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opinião

Editorial (2): Juventude encurralada no desespero

3/7/2005 21:02:03
Imprensa Popular
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O que vem abalando a nossa juventude é a falta de perspectiva e a indiferença geral dos governantes. 


 A juventude rondoniense está cada vez mais presente na crônica da violência urbana, principalmente em nossas grandes cidades. É cada dia maior o número de jovens mortos de forma violenta. É cada vez maior o número de jovens lotando os presídios do Estado. Algo muito errado está acontecendo nesse pedaço de Brasil.
Ser jovem em Rondônia tornou-se um fardo muito pesado. A maioria desse segmento não tem perspectiva de um futuro melhor e nem apoio, seja das famílias e das instituições, para encontrar um caminho seguro, onde possa construir uma vida cidadã, produtiva e com boas condições de sobrevivência.
Essa indiferença do Poder Público com as condições existentes, causadoras da exclusão da maioria dos jovens, certamente comprometerá ainda mais o futuro do Estado, obrigando a juventude local a ampliar um processo migratório em busca de lugares onde hipoteticamente existam melhores condições de sobrevivência.
Os homens detentores do Poder em Rondônia têm uma coisa em comum: se valem da política para enriquecer. Estão se lixando para as condições crescentes de miserabilidade do povo. Por isso não surgiu – até hoje – nenhuma ação expressiva voltada para a formação de nossa juventude em termos morais, intelectuais, profissionais e até mesmo do lazer. Ao contrário: o Poder Público rondoniense contribuiu até agora para destruir manifestações de valores culturais, apoiando a marotagem comercial desses eventos alienantes, como o tal Carnaval Fora de Época, dos quais personagens ligados à política rios de dinheiro sem devolver nada à sociedade.
Ao contrário de nesse tempo todo criarem centros de formação e manifestação cultural genuína, o Poder Público – descaradamente – preferiu jogar o dinheiro do povo em patrocínio desses eventos que só servem para sugar os parcos recursos necessários para movimentar a economia local. Aqui se tornou praxe o patrocínio governamental até para enganações do tipo “Garota Molhada”, cantores Gospel (???) e tantos outros tipos de sinecura do mesmo naipe.
Enquanto isso, aquilo que poderia servir para ocupar as mentes de nossos jovens de forma criativa, ampliando sadiamente seus horizontes é simplesmente riscado do mapa. É por isso que Rondônia (principalmente a Capital) não possui um local para o desenvolvimento do atletismo, não possuí um verdadeiro teatro, não conta com escolas para a formação e o estímulo das artes e nem a preocupação com a preservação das grandes manifestações culturais de outros tempos, como foi o Carnaval de Porto Velho, com suas escolas e blocos carnavalescos.
Tudo isso porque estas são atividades abertas à participação de todos e não meros esquemas caça-níqueis dominados por pessoas ligadas a políticos, mais interessadas em faturar o máximo (imaginem quanto faturam, por exemplo, esses famigerados vendedores de “abadas”) pagando o mínimo, inclusive ao fisco.
Num quadro de pleno de desemprego, de nenhuma política voltada para o bem-estar da juventude, da inexistência de escolas técnicas voltadas à formação da mão-de-obra, da falta de centros de promoção cultural, sobra para a juventude, sobretudo aquela dos setores mais pobres da sociedade, apenas o ócio e o desespero diante da falta de perspectivas com o futuro.
A sociedade rondoniense está em sérios apuros. A polícia perdeu a corrida para a criminalidade urbana que tem cada vez mais a participação dos jovens oriundos da exclusão social. Enquanto o governo deixa de profissionalizar a juventude para as atividades produtivas, canalizando suas aptidões esportivas e culturais, o crime organizado trata de cooptá-la para o fortalecimento de quadrilhas do tráfico, da prostituição e da ladroagem.
A juventude não descamba para a vida desregrada por que quer. A falta de escapatórias da miséria, da crescente desagregação familiar e a constatação de que as oportunidades são quase sempre reservadas a grupos restritos que gravitam em torno do Poder estimulam os jovens a desembocar no mundo marginal, onde o que conta é a lei de Gerson, nem que para isso seja necessário barbarizar o semelhante, roubando, matando, traficando ou prostituindo-se.
As mudanças desse quadro social cada vez mais caótico a minar nossa juventude não acontecerão sem ações do governo, nos seus diversos níveis.
Até o momento – desde que Rondônia se transformou em Estado – os governantes não têm tomado atitudes de impacto que possam levar nossos jovens a ter esperança de que terão um futuro melhor em nosso Estado.
Tudo, até agora, não passou de blá-blá-blá inconseqüente. Enquanto políticos e apaniguados do Poder ficam cada vez mais ricos roubando os recursos públicos, usando o tráfico de influência e se beneficiando da impunidade, nossa juventude, encurralada no desespero desse teatro do absurdo, só encontra o caminho da degringolação, onde os marginais sempre levam vantagem e os homens de bem começam a sentirem-se vergonha de sua própria honestidade.


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