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Porto Velho,  qui,   18/julho/2019     
reportagem

“Pró-morar” sem energia até hoje

1/8/2005 02:11:22
Por Edson Lustosa
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Moradores têm que puxar rabichos e seus eletrodomésticos são destruídos pela precariedade do sistema elétrico. 


 A história de Anita Maria da Silva é apenas mais uma, dentre tantas, de pessoas que viviam na mais absurda miséria em barracos à beira do Canal dos Tanques e que foram chamadas há oito meses a ocupar as casas construídas com recursos do Programa Habitar Brasil, na confluência das ruas Raimundo Cantuária e Mamoré, na Zona Leste de Porto Velho. Só que, apesar de ganhar uma casa de alvenaria, seu desconforto por outro lado aumentou: o conjunto Pró-Morar não foi dotado de energia elétrica. E os moradores tiveram que apelar para rabichos puxados das fiações próximas.

Para outros moradores, o que aumentou não foi apenas a distância do centro e o desconforto, mas também as dificuldades financeiras. Esse é o caso de Francisca Luciene, uma dona de casa que vive de fazer dindim – saquinho de refresco congelado – e que teve uma geladeira e um frigobar queimados em função do precário sistema elétrico.

Além de atingidos individualmente, os moradores enfrentam também problemas que afetam a coletividade como um todo. O abastecimento de água é feito a partir de um poço artesiano. Além de vez por outra queimar a bomba, há o problema de roubo dos fios por marginais das redondezas.

Francisca é a encarregada de operar a bomba d’água e é também quem mobiliza a população do conjunto para cobrar providências das autoridades. Segundo ela, recentemente venceu o prazo para que a construtora instalasse os transformadores e providenciasse a ligação da energia elétrica. Enquanto isso os problemas prosseguem e se agravam, pois, à medida que vão queimando eletromésticos e equipamentos, as dificuldades financeiras daquela comunidade aumentam. Já houve situação de se passarem quatro dias sem água por falta de dinheiro para mandar consertar a bomba queimada, já que muitos moradores não conseguiram sequer dispor dos R$ 5,00 que são recolhidos de cada domicílio como contribuição para a manutenção do sistema de água.

Mas o que mais revolta os moradores é o tratamento que recebem das pessoas a que recorrem para resolver o problema. “Às vezes, quando vamos cobrar a instalação dos transformadores, dizem que se nós perturbarmos muito vai ser pior, pois vamos ter que pagar conta de luz de todo esse tempo pra trás, desde que entramos aqui”, conta Francisca. Segundo ela, o apoio maior tem vindo da imprensa. Em razão de sua situação econômica, a radialista Alisângela Lima conseguiu por meio do programa “A Bronca é Sua” uma geladeira para que ela pudesse continuar a fazer dindins.

RISCO DE CÂNCER

Francisca foi contemplada com a casa do Pró-Morar em face das dificuldades que enfrenta para sobreviver. Tem um filho que teve que fazer transplante de medula por causa da leucemia. Agora o risco a que a família se expõe, assim como todos os moradores do conjunto é o de ter câncer ou outras doenças, já que as caixas d’água colocadas em todas as casas são de cimento-amianto, um material cancerígeno, proibido em todos os países do primeiro mundo, que, quando entra no corpo humano pela ingestão, na água, não é eliminado pelos anticorpos.

Fica lá dentro, principalmente no pulmão. A maioria das doenças do amianto não têm cura. Algumas podem matar a curto prazo e outras vão matando lentamente por asfixia.

A asbestose é o endurecimento lento do pulmão, que causa falta de ar progressiva, cansaço, emagrecimento, dores nas pernas e costas. Não tem cura e progride mesmo que nunca mais se exponha a pessoa ao contato com o amianto. O tratamento empregado é apenas para diminuir os sintomas da falta de ar.

Outra doença provocada pelo amianto é o mesotelioma de pleura (tecido que reveste pulmão) e de peritônio (tecido que reveste a cavidade abdominal). Consiste em um tumor maligno que mata em até dois anos após confirmado o diagnóstico.

Outros males são as chamadas doenças pleurais, como placas, derrames, espessamentos e distúrbios ventilatórios. Embora os médicos digam que sejam “benignas”, elas trazem um série de incômodos, como falta de ar e cansaço.


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