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Porto Velho,  ter,   22/outubro/2019     
reportagem

Dadá lança livro mostrando que é um poeta com música na alma

1/11/2004 11:27:23
Por Imprensa Popular
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Adaides Batista é um autor autobiográfico, tanto na crônica, nas letras das músicas e também na poesia. O lançamento de “A Sobra das Noites” traz para os amantes da literatura uma obra de requinte literário raro entre autores locais. 



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Nascido na Ilha dos Mutuns, em pleno Rio Madeira, Adaides Batista, ou simplesmente Dadá, revelou-se cedo como um misto de competência e talento, comprovado já nas suas primeiras composições, realizadas nas rodas boemias da Baixa do União e no Bairro do Areal. Foi, como conta numa dessas composições, um menino atrevido que cruzava a região do Mocambo e dos bairros históricos de Porto Velho, tentando aprender violão os segredos rudimentares das músicas antigas com seu colega Vianey.

É um autor profícuo e ao mesmo tempo inédito. Quem conhece o conjunto de textos produzidos por Dadá vê que neles é possível vislumbrar os vários caminhos estéticos do escritor, navegando pelo seu requinte literário que recheia enigmas referentes àquela Porto Velho antiga, com seus labirintos e bucolismos à sua temporada de Manaus, onde foi graduar-se em comunicação social. E tudo isso numa expressão universal, capaz de garantir a ele uma carreira bem sucedida, posto que pode romper nossas fronteiras, afastando-se das mesquinharias. A obra completa de Dadá é vasta: vai começando pela poesia, passa pela fase de contistas e se avoluma nas crônicas.

Mesmo nascido de família pobre, nos cafundó dessa Amazônia, Dadá tem uma grande força poética, própria daqueles iluminados que carregam a música na alma. Iniciou sua base cultural estudando no Colégio D. Bosco, um estabelecimento de ensino que sempre atendeu às exigências das famílias burguesas. E lá estava ele, num meio proibitivo, aprendendo a ser feliz num repleto de adversidades.

Aparentemente contagiado pela alegria, plenamente justificada para alguém que saindo de uma ilha perdida na largura silente do portentoso Madeira e foi parar numa escola superior de Manaus (um luxo só acessível com facilidade para filhos de donos de seringais ou de outras fortunas), Dadá não escondia em seus textos as referências do ambiente de claustro das solidões naturais da geografia pouca densa dessa região, naqueles tempos.

Esse seu primeiro livro traduz (como se pode ver na poesia da página 37, “Do abraço”) o seu esforço de libertação, o seu desejo (realizado) de escapar das aflições, diante da solidão e da tristeza como uma sina determinada pela geografia.

Até na poesia o melhor lado do Dadá como autor, que é o de contar histórias, se revela. Isso é próprio daqueles que manejam o vernáculo sem temer o “delito” das limitações impostas pelas construções gramaticais ortodoxas. Sinceramente Adaídes Batista comprova, com este seu primeiro livro, que está entre os melhores autores de Rondônia, pois seja na prosa, no verso ou nas letras de canções mantém uma espécie de mitologia que só quem nasceu nesta parte do planeta pode sentir, compreender e explicar. Este é um escritor assincrônico: é de vanguarda mas tem um cerne experimental. Na obra de Dadá se torna nítido que na noite cálida e tropical, até uma sobra ganha a importância ganha a importância de uma literatura que persiste eternamente. (GTC).


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