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Porto Velho,  sáb,   19/outubro/2019     
reportagem

Pobreza política, ampla, geral e irrestrita

14/10/2004 08:38:47
 
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O que deseja um povo em crise, mergulhado no desemprego, no fracasso de todas as políticas sociais? O resultado eleitoral não respondeu mas deixou claro que o perfil ideológico do político não conta praticamente mais nada. 


 Praticamente terminou uma das eleições mais despolitizadas que assistimos. Em Porto Velho, onde uma nova disputa vai começar, ainda não dá para fazer de forma irretorquível essa afirmativa. Mas em Candeias, onde Imprensa Popular circula por mais de dois anos é possível constatar que este foi realmente um pleito despersonalizado. É difícil esperar que o resultado das urnas signifique algum avanço para aquela coletividade, para aquele município. É isso mesmo. Para quem acredita no mandato popular, o que aconteceu ali é de dar dó. Puxa vida! O que aconteceu ali dá a idéia de que aqueles eleitores foram acometidos de completa ausência de espírito crítico.

Parece que a maioria não quis abrir a janela e olhar no tempo. Ninguém desejou lembrar como era a Candeias do tempo da emancipação e a Candeias de hoje. O povo preferiu dar ouvido a sandices, condenando de novo a melhor alternativa que, claro, já tinha purgado, como a lei exige, o seu grande pecado.

Todos preferiram embarcar nas pequenas ofertas, decidindo na emoção despertada com um velho dossiê distribuído aos milhares na madrugada do sábado. Funcionou a pobreza política ampla, geral e irrestrita de quem deixa de lado aquilo que se falou de importante. Ninguém se deu conta de que a vingança poderá funcionar ao contrário. Nem aqueles que almejavam a continuidade do crescimento, do desenvolvimento da qualidade de vida, se aperceberam da baita incoerência de suas decisões.

O resultado final das urnas serve como exemplo de que também de pára-quedas vale a vitória. Esse resultado do vizinho município é um monumento ao pára-quedas. No próximo pleito, certamente outros se animarão a descer naquele município para ser a salvação da lavoura. E o povo, despolitizado de forma ampla, geral e irrestrita o tratará como o novo sóba, e não como alguém mal das pernas que busca no poder uma alternativa para escapar da quebradeira.

Este é um exemplo que serve para confirmar as confusas cores de um pleito em que faltou motivação à maior parte dos eleitores.

Todo o trabalho de formatação de uma cidade, de transformação de um mero vilarejo num município com amplas possibilidades de desenvolvimento não teve qualquer repercussão no voto popular. O mau desempenho do candidato da continuidade não aconteceu só pela falta de um bom discurso ou pelo ataque final relembrando sua “loucura” do passado. Na verdade ninguém se interessou pelo compromisso de dar continuidade a um processo de construção de obras emblemáticas, sem as quais a cidade vai parar, sem as quais o carrancismo continuará como ingrediente do poder.

É claro que a bomba da madrugada do sábado não fez estragos apenas nos eleitores neopentecostais. Essa militância é multiplicadora no processo eleitoral. E essa força resolveu devolver ao exílio aquele que já tinha pagado pelo crime. Até o momento do pleito uma alta porcentagem do eleitorado ainda não sabia em que votar. A bomba, numa situação dessas, só tinha de produzir o estragou que produziu.

O pior de tudo isso é ter de reconhecer que quando o processo chega ao seu final sem boas alternativas para uma escolha segura por parte dos eleitores, o sistema democrático falhou nas respostas a um povo em crise, mergulhado no desemprego, no subemprego ou no simples ócio. Essa pobreza política que afasta a maioria das pessoas do exercício da reflexão traz consigo um mau presságio. A cidade pode resvalar para a perda de sua própria personalidade. Sem lideranças capazes de mobilizar positivamente a sociedade, a marcha para o atraso e para o abismo parece ser inexorável.


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