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Porto Velho,  sex,   19/julho/2019     
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As duas fases do Sesc Rondônia

6/3/2005 22:14:38
*Julio Yriarte
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O SESC parou no tempo, em especial, nos últimos 03 anos, pouco ou nada valem os antigos ideais, a Ação Finalística, a sua substancial programação é permanentemente sacrificada. O SESC não é mais o mesmo! 



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O SESC deu seus primeiros passos em Porto Velho nos idos de 1976. À época não possuía qualquer patrimônio físico nem estatura para ser abrangente na sua ação, entretanto, tendo como a figura mais visível e operante o saudoso Antônio Augusto Ferreira Filho (atuava como Gerente de Bem-estar Social), já dava sinais do seu caráter empreendedor e transformador, da sua agilidade e da sua transparência institucional, qualidades que posteriormente, e até pouco tempo atrás se tornaram sua marca registrada, em perfeita sintonia com seu diploma legal.

Embora seja uma organização criada e mantida pelo empresariado do comércio (em nível nacional) desde 1946, na sua filosofia institucional defende, entre outras finalidades: a melhoria da qualidade de vida do comerciário e sua família; a preservação e aumento da sua renda familiar; a acessibilidade e política de preços subsidiados para a clientela, e, como fim último, a busca incessante da “paz social”, desejo este, que se descortina como romântico, sonhador e utópico.

Até pouco tempo, os que constituem o terceiro agente, a terceira força, mais exatamente, a “inteligência” do SESC, ou seja, o seu corpo técnico, que é a elite pensante (falando em nível de Brasil), acreditavam, e ainda há os que acreditam neste sonho e nos ideais outros, pregados pela consciência filosófica sesquiana, porque ao final de contas, há casos em que é bom ser romântico e sonhador, acreditar até em utopias, é um alimento para a alma, o espírito. Não fosse assim, não haveria espaço para os poetas. Existe alguém mais sonhador, mais romântico e mais louco que um poeta?.

A guisa de informação: o primeiro agente do SESC é a Confederação Nacional do Comércio; o segundo agente é representado pelo Conselho Nacional e Conselhos Regionais de Representantes que agrupados, formam o GDS – Grupo de Dirigentes Sindicais.

No caso do SESC Rondônia, a concretude e abrangência da ação, a valorização dos seus quadros, a defesa real da renda familiar do comerciário e a boa aplicação e aproveitamento otimizado de recursos, se dá justamente na sua primeira fase, isto é, na época em que era Delegacia Executiva do SESC em Rondônia, que durou de 1976 a 1993, época que a chamarei de “essencial”.

Em diante, assume a sua autonomia ao converter-se em Departamento Regional do SESC em Rondônia, atinge a maioridade. É o início da segunda fase que a chamarei de “aparencial”. Não é necessário ser psicó ou soció-logo (brincadeira gramatical) para perceber que quando um “ser” sai da adolescência julga-se dono do próprio nariz e da própria cidade, e do mundo, faz coisas ora extravagantes e prepotentes, ora temerárias e inócuas, e em nome da nova condição de livre e autônomo, aflora-lhe um forte sentimento de propriedade, tudo ele pode, não reconhece o espírito coletivo e solidário, não se expressa com as atuais expressões: “nós somos ou faremos”, e sim, com a démodé, repressora e idiotizada expressão: “eu sou ou farei”. No caso concreto, a instituição, seja qual for, mas refiramo-nos ao SESC-RO, não pensa, não age nem reage, não absolve nem condena, não descansa nem trabalha, quem o faz, são os homens, cada um no seu papel específico. Como falei anteriormente, o SESC sempre foi formado por uma diretoria e inteligência dedicadas e voltadas aos interesses específicos da clientela e da instituição. Ultimamente, campeiam na direção dessa notável instituição a arrogância, o descaso com a clientela (vejam o preço dos serviços), o desrespeito à inteligência, o abandono dos conceitos de ética e moral, as suspeições administrativas, a falta de priorização de recursos para desenvolvimento das ações mais primordiais estabelecidas pelo ordenamento institucional, entre outras indesejáveis constatações que estão levando o SESC-RO à escuridão, ao marasmo e à retificação desnecessária de padrões já estabelecidos. A equipe de trabalho merece minhas considerações e meu afeto, pois é uma equipe formada por um grupo de guerreiros que mesmo sem a experiência dos servidores pioneiros e rodeados por um clima de insegurança e medo, conseguem levar adiante alguns poucos eventos, que não raro, tem que lançar mão de astúcia, desgaste ou prestígio pessoal, a fim de completar a tarefa. É lamentável!

Apontamos a 1ª etapa como essencial porque foi um período em que valia mais a essência, a substância, a qualidade dos serviços ofertados e a valorização dos servidores. Quanto às dependências físicas pleiteava-se a funcionalidade, não o luxo, os gabinetes da Direção eram os mais simples possíveis. Dessa época recordarei alguns nomes de muito valor, de muita essência, a exemplo de: Maron Emile Abi-Abib, Antonio Augusto Ferreira Filho, Nivaldo da Costa Pereira, Irlando Tenório, Francisco Marto de Azevedo, Marcos César Silva Pinho, Jesus Henrique Árias, Nazaré Malone, Mª Lucia Leal, Jonas Pinheiro Borges, Antônio Barbosa, Alejandro Bedotti, Roberto Sobrinho, Francisco da Silva, entre outros.

A 2ª etapa é “aparencial” porque o SESC parou no tempo, em especial, nos últimos 03 anos, pouco ou nada valem os antigos ideais, a Ação Finalística, a sua substancial programação é permanentemente sacrificada. O SESC não é mais o mesmo! (esta é a visão e o comentário comum da sociedade de Porto Velho, tão notória está a decadência). Agora o leitor tenha a curiosidade de observar o “luxo” das dependências da Diretoria na Unidade Esplanada, o luxo e o custo de manutenção dos veículos e aparelhos celulares a disposição exclusiva do Presidente e do Diretor Regional (a manutenção dos veículos é cara porque são utilizados para os mais diversos fins particulares, os celulares idem, e chegam a registrar contas individuais de até R$ 900, 00). Um absurdo, se consideramos que com esta quantia é possível promover um bom programa cultural, de forma sistemática.

Entre outros, há ainda, jantares (onde é muito apreciada a carne de carneiro), viagens permanentes a serviço que geram despesas altas com diárias e passagens. Se há algo de ilegal, não compete a mim julgar ou investigar, restrinjo-me apenas a chamar a atenção para a constatação de que os recursos existem, no entanto a programação social fica sempre para segundo plano. E o principal papel do SESC? Vai pro brejo?

Amigos leitores, podem notar que conheço a curta distância as particularidades e a sistemática do SESC. Em próximas matérias compreenderão o porquê. Daqui em diante, estaremos periodicamente ilustrando-os a respeito da história e da verdadeira missão do SESC no Brasil e em Rondônia, abordando e esclarecendo gradativamente a conjuntura atual, e, aos poucos, citando números e nomes.

Um abraço para todos.

(*) Julio Yriarte é instrumentista, produtor cultural e acadêmico de Direito.


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