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Porto Velho,  qui,   17/outubro/2019     
opinião

Editorial (1): Afinal de contas por que Nazif aliou-se a Camurça?

4/9/2004 14:54:20
Jornal Imprensa Popular
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Fala sério: você acredita mesmo que a aliança de Mauro Nazif com o prefeito Carlos Camurça aconteceu “para o benefício da Capital”? Ora, se Mauro classificava – quando era inimigo político do prefeito – a administração Camurça como não transparente, como agirá, caso se eleja, com o apoio de seu ex-inimigo político. 


 Quando o ex-vereador e ex-deputado Mauro Nazif abraçou o panfletarismo para construir sua imagem política, a realidade de Porto Velho era pintada com as nuances do terror em seus discursos, com ele aparecendo em todos os protestos – de servidores, de despossuídos, de sem-tetos, etc – como o mais ferrenho defensor dos marginalizados. Mauro sabia manipular o emocional, transformando os adversários em personagens desprezíveis, com os quais ele, em nenhuma hipótese, se juntaria. Os mais ingênuos, principalmente na imprensa, logo se afeiçoaram àquele político tucano (ele era do PSDB, o partido de Everton) que “tomava partido”, diferentemente da praxe murista de seus companheiros.

Mauro Nazif sempre soube cair de pau nos mandatários do Poder. O engraçado é que Carlos Camurça – agora avalista de sua campanha – era um dos alvos preferidos do ex-vereador e ex-deputado, desde o ano 2000. Nazif trazia à baila, com facilidade, suspeitas contra o ainda governo municipal, destacando sempre seu grupo político/econômico (mais o econômico que o político). Quem poderia imaginar que esse “incorruptível” personagem buscaria o apoio dos Camurças sem pestanejar.

Quando o candidato do PSB fala que essa aliança se deu para o benefício da Capital, estamos diante da mais pura distorção, pois seria de péssimo tom dizer que ela ocorreu porque depois das últimas derrotas, uma campanha apoiada pela máquina, com fartura de dinheiro, poderia ter mais chance de uma vitória.

Quem teve paciência de assistir o mal elaborado debate daquela TV que retransmite uma programação cearense, deve ter ficado com vontade de rir e também de refletir ao mesmo tempo quando Nazif precisou defender o principal avalista de sua campanha, elogiando o péssimo asfalto feito pelo atual prefeito, como se ele (o asfalto) tivesse provocado uma mudança cultural no povo porto-velhense. Foi, certamente, uma tentativa de se produzir um humor gratuito para disfarçar o sarcasmo de alguém que não quer falar abertamente dos interesses que estão em sua retaguarda.

Dar uma conotação natural a esta aliança que desnudou a idéia de coerência política de Nazif é menosprezar a capacidade de boa parte da população em perceber que ela (a aliança) se lastreia essencialmente em objetivos econômicos e do imediatismo político dos grupos envolvidos. Prenuncia por isso mais uma temporada de vigência dos esquemas desastrosos, que menospreza fatos importantes para um desenvolvimento de inclusão da vasta camada dos habitantes desse município.

Chega a ser patética a distribuição de informações erradas tentando justificar como positiva a união de duas correntes políticas que ao longo dos anos se apresentaram tão diferentes entre si, como dois lados que jamais se casariam. Talvez por esta realidade, a fisionomia do agora batizado de candidato chapa-branca, durante o fraquíssimo debate daquela lamentável TV, se mostrava decepcionado consigo mesmo.

A insistência de Nazif em contar para o povo que a aliança com Carlos Camurça e seu grupo político/econômico (mais o econômico do que o político) se deu pelo bem da cidade é uma grande lorota. Deveria causar constrangimento a falta de coragem em simplesmente admitir uma fuga da trincheira. O povo pode não ser letrado, mas percebe claramente que o objetivo de uma aliança dessas não é outro senão permitir que os controladores da prefeitura nos dias de hoje continuem fazendo isso na próxima gestão.


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