Santo Antônio, uma das regiões mais valorizadas de Porto Velho, também protestam contra o aumento de suas contas de luz depois que o novo sistema de medição foi implantado.

Alessandra ainda tentou reclamar à Ceron sobre suas contas. A empresa então resolveu fazer um teste: designou um funcionário à casa da consumidora para lá instalar um medidor de energia convencional, a fim de verificar se haveria diferença entre a leitura deste e o do poste.

O resultado, segundo Alessandra, foi categórico: o medidor instalado em sua casa marcava R$ 66,00, enquanto o do poste acusava um consumo de R$ 88,00. Apesar disso, a conta enviada a ela naquele mês cobrava R$ 88,00. A moradora tornou a reclamar à empresa, mas desta vez a resposta do atendente foi menos cordial: “Você está usando mesmo!”

A presidente do bairro também tentou rever junto à Ceron suas contas. Mas a companhia se limitou a dizer que só tomara posição após a conclusão do processo que tramita na Justiça, questionando as cobranças.

ÀS ESCURAS

Além do aumento abrupto no valor das contas, os moradores também se queixam de não conseguir acompanhar seu consumo nos novos relógios de aferição elétrica. Para ler os dados sobre seu consumo, os usuários precisam se esforçar tentando enxergá-los através de uma lente posta na fronte do medidor, situado a mais de dois metros do chão. Quando o sol está a pico – algo comum em Porto Velho – esta tarefa torna-se ainda mais difícil.

O transtorno dos usuários sensibilizou o advogado Paulo Xisto, presidente da ONG (Organização Não-Governamental) Associação Cidade Verde (ACV), voltada à defesa do consumidor. Depois de estudar o caso, ele avaliou que os novos relógios ferem uma portaria da Aneel, que estabelece que os medidores devem ser de fácil leitura para os usuários.

Com base nesse argumento, Xisto prepara uma ação a ser impetrada na Justiça, visando a substituição dos medidores de poste pelos antigos, residenciais.

O advogado já realizou uma pesquisa com vários consumidores que tiveram os medidores de energia residenciais trocados pelos de poste.

Eles foram perguntados se conseguiam ler as informações sobre seu consumo nos novos medidores. A resposta foi unânime: todos disseram ter dificuldade para enxergar as informações nos relógios.

Quanto aos moradores do bairro São Sebastião II, Xisto se comprometeu a fazer uma reunião no dia 26, para discutir a situação. No encontro, os moradores concordaram em levar cópias das últimas 12 contas de luz, a fim de constatar os abusos nas cobranças.


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