Anuncie:  

Debate do Mês

Data: 20/5/2011

Que benefício trará para o povo a ida de deputados rondonienses para Santa Catarina?



Colunistas
Receba as matérias do site em seu e-mail

Cadastrar
Cancelar Cadastro

 

Porto Velho,  sáb,   21/setembro/2019     
cidades

Prefeito eleito de Guajará afirma: “Sou vítima de uma farsa”

1/8/2005 02:18:39
 
Comente     versão para impressão     mandar para um amigo    



Cláudio Pillon reconhece o poder de influência de Dedé de Melo, mesmo assim espera que a Justiça seja feita, recolocando-o no cargo para o qual foi escolhido pelo povo. 



Clique para ampliar
Cláudio Pillon, ex-prefeito de Guajará-Mirim, cidade localizada na fronteira com a Bolívia, ainda não perdeu as esperanças de reassumir o comando da cidade, onde foi reeleito “numa das mais concorridas disputa eleitoral do estado de Rondônia”, como classifica. O ex-prefeito derrotou fortes esquemas eleitorais. Guajará-Mirim teve um candidato (Miguel Sena) apoiado pelo governo estadual, outro (Dedé de Melo) pela estrutura do ex-prefeito da Capital e um do PT que, conta Pillon, “tinha recursos do PT nacional para sustentar sua campanha”.

Cláudio Pillon ganhou de lavada as eleições. Teve 28% a mais do que os votos do segundo colocado, Dedé de Melo, e mesmo assim foi arrancado da prefeitura por uma decisão Judicial, por estar respondendo acusações de ter cometido crime eleitoral. O caso de Pillon é semelhante aos de outros políticos eleitos que estão respondendo processos na Justiça Eleitoral e nem por isso estão suspensos do mandato de prefeito, para os quais foram os escolhidos pelo povo.

Na semana que passou o Tribunal de Justiça decidiu devolver o processo movido contra Cláudio Pillon para a primeira instância, “para dar-lhe o direito de exercer melhor a sua defesa”, como informou fonte que acompanha o caso. Pillon está longe de ter sentença transitada em julgado. Mas mesmo tendo direito a apelações permanece fora da prefeitura, ocupada exatamente por aquele a quem acusa de ter sido “o principal mentor da farsa” levada ao Judiciário.

DENÚNCIAS FABRICADAS


O prefeito eleito sustenta que as denúncias apresentadas à Justiça Eleitoral contra ele, em Guajará-Mirim, foram fabricadas pelo ex-deputado Dedé de Melo, através de cabos eleitorais financiados pelo pessoal do PDT. Cláudio Pillon reconhece “não ter avaliado direito a astúcia e o maquiavelismo político” do ex-deputado, e isso fê-lo “tornar-se uma vítima fácil das montagens” das arapucas do pedetista.

Contando como as coisas se deram, Cláudio conta que “o Dedé pegou um cabo eleitoral, de nome Pedro Barroso Sobrinho, o Pedrinho, e fez um acordo para que ele construísse uma obra de alvenaria num espaço público”. Nesse caso, vai detalhando o prefeito eleito, “o negócio era usar a obra irregular como se ela tivesse sido liberada numa barganha eleitoral”.

De acordo com Cláudio Pillon “o Dedé estimulou o Pedrinho a faze construção, colocando na cabeça dele que eu só seria prefeito até o final de 2004, período que não faria nada, pois era candidato à reeleição”. Em 2005 – continuando com sua narrativa – “ele, Dedé, seria o prefeito e regularizaria a obra do Pedrinho”. Numa das denúncias, a obra irregular foi usada para caracterizar “negociata eleitoral”. Esta versão não deveria, entretanto, prosperar porque – vai dizendo Pillon – a prefeitura tomou todas as medidas no sentido de notificar, autuar, negar alvará de funcionamento, e tudo mais. Hoje, destaca o prefeito-eleito, “está claro que realmente o Dedé montou o esquema, pois estando à frente da prefeitura desconheceu todos os procedimentos realizados e mantém sob sua proteção a obra irregular do Pedrinho”.

ADVOGADO DA PREFEITURA

Outra denúncia contra Cláudio Pillon atribuída ao maquiavelismo de Dedé narrada pelo prefeito-eleito envolve a prestação de serviço de um advogado à coligação pela qual Pillon elegeu-se. Esse caso contou à Imprensa Popular dessa maneira:

— Eu substituí um advogado que ocupava um cargo de confiança na prefeitura, mas eu não contratei ninguém no período eleitoral. O advogado cumpria seu horário na prefeitura. Depois do expediente defendeu ações junto ao Juízo Eleitoral, em nome do partido ao qual era filiado. Este partido estava coligado com a gente. O advogado estava trabalhando fora do horário do expediente da prefeitura. Esse advogado conseguiu derrubar alguns pedidos de direito de resposta de Dedé. Pois quando ele viu que perderia as eleições usou esta situação para nos denunciar, como se a gente estivesse usando os recursos da administração em favor da campanha.

Outra denúncia que contribuiu para impedir que Cláudio Pillon assumisse o mandato conquistado nas urnas de uma maneira insofismável envolve uma Kombi que abastecia no mesmo posto de gasolina onde a prefeitura abastecia. De nada valeu os argumentos do prefeito-eleito de que o combustível usado nos carros da campanha fazia parte de um contrato do comitê de campanha com o posto e que nada tinha a ver com a gasolina da prefeitura. “Tudo estava devidamente contabilizado, tudo foi feito de acordo com a legislação”, explica Pillon. Mesmo assim prevaleceu a farsa “filmada por gente do Dedé”.

VOTOS LEGÍTIMOS

Cláudio Pillon se afirma como um político não profissional. Por isso tem dificuldade em compreender como naturais e esperadas as denúncias do inimigo que é, em sua opinião, “um político profissional”, com muita influência em círculos que influem diretamente no desenrolar do processo.

Mas ele não deixa de declarar com firmeza: “Estou com a consciência tranqüila. Jamais usei a máquina para fazer campanha política. Agi dentro das minhas limitações constitucionais. Os votos que tive foram legítimos. Ganhei porque a população de Guajará-Mirim desejava que eu continuasse à frente da prefeitura, desta vez com todo o respaldo necessário para recuperar a cidade, promover o desenvolvimento, fazer um governo que democratizasse as oportunidades”.

INFLUÊNCIA DO ADVERSÁRIO

Mesmo acreditando estar sofrendo um tratamento diferente de outros prefeitos que respondem denúncias idênticas Justiça sem estarem afastados do cargo para os quais foram eleitos pela população, Pillon contou a Imprensa Popular que não teme a influência de Dedé de Melo em importantes núcleos de Poder, “uma realidade que construiu ao longo de sua vida política, especialmente como deputado estadual que sempre freqüentou os gabinetes mais importantes das instituições”.

Para ele o Judiciário rondoniense está repleto de homens com grande sentimento social e que são contra a impunidade, e que não se intimidam com aqueles que possuem uma blindagem que se transmuda na amizade com gente de poder. Por tudo isso, apesar dos obstáculos do momento, Cláudio Pillon confessa estar com esperanças sempre renovadas de que nada está perdido e no final prevalecerá a vontade manifesta do povo da “Pérola do Mamoré”, quando ele assumirá o cargo a que fez jus pela vontade popular.

Foto: Roger LaFontaine
--------------------
LEIA TAMBÉM:
Há inquéritos contra Dedé. Só que não andam


Nenhum comentário sobre esta matéria

Mais Notícias
Publicidade: