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Porto Velho,  sex,   19/julho/2019     
reportagem

Deputados constatam que a governabilidade está próxima do impeachment

18/4/2005 14:52:58
Por Imprensa Popular
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Não será fácil para o governo Ivo Cassol reconquistar as melhores condições para implementar seus programas de governo. A governabilidade está verdadeiramente na corda bamba. 


 Ivo Cassol tornou-se governador de Rondônia porque simbolizou o eixo central de uma eleição onde povo esperava conseguir uma renovação qualitativa, uma mudança com segurança e ética. A população queria encerrar, com a sua eleição, um ciclo da política estadual dominado pelos chamados políticos profissionais. Imaginava-se que um candidato desvinculado dos tradicionais grupos que financiam as campanhas fosse capaz de comandar uma gestão livre dos oportunistas, dos clientelistas, dos provincianos, dos corruptos e dos fisiológicos.

Para vários deputados, o governador Ivo Cassol chega aos dois anos e quatro meses de seu mandato exaurido, sem maiores condições de construir uma trajetória política que supere seus antecessores. Alguns parlamentares mais contundentes, como o deputado Emílio Paulista, acham que “os obstáculos construídos por Cassol” começaram dentro da própria família. Uma coisa que ficou evidente quando o governador afastou o ex-deputado César Cassol, seu irmão, do primeiro escalão do governo, comentam.

RESPEITÁVEL

O deputado Emílio Paulista, de Cacoal, faz questão de ressaltar “a pessoa de Cassol como uma figura respeitável”, deixando claro que suas críticas são endereçadas ao político que, como governador, “é o responsável pelo descalabro em que se encontra a saúde, a educação e a gestão do dinheiro público do Estado”.

Cassol começou seu mandato como um governo boxeador, aporrinhando a classe política, membros do Judiciário e chegou a ir à Brasília para pedir uma força-tarefa para combater a corrupção por aqui, quando aceitava até mesmo uma intervenção federal para “essa limpeza”.

O deputado Emílio Paulista está convencido de que o dinheiro público “não está sendo bem aplicado pelo Executivo”. Estimulado a prosseguir o deputado de Cacoal acrescenta: “Nós sabemos que o governo gasta mal e tem uma despesa monstruosa, como esse gasto com helicópteros na Educação. Há também esses casos escabrosos como o dos marmitex”.

Emílio Paulista tem a impressão de que “quando as secretarias de Estado responderem à mais de um centena dos requerimentos com pedidos de informações” aprovados na Assembléia, sobre os mais diversos casos, “certamente será possível pensar num pedido de impeachment do governador”. Para ele “o governo boxeador está nas cordas”.

NO FIM

O deputado Nereu Klosinski, do PT, afirma ter a impressão de que “o governo Cassol chegou ao fim”, atormentado por um verdadeiro dilúvio de denúncias as mais diversas, inclusive algumas feitas pelo Ministério Público. Esta situação, explicou o parlamentar, pode ser constatada quando “se vê que a jactância do início de seu mandato se transforma agora em gestos de defesa”.

O parlamentar do PT lamenta os efeitos dessa crise: “A máquina pública está parada. Há um engessamento da economia”. Mesmo sem ter uma convicção formada sobre os próximos lances dessa crise de relacionamento entre o Executivo e os demais Poderes, o deputado Nereu Klosinski garante que “é prematuro falar de impeachment, até porque os deputados não podem transigir com o interesse público, e não irão tomar uma decisão emocional, sem sopesar as melhores alternativas para o futuro do Estado. É cedo para falar sobre uma medida dessa natureza”.

NINGUÉM É DONO DO ESTADO

O deputado Edson Gazzoni explica quase didaticamente como foi quebrada a harmonia entre o Executivo e os demais poderes constitucionais do Estado. Em sua análise, a crise tomou essa dimensão (principalmente na relação entre o governador e a quase totalidade dos deputados) porque “ela decreta que o Estado não tem dono. Pode ter um mais gerente, jamais um dono”.

O parlamentar lamenta que o governador não tenha compreendido que “não é da natureza do parlamento se deixar mandar”. O deputado considera que as relações com o governo deterioram-se “diante da arrogância e prepotência daqueles que se consideraram os donos de Rondônia, achando que não teriam de prestar contas de suas ações”. Essa falta de harmonia chegou a um nível “onde é praticamente impossível deter a ruptura e reconstruir um relacionamento de reciprocidade”.

O parlamentar foi taxativo em suas declarações a Imprensa Popular: “Nem os deputados confiam no governador e nem o governador confia nos deputados. Se não há credibilidade e confiabilidade e ambas as partes é impossível a existência de um relacionamento harmônico”.

Para o deputado de Porto Velho é preciso ficar claro que “este desequilíbrio” foi gerado pela tônica do discurso do governador Ivo Cassol, sempre maniqeuista. “Pela ótica do governador, desde o momento em que assumiu o cargo, a política de Rondônia era composta de dois tipos de cidadãos: os honestos e democráticos, competentes e evoluídos trazidos de Rolim, do seu lado, os desonestos e ditatoriais do outro lado, integrantes dos outros poderes”.

DISCURSO E PRÁTICA


O deputado Edson Gazzoni não acredita que o governo rondoniense tenha, “como dizem seus áulicos”, a simpatia da maioria do povo rondoniense “nesta disputa que promove com os demais poderes”. Para ele, se o governo não tivesse sofrido um grande desgaste pela maneira como conduz a administração “elegeria prefeitos nas principais cidades do Estado, pois isto seria o natural para uma liderança com alto índice de aprovação”. E não foi isso o que aconteceu, recorda o parlamentar.

Para o deputado “o povo sabe ver a diferença entre discurso e prática”. Ao bancar o desgaste político com os deputados e lideranças dos demais poderes, “o próprio governador começou a buscar a ingovernabilidade” com a preservação do sentimento de corporação e o apego ao atraso. Este método é que mantém no governo figuras denunciadas por má gestão em diversas áreas importantes, como na Saúde, onde o atual chefe da Caerd está sendo responsabilizado pelo desvio de R$ 19 milhões, sublinhou o parlamentar da Capital.

Com tudo isso Edson Gazzoni acha temerário falar de impeachment no momento, porque “não existe ainda uma denúncia formalizada na Assembléia Legislativa que leve a esta medida”. Em sua opinião, malgrado os mais de 100 requerimentos com pedidos de informações das diversas áreas do governo, “é preciso voltar as atenções para o STJ, que foi autorizado pela Assembléia a processar o governador rondoniense”.

DANIEL AINDA VÊ POSSIBILIDADES


Parlamentar com base eleitoral no importante município de Cacoal, o peemedebista Daniel Néri não tem o pessimismo de seu colega de parlamento, o deputado Gazzoni. Mesmo considerando que “a olhos vistos deteriora-se a situação política do governador Ivo Cassol”, o parlamentar ainda acha possível “ao Palácio Getúlio Vargas compor uma base de sustentação para o chefe do Executivo” atravessar o final de seu mandato.

Este otimismo do deputado cacoalense choca-se quando revela uma constatação pessoal: “A prosseguir sendo conduzido o governo pelo próprio governador, da forma como está, em breve testemunharemos uma crise de governabilidade sem precedentes na história recente do país”.

O deputado, em sua conversa com Imprensa Popular, afirmou que Ivo Cassol beneficiou-se das concessões que o parlamento costuma fazer a um governante recém eleito com muito apoio popular, e conseguiu aprovar tudo que quis na Assembléia Legislativa, ainda que cometendo trapalhadas, compreensíveis na fase inicial de qualquer governo, especialmente em se tratando de um governo de neófitos.

Néri acredita que o Executivo não está tendo respeito com os outros Poderes, esquecendo que eles autônomos e independentes entre si. Em sua opinião isso acontece porque não tem “um esquema de articulação política eficaz”. Ele (o governador) sempre assumiu pessoalmente a linha de frente da condução política do governo. O resultado é um desastre.

O deputado Daniel Néri acha que a Assembléia não tem procurado inviabilizar o governo tucano: “Se hoje a capacidade do governador em aglutinar forças no parlamento está totalmente comprometida, isso não acontece pela ação dos deputados que estão, isso sim, cumprindo o papel para o qual foram eleitos pelo povo. Nós estamos aguardando a documentação requerida junto ao governo para ver se há fatos, se há denúncias que justifiquem um pedido de impeachment. Até agora eu não vi nada que pudesse me motivar a opinar sobre isso”, concluiu.

EXISTEM MOTIVOS


Reconhecido como um dos parlamentares que faz a crítica mais ácida ao governador Ivo Cassol, o deputado Ronilton Capixaba, que tem sua base eleitoral no município de Ouro Preto do Oeste, é taxativo quando perguntado se há motivos para a proposta de impeachment do governador: “Motivos tem, e muitos. É por isso que nós estamos requerimentos e mais requerimentos pedindo informações sobre aplicações de recursos públicos, convênios e sobre a gestão em diversas secretarias do Governo. O governo precisa explicar porque não paga os médicos do interior e gasta desbragadamente, comprando a preços absurdos, coisas como marmitex”.

O experiente deputado Ronilton considera que “usando estes métodos de governar e fazer política o governador Ivo Cassol está sabotando a si mesmo”. O parlamentar amplia seus comentários lembrando que o preço da incompetência política e gerencial do governo, poderá ser a inviabilização da reeleição do governador. Mas, para o Estado, o preço de mais vinte meses de desgoverno é muito elevado.

Como o governador tem, entre os 24 deputados, apenas três parlamentares aliados, possivelmente o Palácio Getúlio Vargas não conseguirá aprovar mais nada importante no parlamento.

Paradoxalmente, o deputado Ronilton Capixaba não atribui às eleições de 2006 “os percalços atuais da política”. Na sua opinião, a disputa eleitoral de 2006 só irá refletir nas relações políticas do Estado a partir de outubro, quando as opções partidárias de cada personagem do cenário político estarão definidas. “Ainda não se sabe quem serão os candidatos ao governo, embora todos acreditem que Cassol é candidato a reeleição. Ainda não houve as mudanças definitivas de partidos”, esclareceu o parlamentar.

E concluindo o deputado do PL de Ouro Preto do Oeste ressaltou: “Eu não falo sobre impeachment, até porque estou na expectativa de ver se o STJ vai ou não vai processar o governador. Nós, deputados de Rondônia, fizemos a nossa parte, concedendo a autorização que o STJ nos pediu”.


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