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Porto Velho,  sex,   24/maio/2019     
reportagem

Pode ser lavanderia: Campanha de vereador mais cara do que de prefeito

9/9/2004 13:35:38
Por Nelson Townes de Castro
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Não é piada, pobre eleitor de Porto Velho. Candidatos às 16 vagas da Câmara Municipal desta humilde Capital informaram ao Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia custos de campanha eleitoral iguais ou mais altos do que a de muitos candidatos a vereador de São Paulo, a cidade mais rica do Brasil. 



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Um candidato a vereador pelo PT informou ao TRE-RO previsão de gastos eleitorais de um milhão e quinhentos mil reais. É o técnico em contabilidade Domingos Nascimento Borges, o “Dominguinhos do PT”, de 45 anos.

O orçamento eleitoral de “Dominguinhos do PT” equivale a soma dos gastos eleitorais previstos por três candidatos a prefeitos desta Capital, Oscar Andrade (PL), Dr. Ribamar Araújo (Prona) e Antonio Morimoto (PMN), que totalizam um milhão e seiscentos mil reais.


PIADA SEM GRAÇA

“Isso parece piada, mas não sei onde está a graça” – diz o comerciante Luiz Machado. “Não sei de qual dos orçamentos eleitorais devo rir, se dos que exageram para mais, ou dos que exageram para menos.”

“E de onde vem tanto dinheiro”? – pergunta o eleitor. “O povo mal tem dinheiro para comer e surgem candidatos prevendo gastar somas que jamais conseguiriam juntar com o simples vencimento de vereador.”

Os orçamentos das campanhas eleitorais declarados pelos candidatos ao TRE-RO não significam necessariamente que eles possuam essas quantias. É uma previsão de custos máximos de campanha.

A Justiça Eleitoral fiscaliza a movimentação financeira dos partidos e as despesas eleitorais pagas pelos candidatos.


CUSTOS ELEITORAIS

O candidato a prefeito pelo PL, Oscar Andrade, empresário, dono de uma das maiores companhias de ônibus urbanos de Porto Velho, ex-deputado federal, disse que os custos máximos de sua campanha eleitoral para prefeito serão de um milhão e duzentos e cinqüenta mil reais.

Já o fazendeiro pecuarista, ex-presidente da Associação de Criadores do Estado de Rondônia (ACER), Dr. Ribamar Araújo, prevê gastar trezentos mil em sua campanha para prefeito pelo Prona.

É uma quantia cinco vezes menor do que a que Dominguinhos do PT prevê gastar na campanha para ocupar uma cadeira igual a que o Dr. Ribamar, atualmente vereador, tem há oito anos.

Mais modesto é o candidato a prefeito pelo PMN, Antonio Morimoto. O orçamento de sua campanha eleitoral para prefeito é trinta vezes menor do que o da candidatura a vereador do petista Dominguinhos: cinqüenta mil reais.


CAMPANHAS MILIONÁRIAS

A milionária previsão de gastos eleitorais de Dominguinhos do PT somente é superada pelos orçamentos de campanha eleitoral previstos pelos candidatos a prefeito Roberto Sobrinho (PT), dois milhões de reais; Mauro Nazif (PSC), dois milhões de reais; e Everton Leoni (PSDB), dois milhões e quinhentos mil reais.

Os custos de campanha declarados ao TRE-RO por Roberto, Mauro e Everton não estão muito longe dos custos da campanha eleitoral de Paulo Maluf (PP), um dos candidatos a prefeito de São Paulo. Ele estimou gastos máximos de cinco milhões de reais, apenas o dobro do que Everton Leoni estimou para sua campanha em Porto Velho.

Os concorrentes de Paulo Maluf, Luíza Erundina (PSB), Martha Suplicy (PT) e José Serra (PSDB), prevêem gastos de até quinze milhões de reais cada um na luta para a conquista da prefeitura da maior cidade do Brasil.

Estimativas de gastos apresentadas por 20 candidatos a vereador da Capital paulista, examinadas aleatoriamente pela reportagem, indicaram valores que variam de cinqüenta mil a um milhão e meio de reais.


PADRÃO PAULISTA

Alguns candidatos a vereador de Porto Velho parecem ter calculado seus custos conforme o padrão paulistano.

Cem fichas de candidatos a vereador em Porto Velho, examinadas aleatoriamente pelo repórter, indicam que os limites entre os mais baixos e os maiores orçamentos declarados ao TRE-RO para campanha eleitoral de Porto Velho coincidem com os de São Paulo – não obstante as astronômicas diferenças econômicas entre a Capital rondoniense, uma das mais pobres do Brasil, e a cidade mais rica do país.

Por exemplo, a estimativa de gastos do candidato contabilista Dominguinhos do PT de Porto Velho é três vezes maior do que o orçamento apresentado ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) pelo candidato a vereador da Câmara Municipal paulistana Ademir da Guia, lendário craque do futebol paulista. Da Guia prevê um custo máximo de quinhentos mil reais para a campanha eleitoral.


MUITO DINHEIRO

Até mesmo em São Paulo não é freqüente encontrar-se candidatos a vereador com orçamentos eleitorais superiores a um milhão de reais. Entre vinte fichas de candidatos pesquisadas aleatoriamente pelo repórter, encontrou-se apenas um candidato a vereador com orçamento de campanha eleitoral igual ao de Dominguinhos do PT, um certo Albertino Sapopemba, do PV.

Uma candidata do PV, a vereadora de Porto Velho Antonia da Vidro Art’s, fez uma conta bem menor do que a do correligionário paulistano, mas seu orçamento é igual ao de outros candidatos de São Paulo, sessenta mil reais.

Outro candidato a vereador de Porto Velho, o estudante David Chiquilito Erse, de 25 anos de idade, pretenso herdeiro do eleitorado do pai, o ex-prefeito porto-velhense Chiquilito Erse, orçou em duzentos mil reais os custos de sua campanha. Igual previsão de gastos foi feita por Ari Aquino Afonso, o “Ary Cowboy”, do PSB, na busca de uma vaga na Câmara Municipal de Porto Velho.

Os custos estimados por Erse e Cowboy são iguais aos previstos em São Paulo pelo candidato a vereador da Câmara Municipal paulistana, Adalberto Camargo Júnior, do PP.


MAIS CARO

Em Porto Velho, professora de 1º e 2º Graus, Cleide Bezerra, candidata a vereadora pelo PT, informou custos máximos de campanha no valor de cento e cinqüenta mil reais. É uma campanha mais cara do que a do feirante Adizio Alves Maranhão, o “Maranhão”, candidato do PC do B a vereador de São Paulo, que tem um orçamento de cem mil reais.

Existem candidatos a vereador de São Paulo que calculam custos máximos de cinqüenta mil reais para as respectivas campanhas eleitorais.

Em Porto Velho, o encanador Carlos Augusto Leitão, o “Carlinhos Pedreiro” (PPS), a comerciante Cecília Lima de Souza, a “Loira do Mutum” (PTB), o atual vereador e candidato à reeleição Aparecido Alves da Silva, o “Cido” (PPS), calculam que gastarão até setenta mil reais cada para disputar uma vaga na Câmara Municipal.


POBREZA RAREIA

Nas cem fichas examinadas, apenas três candidatos a vereador apresentaram orçamentos abaixo de trinta mil reais. Um deles foi o corretor de imóveis, seguros, títulos e valores, Edgar de Melo Brilhante, o “Edgar Brilhante” candidato a vereador pelo PRP (Partido Republicano Progressista). Orçou a campanha eleitoral em vinte e cinco mil reais

Dois outros candidatos disseram que não terão gasto nenhum. Ailton Pacheco Dias, do PRT (Partido Renovador Trabalhista), de escolaridade de nível superior porém sem ocupação declarada na ficha; e o taxista e motorista particular Claudomiro Uchoa Almeida, o “Marcos Uchoa.”


PODER ECONÔMICO

As diferenças de orçamentos eleitorais, pelo menos em Porto Velho, parecem, de qualquer forma, desafiar a Justiça Eleitoral quanto aos abusos de poder econômico. Nem mesmo candidatos com profissões iguais prevêem gastos iguais.

Por exemplo, Direne Alves da Silva, a “Engenheira Direne”, candidata a vereadora pelo PSB, declarou ao TRE-RO previsão de gastos de vinte mil reais. Sua colega de profissão, engenheira Edna Xavier da Silva, a “Edna da Cohab”, candidata pelo PFL, calcula gastar cinqüenta mil reais.

A diferença de orçamentos eleitorais entre candidatos a vereador da mesma profissão ocorre também com advogados. A advogada Carla Borges Moreira, a “Doutora Carla”, informou ao TRE-RO que os custos máximos de sua campanha serão de cento e cinqüenta mil reais. Seu colega Carlos Alberto Troncoso, o “Doutor Troncoso”, informou uma previsão de gastos máximos de cem mil.


SEM LÓGICA

Grandes diferenças entre os orçamentos de candidatos a vereador que trabalham na mesma área comunitária, ainda que em categorias profissionais diferentes, parecem ilógicas. O médico e dono de hospital Amado Rahal, o “Doutor Amado”, candidato do PTB, prevê gastos de setenta mil. O sindicalista Anildo Ribeiro do Prado, o “Anildo do Sindsaúde”, prevê gastar até duzentos mil reais.

Dois candidatos a vereador do PTC (Partido Trabalhista Cristão) apresentaram orçamentos iguais até nos centavos. Adauto Borracheiro e a professora Cláudia Emília Lima de Souza, a “Professora Cláudia” orçaram as respectivas campanhas eleitorais para vereador em Porto Velho em exatos trinta e seis mil, trezentos e sessenta e três reais e sessenta e três centavos.


ESCOLARIDADE

Os custos elevados de campanha eleitoral, a existência de candidatos com nomes ou apelidos exóticos e a falta de clareza ou inexistência de plataformas eleitorais – comentadas abertamente pelo povo nas ruas com base nos programas dos horários eleitorais no rádio e na TV – não parecem estar ligados a uma suposta falta de escolaridade dos políticos.

Dos cem candidatos pesquisados por “Imprensa Popular”, 27 por cento têm curso superior completo e 23 por cento incompleto; 25 por cento têm o curso médio completo e 10 por cento incompleto; 9 por cento têm o curso fundamental completo e 6 incompleto.


NOMES E CIFRAS

Dessa forma, se nome ou apelido exótico decidir eleição, a próxima legislatura da Câmara Municipal de Porto Velho, a partir de 2005, poderia ser constituída seguinte forma, conforme 16 nomes ou apelidos exóticos que extraímos de uma lista aleatória (e para mero efeito de amostragem) de cem candidatos a vereador registrados pelo TRE-RO.

Uma Câmara com maioria de vereadores – sete – com escolaridade de nível superior completa: Edna da Cohab (PFL), Doutor Amado (PTB), Ary Cowboy (PSB), Doutor Troncoso (PSDB), Antonéas Filho do Enéas (Prona), Castelinho Miranda da Rondolex (PSL), Engenheira Direne (PTC).

Seis vereadores de escolaridade de nível média completa: Anildo do Sindsaúde (PSB), Carlinhos Pedreiro (PPS), Loira do Mutum (PTB), Antonia da Vidro Art’s, Dominguinhos do PT, Edgar Brilhante (PRP). Um de nível médio incompleto: Almir da Sucam (PSC).

Um de nível fundamental completo: Abidão Maravilha (PL) e dois de nível fundamental incompleto: Adauto Borracheiro (PTC) e Tonhão do Mel (Prona).

A soma dos custos máximos de campanha previstos por esses 16 candidatos a vereador de Porto Velho, totaliza R$ 2.581.363,63. Essa quantia representa uma média de gastos presumíveis de campanha de R$ 161.335,22 para cada candidato.

Um vereador de Porto Velho recebe, presentemente, vencimentos de cerca de R$ 10 mil por mês. Alguns dizem que não chega a tanto. Que não passa de R$ 5 mil mensais.

Se R$ 5 mil for o valor real, cada vereador ganha, por ano, R$ 60 mil, quase três vezes menos do que a média dos gastos individuais (R$ 161.335,22) previstos pelos candidatos que pedem seu voto para ter esse cargo.

Foto: TSE


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