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opinião

Corrupção ativa e passiva

2/5/2005 09:51:14
Imprensa Popular
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O povo de Rondônia tem visto todo tipo de maracutaia, as piores coisas em termos de corrupção ativa e passiva e tudo acabando numa enorme pizza. 


 Em Rondônia a corrupção vem sendo uma das maiores causas de esfacelamento do estado e miséria da população. Embora seja um dos mais jovens estados do Brasil, Rondônia já nasceu circundada por essa conduta criminosa. Aliás, dizem aqueles que conhecem mais de perto a história de nossa terra, que a corrupção já andava disseminada por aqui nos tempos em que Rondônia era mero Território Federal.

É bom que se diga: ninguém veio para Rondônia, de sua fase de Território até os primórdios de sua transformação em Estado com autonomia administrativa, política e financeira, com outra ambição que não fosse a de enriquecer e depois voltar à sua terra de origem, como um “vencedor”, como alguém que arrumou o seu “pé-de-meia”.

Rondônia cresceu com rapidez em meados da década 70 e da 80. Seu crescimento – com a forte migração – não aconteceu livre da prática de lesar os cofres públicos. Pelo contrário: com a implantação do Estado a corrupção refinada (e grotesca no andar de baixo), praticada pelo baronato do serviço tornou-se uma praxe. Esse baronato encarregou-se de privilegiar seus parentes, apaniguados e amigos em negociações que contribuíram para impedir a construção de um novo Estado sem os vícios das unidades mais antigas da Federação.

É possível observar que no período dos governos nomeados pelo regime militarista já grassava por aqui o tráfico de influência, a troca de favores. Foi uma época em que grande parte do baronato do serviço público se formava na base do apadrinhamento e do clientelismo. Essa foi uma corrupção que cresceu menos por má-fé dos governadores do que por falta de determinação para enfrentar o chamado “status quo”.

O serviço público era um caminho para o enriquecimento, principalmente nos cargos do escalão mais alto. Se alguém com poder para isso tivesse interesse em investigar como surgiram boa parte das maiores fortunas rondonienses descobrirá verdadeiras barbáries. Verá que a criação de empresas algumas empresas estatais que viraram fumaça serviram como luva para os praticantes do “bakshish” (criar dificuldades para vender facilidades), favorecendo a prática de abusos de toda ordem, favorecendo aqueles que eram amigos do governo.

É claro que a falência do Beron S/A – até agora em processo de liquidação – tem tudo a ver com a corrupção. Aliás, neste caso, embora falido o Beron ainda garante ótimos salários para esse pessoal privilegiado que recebem a pretexto de serem os “liquidantes” de sua massa falida. É claro que a falência da Enaro (outro elefante branco da administração) foi fruto da irresponsabilidade e da “esperteza” de seus antigos gestores. Estes são apenas dois casos, mas a história da recente administração rondoniense está cheia de acontecimentos semelhantes, com personagens conhecidos que deixaram atrás de si, na impunidade, resultados do saque promovido contra os cofres públicos.

O coronel Jorge Teixeira – último governador nomeado de Rondônia – concluiu seu longo período de governo sem roubar. Quando morreu, amigos precisaram contribuir para custear seu féretro. Mas Teixeira não conseguiu impedir o péssimo comportamento da classe política que o rodeava e das práticas de espertezas do baronato fortalecido durante sua gestão. As falcatruas transformavam pés-rapados da administração em aspirantes de nababos, donos de um patrimônio para o qual nunca tiveram lastro.

Empresários de fancaria ganhavam rios de dinheiro graças ao seu envolvimento com o time do primeiro escalão que aceitavam participar dos esquemas de desvio de verbas destinadas a pagar obras públicas, produtos e serviços comprados pelo governo.

Quem nunca ouviu falar da formação de verdadeiras quadrilhas, com elementos infiltrados nos mais diversos setores do Estado, voltados para o objetivo maior de se locupletarem às custas do patrimônio público?

Quem não sabe, por exemplo, do funcionamento daquela espécie de corrupção, onde os jornalões eram pagos por matérias jornalísticas que zelassem pela boa imagem do governo, escondendo os escândalos ocorridos, dentro do princípio da publicidade favorecendo o grupo de sacripantas que enriqueciam com os desvios do erário?

Hoje o quadro não é muito diferente. Tem muita gente se locupletando do patrimônio público. Gente reconhecidamente corrompida continuam aumentando ainda mais as dimensões de seu patrimônio nos manjados esquemas da segurança privada, dos marmitex, do aluguel de aeronaves e veículos, da venda de remédios, material hospitalar, dos aluguéis de prédios, e toda uma rede de negociatas, destas que vendem o que não entregam, que superfaturam preços, etc.

Nenhuma destas grandes fortunas formadas nos últimos 30 anos resistiria uma investigação interessada em saber como tudo começou. E a situação deverá continuar assim, com o dinheiro de áreas como saúde e educação escoando-se por muitos ralos.

O rondoniense é um povo destinado a ser reiteradamente lesado. Sua total apatia, sua incapacidade de reação ao que acontece faz com que até a malfadada onda do tal carnaval temporão (que de carnaval praticamente não tem nada) sirva para levar o dinheiro público às contas-correntes de espertalhões. Os parasitas e usurpadores sobrevivem do Poder. Sem ele não existiriam os Tocas da vida, os bicalhos e toda uma corja de fornecedores, empreiteiros, prestadores de serviços que praticam vários crimes, através da corrupção passiva e ativa, pagando e recebendo propinas, exercendo o narcotráfico e a lavagem de dinheiro. No meio desse pessoal não existem inocentes.

A corrupção prejudica a todos, notadamente aos mais pobres. Os que se aproveitam da corrupção, crendo na impunidade, adotam o jeitinho brasileiro considerando que roubar o patrimônio público é apenas uma “habilidade” de lucrar nas mais adversas situações.


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