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Porto Velho,  dom,   22/setembro/2019     
reportagem

Prefeito jura de morte editor de Imprensa Popular

21/3/2005 09:40:45
Por Imprensa Popular
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O jornalista Gessi Taborda enfrentou por v√°rios minutos a f√ļria do perigoso prefeito de Candeias do Jamary, sob a mira dos rev√≥lveres de seus dois capangas. Tudo presenciado pelos tr√™s jovens que distribu√≠am o jornal na madrugada da sexta-feira, dia 4. O jornalista escapou com escoria√ß√Ķes e a camisa rasgada, mas ficou marcado para morrer, como gritava o prefeito Chico Pernambuco. 


 √Č imposs√≠vel fazer um bom jornalismo, provocando o interesse do leitor, abordando temas e fatos mais pr√≥ximos da rua, tratando da realidade dura e cruel da vida real, sem correr riscos. O jornalista √© o inimigo preferencial de todos aqueles interessados em esconder crimes, em manter no sigilo um passado nada edificador. E quem mais odeia os jornalistas e os ve√≠culos que buscam atender os aspectos mais nobres da imprensa n√£o s√£o, como pensam alguns, os criminosos comuns e sim os do chamado colarinho branco.

O jornal Imprensa Popular tem mantido uma linha editorial que valoriza as reportagens substantivas, revelando o desrespeito debochado de personagens acostumados a usar a política para defender interesses próprios ou de pequenos grupos, em detrimento dos interesses coletivos, da maioria.

Veicular informa√ß√Ķes voltadas ao cidad√£o √© o compromisso maior deste peri√≥dico que j√° est√° em seu terceiro ano de funda√ß√£o. Como um ve√≠culo mais voltado para a investiga√ß√£o e an√°lise, o jornal n√£o esconde suas posi√ß√Ķes diante dos momentos decisivos, como os eleitorais.

Com relação a Candeias do Jamary, o periódico não escondeu sua posição contrária à eleição do atual prefeito, considerando-a um retrocesso, tendo em vista que como primeiro burgo-mestre daquele município praticamente nada fez para melhorar a qualidade de vida do povo. Nem por isso, as matérias veiculadas no período eleitoral objetivaram destroçar o indivíduo, em sua dimensão humana. O jornal comportou-se como um instrumento da cidadania, estimulando a reflexão, e nada mais.



AMEAÇAS VELADAS


Já no período eleitoral a equipe de distribuição do jornal recebeu ameaças veladas do grupo do atual prefeito para por um paradeiro na circulação de Imprensa Popular naquele município. A intimidação ficou apenas na ameaça verbal, até porque tudo aconteceu num momento em que outros grupos de pessoas dos demais candidatos chegaram à equipe de distribuição alertando-a do perigo que corria.

Ap√≥s o processo eleitoral a dire√ß√£o de Imprensa Popular preferiu deixar de circular no Candeias, enquanto n√£o nomeasse um representante na cidade, para evitar um confronto direto com o truculento e perigoso prefeito eleito. Ningu√©m aceitou nos representar ali. Todos que foram procurados argumentavam que “o Chico n√£o √© de matar com a unha!”.



NO GRAU DA DELINQUÊNCIA


Chico Pernambuco tem fama de adotar a barb√°rie para impor sua vontade desde os tempos em que atuava no garimpo, onde chegou a fazer fortuna. S√£o muitas as hist√≥rias de viol√™ncias daquele tempo contadas com ele como personagem. Tamb√©m na pol√≠tica do jovem munic√≠pio de Candeias do Jamary estas hist√≥rias se repetem – boa parte em surdina – reproduzindo o dilema de pessoas que sofreram intimida√ß√Ķes, agress√Ķes e que tiveram de mudar da cidade para evitar um fim tr√°gico.

Ex-vereadores e outros pol√≠ticos lembram casos de amea√ßas (quando t√™m a certeza de que seus nomes n√£o ser√£o revelados) que caracterizam o perigoso prefeito de Candeias, como “um homem que n√£o suporta oposi√ß√£o ou cr√≠tica, e trata de sufoc√°-la na marra”.



CAMINHONETE DA MORTE

E foi isso o que aconteceu na madrugada do dia 4, uma sexta-feira. O jornalista Gessi Taborda estava ali em Candeias coordenando a distribui√ß√£o de Imprensa Popular (o jornal distribui 95% de sua tiragem gratuitamente), em sua edi√ß√£o de n√ļmero 55. Ela trazia uma mat√©ria sobre a confus√£o reinante na disputa pela presid√™ncia da C√Ęmara Municipal e sobre os coment√°rios da popula√ß√£o e da m√≠dia sobre o mais recente enlace do prefeito, coincidentemente com uma pr√©-adolescente, filha de um vereador envolvido na disputa do legislativo mirim. Nada havia de ofensivo √† pessoa do burgo-mestre.

Foi ali, na avenida Ayrton Senna (uma das principais de Candeias) que surgiu a luxuosa caminhonete Hilux Toyota do prefeito. Eles pararam na frente do carro do jornalista, impedindo que escapasse. Da caminhonete desce o prefeito completamente descontrolado, como um louco, e descem também dois capangas armados com revólveres de grosso calibre. O prefeito enfia a mão na janela do carro do jornalista, agarra-o pelo colarinho da camisa, rasgando, tentando desferir sopapos em sua cara, em seu peito, enquanto seus capangas apontam as armas para sua cabeça.

O prefeito quer arrancar o jornalista do carro para matá-lo. Os capangas estão preparados para fazer os disparos. Apavorados, os três entregadores do jornal correm e escondem-se num posto de gasolina. Isto dá uma brecha e permite ao jornalista engrenar uma marcha à ré e fugir do local.



CASTELO DO CRIME


Para o jornalista Gessi Taborda o crime praticado pelo prefeito de Candeias do Jamary contra a sua pessoa revela uma grav√≠ssima dificuldade para a consolida√ß√£o de uma imprensa determinada a revelar as aberra√ß√Ķes existentes entre dirigentes p√ļblicos rondonienses, que acreditando na impunidade de seus atos mais b√°rbaros cometem crimes a c√©u aberto.

Impedir a impunidade, ressaltou Taborda, principalmente daqueles que det√©m espa√ßo no poder, √© fundamental para que Rond√īnia seja vista pelos brasileiros como uma terra civilizada e n√£o como uma terra de ningu√©m. O jornalista disse que “num primeiro momento” sente medo “do crime encastelado em certos nichos de poder” mas continua defendendo o princ√≠pio de que “a imprensa n√£o pode ficar calada, pois o povo precisa de paz”. Os cidad√£os de bem desse Estado certamente continuar√£o demonstrando indigna√ß√£o com estes personagens que adotam o carrancismo e usam pistoleiros para fazer valer suas vontades”, finalizou.

Foto: Aldrin Willy


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