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Porto Velho,  sáb,   7/dezembro/2019     
opinião

Editorial: Semear dinheiro para colher votos. Universitários podem contribuir

1/8/2005 01:48:14
Imprensa Popular
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O truque é antigo: fazer funcionar fundações, espalhar obras que nunca são acabadas, direcionar concorrências, montar folhas paralelas de pagamentos, dispensar licitações, etc. 


 A corrupção é praticada há muito tempo pelos políticos rondonienses. Às vezes, ela serve à formação patrimonial. Outras, é destinada a criação de caixa dois para financiar campanhas eleitorais e eventualmente comprar os votos. E foi exatamente com a justificativa de que todos “fizeram isso” que boa parte dos políticos atuais também aceitaram entrar na roda dos “mensalinhos”, garantidos em folhas de pagamento paralelas inchadas de gafanhotos, ou nos negócios de pedir um extra para “garantir a governabilidade”.

O que parece episódico (afinal, desta vez a coisa saiu na TV Globo) sempre existiu através das benesses do poder, que sempre alimentou uma relação orgânica com políticos, empreiteiros, “empresários” e “fornecedores de bens ou serviços”.

O Executivo rondoniense nunca buscou evitar as más companhias. O sistema funcionou até agora sem maiores traumas porque as artimanhas da corrupção não eram tão banalizadas como hoje, quando são mostradas em fitas de vídeo ou gravações telefônicas.

No final da década de 1970 e em toda a década de 1980, a sociedade civil organizada de Rondônia não exigia, como hoje, a participação efetiva na discussão e presença eficaz nas estruturas de Poder. Ninguém estava seriamente comprometido em propor um projeto para o desenvolvimento do Estado. Ninguém estava interessado em discutir o poder do interesse privado e do dinheiro nas eleições. Ninguém discutia a necessária intervenção cirúrgica no nepotismo e no afilhadismo (o tal pistolão), prática comum na formação do novo Estado.

Os males de Rondônia não foram combatidos ou corrigidos em sua origem. A força da impunidade acabou por contaminar o tecido social e político do nosso Estado. Esse combate continua sendo o grande desafio de hoje.

Se no passado as revelações tivessem acontecido de forma tão devastadora como agora, certamente o Estado não estaria vivendo esta náusea explícita, principalmente porque o desejo da maioria, de ver tudo explicado ou resolvido, tem tudo para não ser realizado.

Os ocupantes do Poder de hoje continuam acreditando na impunidade, esperando o fim dos processos nos canais competentes. É nisso que acreditam enquanto tiverem o escudo do mandato ou a força da influência. E para isso prevêem uma ótima colheita de votos se continuarem usando as estratégias de sempre: associações de filantropia mantidas com dinheiro público; roubo grosso e explícito para pagar o gigantismo das campanhas; imprensa amestrada; cestas básicas; laqueaduras; remédios e outros materiais dados principalmente à canalha inconsciente, aos analfabetos políticos.

E como tudo – dizem eles – acaba sempre no “buraco negro” da Justiça e no esquecimento da opinião pública, serão reconduzidos aos confortáveis nichos do Poder, prontos para continuarem fazendo coisas ainda mais inacreditáveis, ainda mais abomináveis, ainda mais inaceitáveis para ficarem cada vez mais ricos, cada vez mais blindados e mais poderosos.

Para quem vive há mais tempo em Rondônia e conhece os ingredientes utilizados na formação de impérios (alguns, finalmente, em decadência) como certos “sistemas de comunicação”, de transportes, de redes de distribuição de remédios, de produtos alimentícios, de hospitais etc., é natural sentir náusea diante de tanta impunidade.

É nauseabundo o cheiro desses enriquecidos dos últimos 25 anos. É grotesco ver, por exemplo, uma figura como o “Caudilho de Ariquemes” arrotar honestidade e ter a coragem de propor a recuperação da ética na política do Estado.

Rondônia, como o Brasil, precisa mudar! Se antes havia uma espécie de silêncio nas almas refreando a indignação popular, hoje a reação pode ser diferente.

Temos hoje, espalhados por toda Rondônia, uma grande comunidade universitária. E cabe à universidade um papel relevante para se conseguir uma intensa mobilização popular. É preciso que a comunidade acadêmica entenda que a instituição universitária deve estar a serviço do povo.

É imperativo que a instância universitária, em comunhão com a sociedade, discuta e proponha um projeto para o nosso Estado. A universidade tem de assumir papel político e social. As faculdades precisam recuperar aquilo que tinham no passado: alma. E tendo alma, certamente as turmas terão o coleguismo, a convivência, fazendo com que a juventude universitária seja capaz de enfrentar o desafio de hoje, fortalecendo os ideais da ética e da transparência, em favor de um Estado que num futuro próximo pudesse ser orgulho para todos os brasileiros.


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