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Porto Velho,  ter,   17/setembro/2019     
reportagem

Empresários acham que corrupção inibe nosso desenvolvimento

19/7/2005 20:47:48
 
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Agora até os micros empresários têm a percepção de que o Estado se torna menos atraente para empreendedores e para investimentos produtivos. Tudo isso porque a corrupção rondoniense está se tornando endêmica. 



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Os maiores empresários do setor de serviços e do varejo de Porto Velho transmitiram à Imprensa Popular a visão de que na corrida global pela competitividade Rondônia tem perdido postos importantes, comprometendo o seu desenvolvimento. Esta é uma percepção ditada pela experiência e pelo dia-a-dia de empreendedores como Jaime Ledo, um empresário que atua na área do turismo, da distribuição de combustíveis e de empreendimentos imobiliários de alto nível que, lamentavelmente, não pode ser comprovada por índice oficial de crescimento competitivo, porque o governo rondoniense é pobre em dados estatísticos de toda natureza.

São muitos os empreendimentos previstos que acabam sendo abortados quando os investidores percebem que a qualidade das instituições públicas do Estado está aquém das exigências do ambiente macroeconômico e das questões tecnológicas.

Mesmo quem não está diretamente ligado ao setor dos investimentos produtivos constata que Rondônia vem numa seqüência de retrocessos a muito tempo. Há, certamente, como diz o empresário Jaime Ledo, vários fatores que prejudicam a performance de nossa competitividade no cenário nacional e até no regional. E não apenas os ligados à política fiscal com sua elevada carga tributária. Para este empresário, a falta de uma política de governo voltada para o desenvolvimento verdadeiro, tanto das atividades do comércio como da indústria, reduz a atratividade de investimentos.

Outros empresários de porte apontam o fracasso da política social, que não melhora a condição de vida mesmo da população efetivamente empregada (como é o caso dos servidores públicos), recebendo salários capazes de promover sua inclusão no mercado consumidor, como responsável pela paralisia econômica visível, “onde até supermercados são obrigados a fechar, pois acumulam prejuízos diante da baixa capacidade de consumo” desses trabalhadores.



INFLUÊNCIA DA CORRUPÇÃO

Agora não são apenas os grandes empresários lojistas e do setor de serviços que avaliam ser a corrupção outro importante obstáculo importante ao desenvolvimento econômico. Também os pequenos, médios e microempresários passaram a ter preocupação com o efeito da corrupção no desenvolvimento dos negócios, conforme apontaram em entrevistas colhidas por Imprensa Popular.

É natural a desconfiança de investidores em iniciar novos negócios num ambiente corroído pela corrupção da classe dirigente do setor público, porque sempre há o risco de desperdiçar recursos, pois nesse ambiente os investimentos são sempre mais caros e a produtividade reduzida.



PUNIÇÃO PELO VOTO

O cearense Geraldo Mesquita está em Rondônia há 18 anos. Está preocupado “com essa desgraceira” da corrupção mas, confessa, “a solução para isso deverá vir pelo voto”, com o próprio povo punindo os políticos que criaram “essa decomposição moral” nas instituições do Estado. E mesmo nesse quadro de desalento, Mesquita considera Rondônia “como um dos únicos estados do Brasil com boas condições para o pobre viver e para quem gosta de trabalhar crescer”.

Dono de uma mercearia localizada na avenida Guaporé, no Jardim das Mangueiras, o comerciante está feliz com o estado que escolheu: “Cheguei aqui e fui ser empregado de lojas. Consegui fazer uma sociedade com o meu primo e fui trabalhar no Mercadinho do Hum, de onde sai para montar este comércio”.

O comércio cresceu. Hoje aquilo que era apenas um mercadinho, transformou-se numa movimentada mercearia com seção de padaria e lanchonete. A explosão da corrupção de agora, disse Geraldo a Imprensa Popular, “ainda não afetou seriamente” o seu comércio, mas aumentou sua “preocupação com o futuro do Estado”, onde sonha em criar “os filhos, num clima de boas perspectivas”.

Geraldo não gosta de expor profundamente seu pensamento, “porque a gente pode não agradar e criar inimizades desnecessárias”. Por isso ele não opina sobre “as responsabilidades e as implicações” do governador e dos deputados no chamado mar de lama em que Rondônia se debate.

“Acho que nosso futuro ainda não está comprometido. É claro que as coisas hoje são mais difíceis do que eram quando aqui cheguei. Os escândalos envolvendo políticos em esquemas de corrupção devem complicar um pouco o crescimento do Estado mas Rondônia não vai parar de crescer”, opinou o comerciante. Ele espera que mesmo com todas estas dificuldades “a situação melhore quando recebermos indústrias que fatalmente virão se as hidrelétricas anunciadas forem realmente construídas”.

Mesmo acreditando que fica mais difícil fazer negócios na presença da corrupção, “porque isso pressupõe-se a necessidade das propinas”, Geraldo garante que “Rondônia ainda é a melhor opção no Brasil para quem tem poucos recursos mas gosta de trabalhar e quer crescer”.



DISTORCE O MERCADO

Entre os microempresários ouvidos por Imprensa Popular há uma percepção generalizada de que os efeitos da corrupção da classe política distorcem o mercado, “porque cria vantagens artificiais para empresas ou setores dispostos a pagar propinas, resultando em economia menos competitiva”, como observou o rondoniense José Gomes de Arruda, dono de uma frutaria na José Vieira Caúla, esquina com a rua México.

José Gomes confessou que está indignado com “estes fatos escabrosos” e acha que todos, “os deputados, o governador, os secretários e as empresas que movimentam a corrupção” deveriam responder pelos crimes cometidos contra o erário, mesmo não acreditando nisso, “porque como os demais”, acrescentou, “tem essa sensação de impunidade, uma praxe do país”.

Como rondoniense, Gomes Arruda afirma ter maior tristeza “ao ver gente nascida no próprio estado, como a deputada Hellen Ruth” fazendo “essas coisas tão indignas, cometendo os maiores erros, mostrando não ter nenhum amor pela terra onde nasceu”.

O comerciante acha que Rondônia tem um potencial incrível “mas precisa de uma ação positiva dos políticos, principalmente do governador, para crescer”. Esta visão otimista de José Gomes de Arruda fica comprometida, como o mesmo explicou a seguir: “É claro que com tanta corrupção vivemos, todos nós, um clima de insegurança. Isso tem uma relevância especial, que pode até determinar, como fala-se hoje abertamente, uma intervenção federal no Estado”.

Fotos: Aldrin Willy


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